6 de outubro de 2009

O dia do absurdo

Respeitável Público
Senhoras e Senhores
Honorável corja
Bem vindos ao Dia do Absurdo

Absurdamente real
Realmente abominável
Abominávelmente absurdo
Olhei firme para o Dia do Absurdo

Cobras de cem cabeças, ou mais
Palhaços que choram sangue
Sangue puro feito de ki-suco
Bebei do leite dessas bestas do Dia do Absurdo

Cuspo fogo
Escarro pestes
Urino sal de outubro
É só meu todo o Dia do Absurdo

Hoje é real
Meu absurdo abissal
Amanhã é teatro
Será sempre letal, o Dia do Absurdo

Respeitável Público
Tapai os olhos
Há muito já cegos
Antes mesmo do Dia do Absurdo

Senhoras e Senhores
Quebrai os dentes
De tanto ranger
Pois tanto temem esse Dia do Absurdo

Honorável corja
Celebrai
Pois além de mim, só vós
Poderei desfrutar do Dia do Absurdo

5 de outubro de 2009

Véspera

Eu pensei em não mais acordar
Ficar inerte, deitado
Em sono profundo
Para não ter mais que aceitar
Nem discordar
Nem mesmo argumentar
Eu sonhei com minha morte pro mundo
Minha morte pelo bem do mundo
Relutei mas tive que acordar
No espelho, já cicatrizados
Pontos que em minha máquina de falar
Agora já não posso e não quero expressar
Acordado e confuso
Lembrei-me
Amanhã é feriado
É dia do absurdo

31 de agosto de 2009

cada

Cada dia, cada minuto, cada segundo
Cada um pense o que quiser
Cada qual sabe onde sangra o ventre
Cada pessoa sente
Cada indivíduo entende
Cada dia, cada minuto, cada segundo

Cada um com seu cada um
O meu, tem certeza de que é hora de parar

17 de julho de 2009

Com minhas próprias mãos
Depois que soarem os sinos pela quinta vez
Tudo será minha culpa
E só minha
Sem mais longos suspiros
Nunca olhares desconfiados
Amanhã, a essa mesma hora
Serei apenas eu
Não
Eu, Deus e o que ele me deu
Será com minhas próprias mãos
Que farei rir
Que deixarei chorar
Que tentarei sonhar
Com minhas próprias mãos
Aprenderei, de verdade, a amar

8 de julho de 2009

Vivo, morto. Morto, vivo.

Ando meio com dor de dente. Sabe? Aquele tipo dormente, não latente. Incomoda, mas de tão leve acaba fazendo parte da gente. Quase como emprego. Como faculdade e igreja. Essa dor já vem de algum tempo. Não sei se chegou coma vontade de parar com tudo, ou se parei com tudo por causa da dor. Sei que é uma causa e efeito. Nesse tempo, que a gengiva palpitava dormente, não tive nenhum sonho latente. Nenhuma ideia abrupta para mudar o mundo e fazer com que me virasse na minha própria tumba de caos. Por um tempo foi bom. Evitei várias outras dores. Mas hoje decidi que chega. Não pretendo arrancar esse dente, nem com ele minha dor. Simplesmente parei de escovar os dentes. Vou cultivar essa mortificada dormência. Espero que o acúmulo das pequenas latejadas, que parecem formigamento moral, faça-me novamente gritar. Incubado em meus berros estarão o bafo de um uma dor fúnebre, em cheiro e conteúdo um verdadeiro cadáver. Ressurgindo, como em ‘a volta dos mortos vivos’. Sedento não de sangue, mas de alma. A sua alma, aminha própria alma. Por fim, estou de volta. Mesmo que em eterna decomposição.

10 de junho de 2009

Concorrente carência

Engole seco
Pois é meu sossego
Teu desespero
Que desça áspera
Garganta a baixo
A água de teu deserto
Cada grão da areia
Uma palavra
Da minha boca apeia

Engole seco
Pois é colírio para os olhos
Teu receio
Que desça quente
Doe esôfago ao estomago
A ânsia de seu castelo
Cada grito mudo
Uma certeza
Da minha mente ascende

28 de maio de 2009

Bricoleur

Será poesia o design, ou design a poesia
Será criatividade a alucinação, ou alucinação criatividade
Serei eu o criador, ou penas fui criado
Servirá a mima criação, ou como servo serei criado
Medico ou monstro, monstro e médico
Da galinha o ovo, do ovo a galinha
Sobre qualquer divagação, divago
Mesmo não sendo minha, a noção do produto exato

12 de maio de 2009

Re-educação

Ainda estamos em plena escravidão
Nosso ópio, cevada
O churrasco o grande pão
Nossa própria morte é o circo
Diversão popular na televisão
Salário mínimo
Chibatadas intensas em recessão
Da vida nos resta um padrão
Comer, beber, defecar e morrer
De cabeça baixa
Sob a mira do capitalismo patrão
Sem honra, sem nome, sem opinião
Resta-nos calar
Ante a camuflada repressão
Nem pão nem circo
A opressão
Faz-se comunhão

Sobre independência, saudades e mundo

Necessito ser eu
Um ser errante
Vagabundo
Vagando sem pena
Sem mendo de tomar-me vago
Não sinto saudades
Não quero nada do mundo
Mas sou dependente
Do meu próprio absurdo

8 de maio de 2009

6

Seis

Minutos
Horas

Dias

Meses

Anos

Décadas
Séculos

O tempo que for

Tudo nosso amor irá transpor

A alegria e a dor

No fim

Será tão forte

Como num certo beira-mar

Seis

Segundos

Bastaram para saber

Que seu calor

Far-me-ia delirar

Pelo tempo que for

29 de abril de 2009

Onde está Wilson?

