21 de dezembro de 2009

As palavras que ninguém lê trazem-me a certeza de que já estava morto antes mesmo de nascer.

Submissão

Quando não ecoo
Você conforta-se
Se já não vibro mais
Entendes como segurança
Meu pensar esvai-se
Tens, então, esperança
Com meus sentidos controlados
Sua felicidade dança

Talvez seja hora de morrer calado
Para prospera nossa aliança

9 de dezembro de 2009

Vísceras

Acordei em vísceras
Vermelhas como os tomates
Jogados ao bobo, na corte
Cheirando solidão
O eu desfazendo em putrefação

Mastiguei tais vísceras
Como goma de mascar
Grudadas em sapatos velhos
Aspirando nostalgia
Poluindo o corpo como alergia

Regurgitei minhas vísceras
Gosto raro de leite velho e azia
Deixado pra fora na noite fria
Coalhando esperança
Mente revira em lembrança

7 de dezembro de 2009

Sarjeta

Rebelde sem causa
Poeta sem livro
Artista sem tela
Músico sem cantiga
Lenda sem história
Apaixonados em amada
Espinho sem flor
Criatura sem criador


Sou eu sem eu mesmo
Sou o mesmo que nunca fui eu
Alma sem corpo
Espírito sem encarnação
Só assim sou eu
O que não fui
Nem serei

4 de dezembro de 2009

Seja como for
Mesmo que não for
Mentiras
Verdades
Importa apenas
A realidade
Serei para sempre
(mesmo que sempre não exista)
Só seu
(deixe que meu coração insista)

30 de novembro de 2009

Subjetividade, pequena diferença entre ser e estar. Muito dizem ter, poucos podem alcançar. Poder criar, referenciar, aperfeiçoar e humanizar, sem nunca copiar ou fraudar.

ecos

O silêncio
Grito forte
No qual mora certeza
Já não faz mais parte
Da vida que late
A caravana passou
E ficaste
Esquecido
Em silêncio
No silêncio
Do grito só restou
Sombras
Cópias
O fim

23 de novembro de 2009

Falaram-me que levo a vida muito a sério, talvez seja porque ela não costuma sorrir assim tão fácil pra mim.
Não acredito em Deus nem no Diabo. Mas sei bem o que podemos fazer com 'Eles'.

Eterno

Quando meu coração bater
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você

Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena

Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus

Eterno

Quando meu coração bater
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você

Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena

Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
A solidão é caminho sem volta.
Uma vez que sua voz se cala.
Ninguém chamais tornará a ouvir.
Nem um suspiro seu
Creia em que você quiser. Eu, não acredito nem em mim mesmo.

Quem?

Inexistir, o ato de deixar de ser quem nunca fui.
Calar lembranças que nunca tive, nunca foram minhas.
Traçar memórias desejáveis, mesmo que infundadas.
Inexistir, deixar ser quem você realmente ama.
Ainda que eu mesmo morra de ciúmes
Pelo outro que sempre amará, o outro que não sou eu.
Inexistir será mais fácil assim
Sem perturbações, só seus olhos, como no início
Amando o que parecia ser eu, porém forte, como nunca fui.

11 de novembro de 2009

RT

Ecos falsos
De uma sociedade ordinária
Falam-me revolução
Praticam retração
Gritos tão surdos
Como árvore morta
Sem ninguém pra ver
Combatem o pensamento livre
Dizendo-se detentores
Do livre pensar
Ecos falsos
De mentes
Livres de pensar
Inertes na arte de reeditar

4 de novembro de 2009

Fim sem começo

O fim já começa no começo

Entre o começo do fim

E o fim do começo

Apenas o meio


Está no começo ou no fim

No fim ou no começo

Vivo quintos, quartos e terços

Desse começo sem fim


No começo que acaba de acabar

Ou no fim que começou agora

Segundos, minutos, horas

Sem saber quando começa o fim


E quando acaba o começo?