Ali, à frente
A ilha onde nada há
Cercada de pequenas penínsulas
Ainda mais vazias
Só, no cento
O naufrago, com azia
Morreu de tanto tentar
Descobriu que dói pensar
Dor insuportável
Em meio a ecos
Da própria afasia
O último instante
A descoberta
A morte não traz descanso
Falecer é teatro
Fantasia
Pura hipocrisia

Má digestão

Sigo devorando o mundo
Mesma já quase sem dentes
Digerindo sapos e serpentes
Defecando sobras
Em seu banquete latente
Vou ingerindo grandes nacos
Dessa carne putrefata
Da qual é feita essa sociedade
Canalha como lamina de navalha
Vomitando líricos versos
Meu sonho versus seus ganhos

27 de abril de 2009

pixealizando o impixealizável

Preciso de um aditivo
Na verdade
Quero mais adjetivos
Fomentar a massa inerte
Gelada e sem vida
Que ocupa a lacuna
Entre olhos e cabelos
Aquilo que já chamei de cérebro
Hoje um HD estéril
Informação é o que não falta
Mas falta combustível
Um verbo como aditivo
Pensar em novos adjetivos
Um HD sem memória
O que já foi cérebro
Hoje é apenas a quebra de um link
Sem conectividade
Nem objetividade
Um sinal ocupado
Para mim mesmo

15 de abril de 2009

Uma vez tracei
Pai, Filho e Espírito
Hoje refaço o traço
Pai, Filho, Espírito e Santos
Laurentino, Quincas, Ilton, Naninho,
Pãozinho e outros tantos)
Hoje você falou sobre meu humor... Digo que está longe de ser felicidade, foi apenas um tolo conforto dos curtos tempos de paz. Cada dia mais sinto-me guerrilheiro, quase só no “aparelho” instalado na minha própria cabeça, saindo a noite para selva onde caço lacunas do futuro e do passado onde posso sincronizar o todo quem sempre amei. Todo que para mim é tudo, onde estão, pai, mãe, avós, avôs, irmãos e a arte, elemento sempre presente, mas que já não me satisfaz.

6 de abril de 2009

Desalento

O desalento é volátil elemento
Horas inflado, deveras inflamado
É pretexto em qualquer contexto
Manha em cada manhã

O desalento é preguiça majestosa
Em segundos expansível, sempre consumível
É placebo em inexistente doença
Birra em meio à intriga

O desalento é do ego cafuné
Instante do antes, pedante do depois
É mentira em vigília
Desculpa na falta de muleta

O desalento é mesmo rancor
Terror em memória, pavor em busca de glória
É reticências na prosa
Interrogação em meus versos

O desalento até é frescor
Reflexão para quem pensa, oração para alma tensa
É pausa às vezes constante
Indicio de ânimo em cérebro inconformado

O desalento, em toda certeza importante
Ciclo quase incitante, volta errante
É necessário em tom revolucionário
Único e relevante

9 de março de 2009

Nem consolo, nem desabafo

Faço da suas as minhas palavras
De seu ódio meu motor
Faço do seu sangue combustível
De suas idéias a revolução
Adiável, mais imprescindível
Faço das suas as minhas lágrimas
Do som de seu choro a minha promessa
Rirão agora
Gozarão sobre essas pequenas sobras
Mas ainda verão
A verdade, a compreensão e a razão
São todas nossas

19 de fevereiro de 2009

Prática

De noite
Comer os restos de mim mesmo
A fim de ter só para mim
O que durante o dia sempre foi só meu
Pela manhã
Regurgitar os restos embolados
Na esperança de encontrar o eu
Que já não é mais meu, nem eu
De novo o dia
Digerindo como vermes no esterco
O bagaço disforme
Que outrora teve um nome
Nome este que chamaram a mim

20 de janeiro de 2009

mascarado

O peso sobre as costas
Massacra os pensamentos
Sob minha alma, soterrados
Seguem antigos sonhos
Abandono gotas de sangue
Em cada canto de mim mesmo
Escuro como óleo
A gangrena to tempo
Sem descanso
Nem um pequeno intervalo
Segue está vida
Que não pedi
Segue essa mágoa
Mesmo quando o corpo sorri
A cada tapa
Ofereço o outro lado
Assim aprendi
Ser escravo de vontades
Serviçal de seu lapso de bondade
Hoje, sempre
O peso massacra
Camuflado de liberdade
Disfarçado em mim

15 de janeiro de 2009

Tenha coração

Respire, transpire, corra, sofra, olhe, se desdobre. Faça tudo, mas faça com coração. Não temos duas chances na vida e, para ter certeza que dará tudo certo, sempre, é só ter coração.
Todas as outras dicas são boas, são válidas, mas nada melhor do que fazê-las de coração. Assim, às 11h 59min, do dia 31 de dezembro de 2009, sem arrependimentos, agradeceremos juntos, pois amamos, gritamos, choramos, brigamos, crescermos, conquistamos. Sempre com coração. Um belíssimo ano a todos e contem com meu coração!

suicídio e redenção

hoje acordei com uma gigantesca vontadde morrer
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
deixar de lado a desesperança da minha vida
hoje vou dormir querendo viver
viver sem essa ferida
viver por essa ferida
resgatar na morte a vida q não em deu saída

1 de dezembro de 2008

Sem título, sem tema, sem lema...

Sem ponto nem vírgula segue frenética a vida. Como lombriga. Devora a calma e regurgita a alegria. Consome. Sem exclamação nem interrogação segue rápida, mas estática, em um corpo sem vida.

Sob minha cegueira

O que diriam as rosas
Por trás de tantos espinhos
O quem sonham entre os dentes
Os homens descontentes
Qual o cheiro presente
No sexo latente
Do que sente vontade o santo espírito
Todo esse tempo onipresente
Espirros e soluços nunca trarão respostas
Nem tão pouco será livre
Submerso nessa busca insólita
O que almeja sua mente sem pudor
Do fracasso
Qual será o odor
Porque respirar
Se sempre o que lhe vem
É a falta de ar
Despertar
Só se for para enfrentar

3 de novembro de 2008

canção de ninar

Bravura e Grossura vão se e casar
Sabe deus o que virá
Um anjo cheio de cólera
Ou um lindo diabinho
Que adora canção de ninar
Para Bravura, Grossura é doçura
Para grossura, Bravura é ternura
Mesmo sempre errados
Vão eles para sempre amar

29 de outubro de 2008

Carne crua

Vamos ressaltar a hipocrisia
Sorrir entre os dentes
Fingir alegria
Vamos às urnas
Eleger como presidente,
O bobo da turma