Sigo em frente em tropeços

Esperando ter fim os erros

E só começo os acertos



Sabe-se lá quando

Saberei se perdi todo meu meio

Esperando começos e fins

Entre vários recomeços

____________________________________
Classificada no VIII Poetas do Vale
http://www.poetasdovale.blogspot.com/

30 de outubro de 2009

Batismo

Hoje quero bater cabeça
Ver força
Sobressair sobre fraqueza
Tudo regado a nobreza
Do santo oco
Sem ouro como riqueza

Oxalá permita a luz brilhar
Sob escurecido luar
Com armas de Ogum
Roupas de Iemanjá
Um novo nome
Para vida nova coroar

Cavalo a galope
Mente sem pensamento
Orvalho de corpo ao relento
Do nome antigo nem graças
Nem lamentos
Da nova graça
Infinitos elementos

20 de outubro de 2009

Intervalo

Quando não sobra
Mais pra nada a vontade
E cessa a obra
Sem dizer nenhuma verdade
Hora a hora
Segue dura a marginalidade

Pros que vem ao toque de esporas
Parece velha a idade
Não entendem porque choras
Nem porque verte a realidade
A morte sobrepõe vidas
Loucura que ataca a faculdade

Quanto gritar ação
Não haverá mais ato
Nem estenda a mão
Foi-se embora as sete vidas do gato
Mente sem rebelião
Pensamento hiato

10 de outubro de 2009

sem encanto

Une-dune-tê
Lembra disso:
Nunca mais pudeste escolher

Bem-me-quer, mal-me-quer
Agora, bem,
Só verás em série de TV

Abra-cadabra
Mágica sim,
Podes ver a alegria desaparecer dia a dia

Plut, plat, zum
Nem você, nem seus sonhos
Não vão a lugar nenhum

Hora do recreio
Agora sim
Um descanso pra essa vida em desespero

6 de outubro de 2009

O dia do absurdo

Respeitável Público
Senhoras e Senhores
Honorável corja
Bem vindos ao Dia do Absurdo

Absurdamente real
Realmente abominável
Abominávelmente absurdo
Olhei firme para o Dia do Absurdo

Cobras de cem cabeças, ou mais
Palhaços que choram sangue
Sangue puro feito de ki-suco
Bebei do leite dessas bestas do Dia do Absurdo

Cuspo fogo
Escarro pestes
Urino sal de outubro
É só meu todo o Dia do Absurdo

Hoje é real
Meu absurdo abissal
Amanhã é teatro
Será sempre letal, o Dia do Absurdo

Respeitável Público
Tapai os olhos
Há muito já cegos
Antes mesmo do Dia do Absurdo

Senhoras e Senhores
Quebrai os dentes
De tanto ranger
Pois tanto temem esse Dia do Absurdo

Honorável corja
Celebrai
Pois além de mim, só vós
Poderei desfrutar do Dia do Absurdo

5 de outubro de 2009

Véspera

Eu pensei em não mais acordar
Ficar inerte, deitado
Em sono profundo
Para não ter mais que aceitar
Nem discordar
Nem mesmo argumentar
Eu sonhei com minha morte pro mundo
Minha morte pelo bem do mundo
Relutei mas tive que acordar
No espelho, já cicatrizados
Pontos que em minha máquina de falar
Agora já não posso e não quero expressar
Acordado e confuso
Lembrei-me
Amanhã é feriado
É dia do absurdo

31 de agosto de 2009

cada

Cada dia, cada minuto, cada segundo
Cada um pense o que quiser
Cada qual sabe onde sangra o ventre
Cada pessoa sente
Cada indivíduo entende
Cada dia, cada minuto, cada segundo

Cada um com seu cada um
O meu, tem certeza de que é hora de parar

17 de julho de 2009

Com minhas próprias mãos
Depois que soarem os sinos pela quinta vez
Tudo será minha culpa
E só minha
Sem mais longos suspiros
Nunca olhares desconfiados
Amanhã, a essa mesma hora
Serei apenas eu
Não
Eu, Deus e o que ele me deu
Será com minhas próprias mãos
Que farei rir
Que deixarei chorar
Que tentarei sonhar
Com minhas próprias mãos
Aprenderei, de verdade, a amar

8 de julho de 2009

Vivo, morto. Morto, vivo.