Vamos acusar Nietzche de heresia
Impelir ao gay a alcunha de doente
Adquirir essa alergia
Erguer renitentes
A voz da prolixa fortuna

Vamos amamentar o caos com azia
Sucumbir ao consumo, veementes
Infligir a sanidade
Ranger das correntes,
Do corpo mole na tumba

Vamos acalentar essa afonia
Implodir sob os emergentes
Admitir o silêncio
Prover contentes
Facadas na carne crua

28 de outubro de 2008

sobre eternidade

Ainda que pareça distante
A voz do meu coração
Sempre clama pelo seu amor
Mesmo que pareça irrelevante
O poder do meu coração
Moverá o mundo
Para que não sinta dor
E quanto tornar-se entediante
Alimentarei com chamas nosso ardor
Que seja eterno enquanto dure
E dure enquanto eu existir
Pois nada sou
E nada serei
Além de coração
E coração não existe
Sem nosso amor

14 de outubro de 2008

sobre guerreiros espartanos e bestas no limbo

Em meio ao trabalho medíocre, amizades falidas, afetos inertes e pensamentos inférteis o que me resta é limbo. Cobram-me forças, exigem coisas, esperam que seja um contra os trezentos. Honrado como um espartano, humilhado como um cão sarnento. Associam-me pensamentos, conceitos e preceitos. As palavras que dizem minhas nada mais são que ecos de energia, a energia alegre de um dia, que já padeceu sob uma tarde de elegia. Nem mais guerreiro, nem esfinge do limbo. Vagueio com alma cálida pelo ventre perene do mundo disforme, alternando momentos de glória e pura moléstia.

13 de outubro de 2008

má digestão

Enquanto minha mente desencarna em molho de cachorro quente com goles de vinho barato fico divagando os porquês dessa existência monossilábica. Prometi tanto aos outros, e muito mais a mim mesmo, e hoje, enquanto essa salsicha desce um tanto azeda guela abaixo, percebo que, como sempre, é tudo mentira. Sou incapaz de terminar o que comecei, sou incapaz até mesmo de começar; então, em uma linha a mais me despeço. Até uma próxima regurgitada dessa mente avacalhada, que já segue cansada concentrando-se na mordida, seguida da ânsia divina. Comer, digerir, defecar, palavras a esmo. Mas não me culpem, nunca disse que sabia pensar.

15 de agosto de 2008

Umbigo

Agora eu entendo o silêncio
Escuto os sons
Ecoam com lábios fechados
Compreendo a cabeça baixa
Pés juntos e mãos postas
Até mesmo sei
Por que milhos cravados não doem
Por que as ondas na propagam
Depois dos baques duros
Sinto o aperto na boca do estomago
A falta de ar do golpe escuro
Na turva visão posso enxergar
A verdade tão clara
Quase cega
Mas torna-se límpida
Como a promessa
Do silêncio constante
Para que não tenham o prazer
De ver ou ouvir
Meu chorar, meu cantar
Meu viver, meu amar
Nunca sem sentidos
Sempre cheio do meu próprio sentido

13 de agosto de 2008

Com você, como você

Quando acordar
Sorria
O sorriso mais forte e sincero
O dia então será iluminado
Só depois me chame
Para que possa acordar de verdade
Deixarei de lado o inverno do meu coração
É sua felicidade
Que faz da minha vida
Um longo e radiante verão
Diante te tanta luz
O que resta é curvar-me
E agradecer a flor dos meus dias
Livra-me
Desta longa noite triste e fria
Onde pesadelos consomem sonhos
Quanto a realidade, bárbara,
Destrói minha poesia
Faz do meu o seu
Como um raio de sol
Esquente minha alegria

1 de agosto de 2008

anverso

Quando a noite cai
E a grande alma do mundo esvai
Mulheres sonham
Homens amam
Meu espírito observa
Além da bruma
Muito além da névoa
A solidão de estar acompanhado
Milhões de palavras
O infinito de atos
Quase nenhum significado
Os olhos se viram
Dentro deste ser
O vazio
Acomodado
Atormentado
Cansado

14 de julho de 2008

Meu sol nasce todos os dias em teus olhos e se põem em seus lábios no momento em que morro em um desejo profundo de ser seu e deixar de ser todo resto. São teus beijos meus segundos de paz, recuperando minha alegria, preparando-me para uma nova batalha para criar um mundo perfeito e fantástico onde sua alegria possa habitar.

7 de julho de 2008

Prólogo

Durante a minha castração matinal, aquela em que olho no espelho e digo: “Putaquemepariu! Já passei dos 25, perdi a infância,a adolescência,tô perdendo a maturidade e nem sei se vou chegar a velhice...”, tive certeza de que era segunda, mais um segunda. O sol brilhava, os passarinhos cantavam e eu, como sempre, sentia-me um alienígena no país das maravilhas. Fiquei algumas horas acordando e dormindo de novo, na esperança de que quando despertasse tudo estivesse diferente, eu fosse outro e o mundo não fosse o mesmo. Levantei-me de súbito, não que alguma coisa tivesse realmente mudado, mas, para continuar cotidianamente, estava de novo atrasado. No carro o início do desespero. As ruas eram as mesmas, os rostos iguais. A única coisa diferente era eu mesmo, alguns segundos mais velho e muito (muito mesmo) mais descontente. Sentei-me aqui, para fazer “tudo de novo outra vez” e, enquanto sol se mexe de leste para oeste o desespero cresce junto com a certeza de quem nas próximas incontáveis manhãs repetirei incessantemente: “Putaquemepariu! Já passei dos 25, perdi a infância,a adolescência,tô perdendo a maturidade e nem sei se vou chegar a velhice...” Enquanto perco todo esse tempo não deixo de implorar para que alguém prove que todas as minhas ociosas certezas não são nada além de acomodadas e equivocadas generalidades sociais... Meu deus, gostaria de não estar aqui, sentado, com a boca escancarada cheia de esperando a porra da morte chegar.

27 de junho de 2008

Posfácio II

Enquanto a poesia sangra
Pela falta de esperança
Camuflada em palavras de conforto
Desço do palco
Ideais, pensamentos e sonhos
Silenciosos
Como o aspirar
De um homem morto

Posfácio I

Um punhal silencioso e frio
Toda a imaginação e a fábula
Inertes em um rio de lágrimas
Seres fantásticos não sobrevivem
O solo estéril de concreto
Minam sua consciência
Como um amigo imaginário
Ele se vai
Já cresceu, esqueceu a poesia
Deixará de acreditar

20 de junho de 2008

Benzedeira

Vou me benzer
Com benzina
Cachaça
Charuto
Sangue de galinha
Em cima da encruzilhada
Fazendo sinal da cruz
Ouriçar a caboclada
Com o cavalo,
O pai, a mãe e o filho
Batendo a cabeça
Pra me livrar da crença
De que todo dia
Todo mundo é mau
Valei-me “Seu” Jorge
Ogunhê
Ogum, vencedor de demanda
Ele vem D’Aruanda
Pra salvar filhos
D’Umbanda

19 de junho de 2008

Letrado, cochichado, decorado

De Bakunin a Lúcifer, o anjo diabo
Citastes todos os renegados
Do Bill Gates ao Kill Bill, tarantinizado
Amaste os grandes midiáticos
O Bush pai, o filho e seus espíritos, assombrados
Decorastes cada discurso commoditizado

Sem falar Adam, Nietzsche, Freire, Sartre e Che
Cada um, cada fala, em algum momento
Cada um, foi você
Mas de que falas o seu eu?
Se que um dia existiu você

De carne osso vaga
Letrando e discursando o decorado
Sem um só próprio pensamento
Nem cochichando poderá entender
Do que fala um homem libertado

Sentenciar (ou, aqui se faz e se paga)

Enquanto seu deus suspira
Sigo botando fé
Na memória
Com história
Na glória
Sem escória

Você quanto reluta
Torna certeza o pesar
Sem memória
Nenhuma história
Jamais glória
Só escória

Se os seus, de dedos apontados
Eu, num coro irado:
Guarde na memória
Jamais sua história
Terá qualquer glória
És do mundo, a própria escória.

16 de maio de 2008

Oração ao fim de tudo

Que os dias passem

E eu possa me calar

A cada segundo

Menus um palpitar

Cego, surdo, mudo

Sem prosa, verso ou resposta

Que o mundo também se cale

E eu possa descansar

Findo todo absurdo

Sem poesia, sem cantar nem encantar

Que vida encerre

Eu possa acabar

Por toda eternidade

Sem sentir, sem pensar

Só resta pesar

Em som oco e fúnebre

Por tentar e tentar e tentar

Que me perdoe

Despeço-me

Cansei de azar

7 de maio de 2008

Cíclica

Acorda, corre, pressa

Muita pressa

Uma hora, duas horas

Pára, limpa o suor

Escorre, junto com idéias

Como sangue pela testa

Recomeça, corre, Pressa

Muita Pressa

Meia noite, uma hora, duas horas

Pára, não valeu de nada

A vontade continua estagnada

Desiste de pensar

Pára

Um dia pára de tentar

Há pessoas que andam

Muitas para nenhum lugar

Outras sonham

É provável Que não venham a alcançar

5 de maio de 2008

Despedida antes de chegar

Em meio a tanto sangue eu percebi que já havia chego minha hora. Pior que morrer é nem ter nascido, já disse uma vez algum espírito livre. A cada pá de terra me vem à lembrança a vida que nem tive, é como se arrepender de algo que nem foi feito. Enquanto discutem sobre o que o quanto eu iria sofrer, sobre meus temores e meus desacertos, esquecessem de mim e da vida que nem vou ter. Apenas justificativas, prerrogativas de suas próprias necessidades. Para não impedirem seus próprios sonhos me privam da chance de aprender a sonhar. E, ao me enterrarem, ficarei frio e sozinho no passado, pois nem tive um nome para que pudessem se lembrar.

30 de abril de 2008

santa peleia

A alma dança

Ao sentir sua esperança

Doces e suaves lembranças

Encouraçadas sob lanças

O sangue guerreia

Frente ao descaso que rodeia

Não perderás uma gota das veias

Honrada e sacra peleia

O espírito vence

Sobre o algoz que treme

Bem alta a guerra geme

Mesmo morto, perene

29 de abril de 2008

Furazóio

Hoje acordei meio indisposto, lavei o rosto, deitei novamente e dali a um pouco levantei, como uma sensação incrível de que mesmo de pé ainda dormia. Esse sono eternamente forçado dos olhos que não querem estar acordados. De repente algo no rádio: ”wake up!”. Meu corpo responde: “for what?”. Seria realmente bom se nada pudesse ser visto mais, um mundo de uma cegueira cansada de um stress estrábico. Sim existem coisas lindas, mas anjos caindo do céu assistidos quase em “real time”, doces vidas azedadas por décadas , filhos de ejaculação precoce eliminados num genocídio silencioso como a falta de visão. “For what?”. Mais tarde, deitei, agora eternamente. Não preciso enxergar mais nada. Das belezas tenho saudades porém, todas as maldades, meus olhos sabem de cor.

28 de abril de 2008

Pague o quanto puder

Alto ou baixo, imperceptível ou descarado, intencional ou não. Todos têm seu preço e, certamente, se venderá algum dia, ou se vendeu por todos os seus dias. Apesar de a negação ser inerente em todo homem, mesmo com discursos íntegros, éticos e politicamente corretos, a existência de um preço é certa, talvez mais certa que própria morte.

Quanto mais baixa a classe social, mais barato o valor atribuído ao código de barras biológico desse homem quase sempre simples e necessitado, que se vende sem nem mesmo perceber. E, quanto mais elevada à posição dentro da sociedade, maiores são as chances de valorização do preço individual e coletivo. São maiores as ofertas, mais longas as negociações e, inevitavelmente, a mercadoria torna-se mais expansiva, praticamente um artigo de luxo.

Mas não se condene, por ter achado ou não seu preço, mesmo inconscientemente você já foi vendido. Negociamos, diariamente, nossas aspirações sociais, barganhamos nosso profissionalismo, vendemos nossos ideais e, até mesmo, colocamos em “saldão” nossas crenças, nossa religiosidade e nossa cultura. A cada troca de emprego, no vai e vem de dos amores, na busca pela “salvação”. Pagamos, recebemos, trocamos... Enfim, sobrevivemos, comercializando, o que temos como podemos.