Ando meio com dor de dente. Sabe? Aquele tipo dormente, não latente. Incomoda, mas de tão leve acaba fazendo parte da gente. Quase como emprego. Como faculdade e igreja. Essa dor já vem de algum tempo. Não sei se chegou coma vontade de parar com tudo, ou se parei com tudo por causa da dor. Sei que é uma causa e efeito. Nesse tempo, que a gengiva palpitava dormente, não tive nenhum sonho latente. Nenhuma ideia abrupta para mudar o mundo e fazer com que me virasse na minha própria tumba de caos. Por um tempo foi bom. Evitei várias outras dores. Mas hoje decidi que chega. Não pretendo arrancar esse dente, nem com ele minha dor. Simplesmente parei de escovar os dentes. Vou cultivar essa mortificada dormência. Espero que o acúmulo das pequenas latejadas, que parecem formigamento moral, faça-me novamente gritar. Incubado em meus berros estarão o bafo de um uma dor fúnebre, em cheiro e conteúdo um verdadeiro cadáver. Ressurgindo, como em ‘a volta dos mortos vivos’. Sedento não de sangue, mas de alma. A sua alma, aminha própria alma. Por fim, estou de volta. Mesmo que em eterna decomposição.

10 de junho de 2009

Concorrente carência

Engole seco
Pois é meu sossego
Teu desespero
Que desça áspera
Garganta a baixo
A água de teu deserto
Cada grão da areia
Uma palavra
Da minha boca apeia

Engole seco
Pois é colírio para os olhos
Teu receio
Que desça quente
Doe esôfago ao estomago
A ânsia de seu castelo
Cada grito mudo
Uma certeza
Da minha mente ascende

28 de maio de 2009

Bricoleur

Será poesia o design, ou design a poesia
Será criatividade a alucinação, ou alucinação criatividade
Serei eu o criador, ou penas fui criado
Servirá a mima criação, ou como servo serei criado
Medico ou monstro, monstro e médico
Da galinha o ovo, do ovo a galinha
Sobre qualquer divagação, divago
Mesmo não sendo minha, a noção do produto exato

12 de maio de 2009

Re-educação

Ainda estamos em plena escravidão
Nosso ópio, cevada
O churrasco o grande pão
Nossa própria morte é o circo
Diversão popular na televisão
Salário mínimo
Chibatadas intensas em recessão
Da vida nos resta um padrão
Comer, beber, defecar e morrer
De cabeça baixa
Sob a mira do capitalismo patrão
Sem honra, sem nome, sem opinião
Resta-nos calar
Ante a camuflada repressão
Nem pão nem circo
A opressão
Faz-se comunhão

Sobre independência, saudades e mundo

Necessito ser eu
Um ser errante
Vagabundo
Vagando sem pena
Sem mendo de tomar-me vago
Não sinto saudades
Não quero nada do mundo
Mas sou dependente
Do meu próprio absurdo

8 de maio de 2009

6

Seis

Minutos
Horas

Dias

Meses

Anos

Décadas
Séculos

O tempo que for

Tudo nosso amor irá transpor

A alegria e a dor

No fim

Será tão forte

Como num certo beira-mar

Seis

Segundos

Bastaram para saber

Que seu calor

Far-me-ia delirar

Pelo tempo que for

29 de abril de 2009

Onde está Wilson?

Ali, à frente
A ilha onde nada há
Cercada de pequenas penínsulas
Ainda mais vazias
Só, no cento
O naufrago, com azia
Morreu de tanto tentar
Descobriu que dói pensar
Dor insuportável
Em meio a ecos
Da própria afasia
O último instante
A descoberta
A morte não traz descanso
Falecer é teatro
Fantasia
Pura hipocrisia

Má digestão

Sigo devorando o mundo
Mesma já quase sem dentes
Digerindo sapos e serpentes
Defecando sobras
Em seu banquete latente
Vou ingerindo grandes nacos
Dessa carne putrefata
Da qual é feita essa sociedade
Canalha como lamina de navalha
Vomitando líricos versos
Meu sonho versus seus ganhos

27 de abril de 2009

pixealizando o impixealizável

Preciso de um aditivo
Na verdade
Quero mais adjetivos
Fomentar a massa inerte
Gelada e sem vida
Que ocupa a lacuna
Entre olhos e cabelos
Aquilo que já chamei de cérebro
Hoje um HD estéril
Informação é o que não falta
Mas falta combustível
Um verbo como aditivo
Pensar em novos adjetivos
Um HD sem memória
O que já foi cérebro
Hoje é apenas a quebra de um link
Sem conectividade
Nem objetividade
Um sinal ocupado
Para mim mesmo