O preço seja tangível, monetário, filosófico ou fisiológico, é o produto do recebemos subtraído do que pagamos.

Alguns, poucos, conseguem valorizar esse preço durante a vida. Outros, muitos outros, mendigam. Doam todo seu valor em troca de migalhas, a cada segundo mais escassas. Migalhas que se traduzem em um pedaço de pão ou apenas respeito. Porém esse processo também é um preço, nem legal, nem ilegal, apenas real.

Nem sempre há justiça nessa matemática do valor humano. O que recebemos pode sair muito caro, levando em conta o que cedemos. O ideal persistente no instinto de cada homem é equilibrar essa balança comercial, em alguns casos “a qualquer custo”.

A busca pelo superávit pessoal é, invariavelmente, complicada e, diversas vezes, desleal. Em tempos onde a oferta da mercadoria humana é infinitamente maior que a procura por essa nobre matéria prima fica difícil reconhecer o próprio preço.

Pense e pague o quanto puder para decidir quanto vale seu próprio preço.

Ânsia

Estranhas entranhas

Reviradas sob escadas

Escancaradas, afogadas

Embebidas em bílis

THC, nicotina, purpurina

Cat Show, Catsy, Purina

Estranhas entranhas

Castradas, inférteis

Infiéis, estéreis

Prelúdio do vomito

É a ânsia

Regurgita o ócio

Elimina o estereótipo

Estranhas entranhas

Agora quietas

Eno, sal de frutas, sonrisal

Acalma a azia

Resfria a queimação

Com extrema estranheza

Uma última gorfada

Antes do novo mal estar

Estranhas entranhas

Derramadas aos pés

Não da mais pra segurar

5 de junho de 2007

Incomodado

Incomoda-me não largar o cigarro

A cada trago, a cada fôlego zerado

Incomoda-me mais ainda estar sempre errado

Um desvairado, seria no tempo de minha avó

Alucinado, diriam mamãe e papai

Revoltado, anuncia sem medo o Thiago

Entre outros nomes porra louca

Incomoda-me ser rotulado

A cada dia, a cada novo protesto rachado

Incomoda-me mais ainda ser castrado

Alienado, diriam os mestres desacostumados

Retardado, seria a frase do pensamento massificado

Coitado, declara me superior irritado

Incomoda-me as drogas com que ludibriei

A cada descontentamento, a cada verso rachado

Incomoda-me mais ainda o que pensa de mim

Amado, pensaria naquele momento exato

Equivocado, diria nos dias que seguem sem fim

Iluminado, sentirá ainda antes que apaguem a luz em mim

23 de maio de 2007

fuck you, fuck me, fuck her, fuck him, fuck all

Opa! Beleza?!

Que trampo legal…

Vamos trabalhar juntos?

fuck you

Claro… fica tranquilo

Depois a gente vê comofica

Senta aí....

fuck me

Hahaha! Cês são mesmo bons

Adoro tudo isso

Dá pra ensinar?!

fuck her

Pô não deu…

Acabei esquecendo

Ah veio! Agora cê tem que se virar

fuck him

Ele é mesmo um esnobe

Acha que é fodásico

Mas é bobo, vamu chupar tudo

fuck all

16 de maio de 2007

decifra-me

Confesso, ando meio confuso. Às vezes acho tão previsível meu próprio absurdo. Sem demagogia ou falso niilismo, não to querendo nepotismo no meu pensamento, se ninguém consegue, como posso pretender empregar esse vacilo filosófico. Tenho quase certeza que não credito mais fielmente nessa criação virtual do meu espírito animal. Um anarquismo católico, capitalismo filantrópico ou ainda socialismo neo-liberalista. Terror. Terrorismo individualista ego centrista, talvez chamem assim em um livro de 2027. Por enquando acostumo a ser consultado e depois desprezado, amado e logo odiado, hora sensato, hora alucinado. Dói a máquina que possessa meus gigahertz de futuros visionários pensamentos. Dói o coração que não acompanha o ritmo frenético desse descontentamento. Mas brilha fundo um sorriso de estar certo para ser contrariado.

वहत?

Pare

Siga

Continue

Recue

Adiante

Volte

Estátua

Movimente

Vivo

Morto

Morto

Vivo

Agora explique-me

O que quer de mim?

8 de maio de 2007

sorria

Num dia daqueles

Um velho sem dente

Com muita coisa na mente

Perguntou-me, o que te faz feliz?

Claro que não soube responder

O sucesso, o reconhecimento

As conquistas, os sentimentos

Não disso em satisfazia mais

Vendo-me calado

Apontou-me seu sorriso

Sentindo-me apavorado

Disse, sem o menor pudor

Antes do fim da tarde

Faça esse sorriso brilhar novamente

Pois é lê que comanda seus próprios dentes

Faça da boca dela tua luz

Pois só a janela da alma dela traduz

O que te faz feliz?

Sem mexer os lábios

Indagou novamente à minha mente

Vela contente

Respondi, também sem mexer os dentes

7 de maio de 2007

da princesa moura e do augusto II

Antes do nascer do sol

Após a morte da noite

Em instantes onde não se vive

O choro trincou o céu turvo

Onde viam apenas um parto

Percebi a nova era

Dos cabelos negros

Que nasceram longos

Do corpo frágil

Uma futura mulher

A luz cegou olhos

O som alucinou ouvidos

E o perfume ressuscitou meu coração

Para os mouros a futura rainha

Para o augusto a estrela guia

Buscará por ela um novo caminho

Perceberá na princesa moura

O amor, o carinho

4 de maio de 2007

do augusto e da princesa moura I

Eram negras as ondas dos cabelos

Como negros foram outrora meus anseios

Firmes e fortes os olhos e os dedos

Certamente, um dia, também não tive medo

Ecoava o nome em meu peito

Brilhava latente o sorriso em minha mãe

O que faria eu, se não admirar

O que mais pudera eu, se não apaixonar

De terras distantes da minha mente divagante

Uma princesa moura, negra de olhos e pele

A quem dedico meu amar

24 de abril de 2007

Giro ou cíclico

Invariavelmente as variáveis vão contra as estáveis

E eu que nunca gostei de conforto

Amo este tempo louco

Nunca quis saber do amanhã

Faço sempre como se fosse a última vez

Meu último verso

Meu último amor

Meu último rabisco

Uma última imagem

Pra rasgar essa paz cheia de dor

E do último grito

Um novo ardor

Variando de som o silêncio ensurdecedor

Faço de novo, e mais uma vez se precisar

Quem não acredita pode apostar

Quem acredita é esperar

Contra todas as estáveis

Síndromes de incapacidade

Imolo minha vida

Sacrifico meu furor

Talvez não mudarei o mundo

Mas o mundo girará instável

Pelas velhas veias deste sonhador

18 de abril de 2007

repressão não declarada

Quando gritei você estava lá para silenciar

Protestei e você de pronto a censurar

Lutei contra e mandou encarcerar

Fugi, sua irá foi caçar

E seu morrer?

Será que no inferno vou ver você?

Desigualdade que persegue

Inconformação, exclusão

Toda vez que tentar mudar

Estará lá para dizer não

Aceite suas correntes e tranque a mente

Mas você sabe

Minha chance de ganhar

Minha chance de parar

Nenhuma

Minha mente imunda vai sempre desafiar

16 de abril de 2007

as vezes é bom desistir

Quando eu tinha certeza

Vocês me fizeram desacreditar

Agora que esqueci

Querem que eu volte a lutar

O pior de mim vem quando deixo de acreditar

Não me procurem mais

Deixem que o tempo soterre minha pobre filosofia

Não sou poeta, nem pensador

Não sou artista, nem cantor

Nem líder, nem orador

Sua revolução pessoal

Não precisa do meu sangue emocional

Preocupem-se em ganhar todo aquele dinheiro

Abro caminho pra vocês

Não quero meu pedaço

Nem acredito mais no que fiz ou no que faço

suicido autoral

Tec, tec, tec

Os estalos do teclado

Parecem os cliques falhos desse gatilho

Adiando o fim da roleta

Adiando o fim da vida que anda russa

Todos esses caminhos levam ao fim

Mal letrado, mal fundamentado

Mal explicado, mal pensado

Achei que não iria voltar

Aqui estou

Digitando arrastado

Meu pensamento nublado

Esperando que o tec-tec faça bum

Rezando por um fim

Numa tarde quente

O vírus me alcança de repente

Talvez amanhã um descanso para o corpo

Mas o tec-tec ainda estará na mente

Esperando, esperando

O bum que pare o ranger dos dentes

?

Sempre tive dúvidas de quem sou

Alias acho que sou a própria dúvida

Duvida?

Nunca duvide de mim

Duvido que não possa desafiar

Quem não possa fazer você acreditar

Na minha própria dúvida

A dúvida de quem duvida

De que ninguém duvide

Que sou sós dúvidas

Que a grande dúvida

A dúvida de toda essa geração

Diz respeito a mim

Dúvida, dúvida, duvida?

Duvidas sem fim

7 de março de 2007

De novo o que não consigo esquecer

Da infância poucas lembranças

Quase sempre desesperanças

E uma amarga grande questão

Porque não eu?

Porque você e não eu?

A morte que chegou fria

Deixou a vida ainda mais sofrida

Não que não pudesse entender

Só não queria acreditar

Sabia que como você

Ninguém mais iria me amar

Não era pelo sangue

Nem pela imaginação infame

Amava por ser eu teu

Pelo teu ser meu

E desde então

O que eu já esperava

Desilusão

Nunca mais cavalo baio

Nem o pé na terra com enxada na mão

Sem cigarro de palha

Morreu também o Passarinho e o Maquinista

Onde estará o Zé, camarada

O Herói o Balão

Burocraticamente continuo vivendo

Cumprindo etapas de lamento

Esperando que encontre de novo

No alto da ponte alta

O meu pedaço que falta

Depois de lá também serei Quincas

E feliz sem mais nenhum copo de pinga

15 de fevereiro de 2007

Free Hugs Mann

Anestesiado e intubado procuro um grito que me tire desse como social. Se um dia saldei Zapata, Zumbi, Che, Sandino e Lampião, saldo hoje o abraço puro desse irmão. Hey “mann”! Abraço-te, onde esteja, como meu coração.

Tons pastéis

Lamentos negros

Sofrimentos brancos

A morte amarela

O seco sangue vermelho

Etnia que riam com hipocrisia

Raça que não tem graça

Escala social

Instinto animal

Mundo canibal

E ainda existe um homem

Que julga-se imortal

Todos já morremos

Enquanto cremos

Que o bom já não vence o mau

Lados, pares e quadrados

Do verso eu quero o verso

Da palavra o anverso

Do lado A o lado B

De você o que ninguém vê

Da voz eu quero o silêncio

Do pensamento quero o som

De você uma palavra que faça valer

Do tempo eu quero cada segundo

Das horas um lapso surdo

De você apenas um sussurro

Do nobre eu quero o vagabundo

Da pausa o gira mundo

De você quero tudo

14 de fevereiro de 2007

argh! (ou hélio, aurélio, cemitério)

O que faço aqui sem meu black tie?

Aliás, o que faço aqui?