15 de abril de 2009

Uma vez tracei
Pai, Filho e Espírito
Hoje refaço o traço
Pai, Filho, Espírito e Santos
Laurentino, Quincas, Ilton, Naninho,
Pãozinho e outros tantos)
Hoje você falou sobre meu humor... Digo que está longe de ser felicidade, foi apenas um tolo conforto dos curtos tempos de paz. Cada dia mais sinto-me guerrilheiro, quase só no “aparelho” instalado na minha própria cabeça, saindo a noite para selva onde caço lacunas do futuro e do passado onde posso sincronizar o todo quem sempre amei. Todo que para mim é tudo, onde estão, pai, mãe, avós, avôs, irmãos e a arte, elemento sempre presente, mas que já não me satisfaz.

6 de abril de 2009

Desalento

O desalento é volátil elemento
Horas inflado, deveras inflamado
É pretexto em qualquer contexto
Manha em cada manhã

O desalento é preguiça majestosa
Em segundos expansível, sempre consumível
É placebo em inexistente doença
Birra em meio à intriga

O desalento é do ego cafuné
Instante do antes, pedante do depois
É mentira em vigília
Desculpa na falta de muleta

O desalento é mesmo rancor
Terror em memória, pavor em busca de glória
É reticências na prosa
Interrogação em meus versos

O desalento até é frescor
Reflexão para quem pensa, oração para alma tensa
É pausa às vezes constante
Indicio de ânimo em cérebro inconformado

O desalento, em toda certeza importante
Ciclo quase incitante, volta errante
É necessário em tom revolucionário
Único e relevante

9 de março de 2009

Nem consolo, nem desabafo

Faço da suas as minhas palavras
De seu ódio meu motor
Faço do seu sangue combustível
De suas idéias a revolução
Adiável, mais imprescindível
Faço das suas as minhas lágrimas
Do som de seu choro a minha promessa
Rirão agora
Gozarão sobre essas pequenas sobras
Mas ainda verão
A verdade, a compreensão e a razão
São todas nossas

19 de fevereiro de 2009

Prática

De noite
Comer os restos de mim mesmo
A fim de ter só para mim
O que durante o dia sempre foi só meu
Pela manhã
Regurgitar os restos embolados
Na esperança de encontrar o eu
Que já não é mais meu, nem eu
De novo o dia
Digerindo como vermes no esterco
O bagaço disforme
Que outrora teve um nome
Nome este que chamaram a mim

20 de janeiro de 2009

mascarado

O peso sobre as costas
Massacra os pensamentos
Sob minha alma, soterrados
Seguem antigos sonhos
Abandono gotas de sangue
Em cada canto de mim mesmo
Escuro como óleo
A gangrena to tempo
Sem descanso
Nem um pequeno intervalo
Segue está vida
Que não pedi
Segue essa mágoa
Mesmo quando o corpo sorri
A cada tapa
Ofereço o outro lado
Assim aprendi
Ser escravo de vontades
Serviçal de seu lapso de bondade
Hoje, sempre
O peso massacra
Camuflado de liberdade
Disfarçado em mim

15 de janeiro de 2009

Tenha coração

Respire, transpire, corra, sofra, olhe, se desdobre. Faça tudo, mas faça com coração. Não temos duas chances na vida e, para ter certeza que dará tudo certo, sempre, é só ter coração.
Todas as outras dicas são boas, são válidas, mas nada melhor do que fazê-las de coração. Assim, às 11h 59min, do dia 31 de dezembro de 2009, sem arrependimentos, agradeceremos juntos, pois amamos, gritamos, choramos, brigamos, crescermos, conquistamos. Sempre com coração. Um belíssimo ano a todos e contem com meu coração!

suicídio e redenção

hoje acordei com uma gigantesca vontadde morrer
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
deixar de lado a desesperança da minha vida
hoje vou dormir querendo viver
viver sem essa ferida
viver por essa ferida
resgatar na morte a vida q não em deu saída