Não fui convidado para o jantar

Entrei pela porta dos fundos

Mas já estou de saída

Deixo para trás a hipocrisia burguesa

Só não consigo deixar o que vi sobre a mesa

Como prato principal

Da elite no país do carnaval

Um prato visceral

Braços, dedos e outros pedaços

De uma infeliz criança

Triturada pela indiferença

Temperada pela desigualdade

Enquanto mais uma mãe chora lá fora

Comemora a sociedade neonazista, ou neoliberalista

Apreciam o prato

Trazido pelo pato

Criado em seus quintais marginais

Destinados a quem não sobrevive

A lei de quem pode mais

Comam cadáveres

Arrotem flores

Em passeadas cheias de esperança pela paz

Vou-me embora

Não carrego o preto e branco do black tie

Vim nu e só

A ausência total representa meus ideais

Demonstra minha esperança

Diz o que acho dessa sua paz

8 de fevereiro de 2007

Transmutação

Transmutação

Matem-me, já não preciso viver

Tenho certeza de quando for

Lembraram de mim pelo amor

Incondicional, imutável

Por ti, por ela, por eles, por todos

Olhem para cima

Encontraram algo que mudará suas vidas

Olhem para o lado, olhem além

Percam o foco

Encontrem o que encontrei

Além da minha dor

Um motivo, um sopro

Se não posso mudar o mundo

Mudarei a mim mesmo

Quem sabe assim contagie a todos

Mudemos juntos

Pela força arrebatadora do amor

Assim seremos lembrados

Em cada gentileza

Para sempre

Em todos os abraços

Em qualquer beijo

No mais puro olhar

De seres dispostos a amar

30 de janeiro de 2007

Oriundo de uma terra infértil e distante, localizada na mais profunda escuridão da consciência, está o ódio. Sentimento despertado pela insensatez e o descontrole, amarga quem sente e a quem é direcionado. Alguns preferem ignorá-lo, outros fazem dele combustível, e alguns, justificativa. Eu tento encará-lo, aceita-lo e, talvez, combatê-lo, pois, já que não me sinto do direito de alimentá-lo, escolho o contra ataque, quase sempre mal sucedido. Mas é preciso tentar. Evitar odiar, evitar que cresça no mundo a incompreensão dos erros. Mesmo perto continuo tentando porque, como eu, alguns outros tiveram esse sonho. O sonho da tolerância, entre as raças, entre as religiões, entre simples mortais. Sempre darei a outra face, em meu protesto pacífico, para que a humanidade perca o caminho da cidade encravada nas profundezas da primitividade, a cidade perdida onde habita o ódio. E Jesus disse: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

29 de janeiro de 2007

do absurdo

O grande senhor de porra nenhuma

De palavras belas, mas imundas

Absurdos e mais absurdos

Construídos em poemas sujos

Mal escritos, mal estruturados

Uma afronta a leis da gramática

Um grito de liberdade surdo

Para ninguém ver, para ser perdido

Sonhe com multidões se deslocando

E ganhe a inércia da expectativa

Tantos pensamentos só levam a um lugar

O anonimato desses pensamentos evolucionários

O senhor de porra nenhuma

Do castelo de idéias que desmorona

Quando a onda de realidade

Bate na areia desse pensamento absurdo

Quando o vento da hipocrisia

Sopra para longe a as folhas de ideologia

Sou eu o senhor de porra nenhuma

O senhor da poesia e do absurdo

Sou eu, indicado por deus

O poeta do absurdo

espera

Inconsciente olho para os lados

Espero um novo arrepio

Que percorra toa minha espinha

Tire-me do sério

Deixe-me cego

Faça-me suspirar

A noite vai longe

E entre calafrios

Ainda espero

Esse novo de sopro

Que faça germinar

Rosas nesse jardim de espinhos

Ainda espero

Mas sei onde encontrar

Ainda espero

Já não preciso procurar

Só preciso paciência

Nos ventos de amanhã

O que espero vai chegar

28 de janeiro de 2007

dúvida, duvida?

É tanta informação

E quanta indagação

O que vai ser?

Para quem vai ser?

Com quem vai ser?

Onde vai ser?

Porque vai ser?

Chega!

Não quero mais pensar

Prefiro deixar acontecer

No tempo certo

No rumo certo

Cada resposta

A gente vai entender

26 de janeiro de 2007

hora do lunch

Sol a pino

Cerveja sorrindo

Um copo ou dois

Este já é o quinto

Saudade de tudo isso

Colegas de verdade

Cerveja à vontade

Infelizmente tenho que voltar

Trabalhar para viver

Viver para trabalhar

Não sei a verdadeira ordem

Mas preciso voltar

Antes, acenda um cigarro

Precisamos comemorar

E nada melhor que a fumaça

Da incoerência

Para levar nossos pensamentos

A distancia que nos separa

Nem 50 metros

É incapaz de destruir

Esse inerente afeto

Somos tão diferentes

E tão iguais

Antes do último copo nem sabia por quê

Ma s agora entendo

Preciso voltar

Mas antes tenho que dizer

Amigos, até mais

25 de janeiro de 2007

epidemia de cura

Repito aos quatro ventos

Quanto difíceis são meus movimentos

Calcular, programar, aplicar

Não faz parte de mim esse estratagema

A perspicácia de antecipar

Logo só me resta arriscar

Jogar no lado lúdico da vida

E quando perco

Litros de álcool para a assepsia das feridas

Queimo com a ponta do cigarro

As que teimam em não coagular

Mas já virou gangrena

A dificuldade que tenho

Em não mais errar

Com mais uma baforada de fumaça

E a dor aguda da feriada queimada

Juro pensar antes de falar

Planejar antes de agir

Mas quanto grito ao quinto vento

Injurias sobre mim mesmo

Já começo de novo

A soltar meu pensamento

E rápido como o sexto vento

Que só para mim faz sentido

A mente faz o corpo borbulhar

E junto com desafios

Espero novas feridas

Que marcam de fundas cicatrizes minha vida

Algumas vermelhas quelóides

Outras riscos claros

De coisas que nem lembro mais

24 de janeiro de 2007

vantagens e desvantagens

Esquisito

Perdido

Incompreendido

Maldito

Vendido

Bandido

Tantos adjetivos

Para um menino

Foda

Rápida

Inconsciente

Pertinente

Inconstante

Arrepiante

Tantas qualidades

Para mente do menino

Ordinária

Involuntária

Volátil

Irresponsável

Boemia

Poética

Tantos nomes

Para vida do menino

Intenso

Lindo

Embrionário

Instigante

Profético

Súbito

Tantos fins

Para o último suspiro do menino

23 de janeiro de 2007

castigo (ou dois lados da mesma moeda)

Meu castigo é ser eu mesmo

Olhar no espelho

Ver os mesmo olhos de sempre

O mel quente de abelhas operárias

Falar com a constante voz surda

Escutar o eterno questionamento

Andar sempre sobre estradas turvas

Sentar sobre a alma e derramar lágrimas

Inconformidade

O castigo de ser eu mesmo

Não sonhar solitário

Idealizar o coletivo

Levantar a cabeça

Mesmo incompreendido

Meus castigo

Para vocês, talvez, alívio

19 de janeiro de 2007

Minha pequena revolução

Procuro uma pequena revolução

Onde possa lutar

Que as armas cuspam palavras

Rajadas de idéias

Vôos rasantes

Sobre corpos inertes no campo

Levantem-se todos da ignorância

Sigam um grande capitão

Oh! Capitão

Meu grande capitão

Lidere minha pequena revolução

Cuspindo balas de verbos em carne

Proferindo bombas filosóficas

Levante dos mortos

Grandes soldados

Que liderem batalhas

E vençam a imensa guerra

Da minha pequena revolução

Kamikaze

A loucura me partiu ao meio

Nem a fumaça do cigarro

Acalma meus anseios

Náuseas com todo esse cheiro

Mudança, novidade

Inércia, antiguidade

Confesso tenho medo

Essa dor toda

Da angustia no peito

O que será?

Como será?

Quando será?

O engolir frenético da fumaça

Um câncer

Para curar outro câncer

Confesso que tento

Mas ainda não consigo

Viver a totalidade

As conquistas

Derrotas

Empates

Confesso o desespero

A batalha é real

Minhas armas fantásticas

Mais sonho do que vivo

Confesso o pecado

A ânsia

A vontade

Falta de controle

Uma grande viagem

Morrer a cada segundo

Buscar imortalidade

Confesso: quero descer

17 de janeiro de 2007

o tempo e o vento

Corro com o vento procurando o tempo que me escapou. Corro e perco tempo correndo contra o vento, buscando outros tempos, tempos que já não existem mais. Não há mais tempo, tudo arrastado pelo senhor do vento, o senhor das horas e dos segundos, que faz tudo rolar. Enquanto rolam as pedras, passam novos e velhos tempos, e eu ainda à buscar a compreensão do tempo.Como vento o tempo não pode parar, como vento ao tempo não posso dominar. Busco o tempo que perdi e perco, para o vento, o tempo que fico a procurar em desalento.

15 de janeiro de 2007

Coragem

O que falta sempre é coragem. Coragem de dizer não, de dizer sim, de querer, de não querer. Falta coragem a todos de amar incondicionalmente, de tentar até o último suspiro. Falta a todos a insana vontade de lutar contra o moinho que nunca vai girar ao sabor do seu próprio vento. Mas com coragem ele pode girar em sentido anti-horário e destruir o dragão da covardia que consome nosso tempo. Nos consome em dúvidas e receios, nos consome em medo, medo mudar, de começar de novo, de assumir os erros. Para todos, coragem, muita coragem. Sintam-se corajosos, movam-se contra o vento, não ao sabor das ondas dessa massa de ar morno, paira inconscientemente na estúpida sensação de conformismo. Tenham coragem para quebrar o protocolo da vida moderna – dinheiro e estabilidade. Arrisquem dar bom dia, dizer te amo, abraçar e beijar todo ser vivo. Arrisquem-se a viver. O vento nunca vai para de soprar, mas o sopro da coragem é mais forte. Tenham coragem, a mais plena e pura coragem.

14 de janeiro de 2007

Pedaços

Fragmentado

Esquartejado

Meus pedaços espalhados

Um em cada lugar

Mas não sei em qual

Juntar

Colar

Depois que achar

Emendas serão muitas

Grandes cicatrizes

Profundas

Serei inteiro novamente

Costurado mas completo

Reformulado

Cada pedaço em seu lugar

11 de janeiro de 2007

experience

Anjos e demônios

Cobras e lagartos

Deuses e mortais

Pássaros florescentes

Flores voláteis

Mentes insanas

Lembranças humanas

Que noite estranha

Que sonho louco

E você não estava lá

Não mais

Nem na hora do medo

Nem no minuto do riso

Será que algum dia esteve?

Alguém já esteve?

Sozinho com o pé no fogo

Queimo-me no jogo

Cartas marcadas

Que só um sabe o final

Não sei quem sabe

Nem sei se sei

Continuo

Tentando

Salve!

10 de janeiro de 2007

paz

O sol insiste em acordar-me desse sonho bom. Os raios fracos, mas quentes, chamam para rotina, enquanto o vento diz que por hoje acabou. Até a próxima noite, até o próximo o sonho bom, até as próximas horas. Contarei cada segundo que falta para brincar feliz nesse sono profundo que conforta. E nesses segundos a palavra recorrente em meus pensamentos votará a gritar alto e pedir para essa paz: fica, só mais essa noite, fica.

8 de janeiro de 2007

Mais nada

Quando a alma toca o sorriso

E a boca fala ao coração

Não nos resta mais nada

A euforia toma conta da solidão

O mau se perde em bondade

Não nos resta mais nada

O sopro se torna tempestade de verão

A gota dilúvio de emoção

Não nos resta mais nada

O homem em deus

E deus o homem

Não nos resta mais nada

Aceitar

Acolher

Não nos resta mais nada

Vivos

Para sempre

Manifesto

Acorde para ver o sol

Desperte para não chorar

Abra os olhos para ver o céu

Levante-se para brilhar

No escuro faça-se a luz

Na ignorância, lucidez

Consciência, na embriaguez

Acorde para me ver chegar

Desperte para o que vou falar

Abra os olhos, uma nova visão

Levante-se, dê-me a mão

Somos poucos, somos loucos

Os outros

A re-evolução

5 de janeiro de 2007

Ciranda

Inconscientemente eu aspiro esse aroma psicotrópico do dia em que deixei de sofrer. Anestesiado só enxergo à frente, numa alucinação digna do ópio, mas consistente como as letras. Sei que não poderei viver desse “barato”, e que toda noite terei momentos da caretice reacionária, mas esse ópio da paz é bom para esquecer. Esquecer para lembrar. Lembrar para continuar. Continuar porque estou vivo e quem vive não pode parar. Lúcidos ou chapados todos temos que continuar. E quando chegar à total lucidez procurarei de novo sentimentos lisérgicos, pois adoro ver o mundo à rodar. Uma ciranda lunática na beira do mar, cantando para amar, dançando para Iemanjá.

4 de janeiro de 2007

Negro (ou mel de boddah)

As negras esferas rolam

Desviam-se pra longe

Fogem?

Em meio ao mar negro

Com ondas sinuosas

Esferas de mel se perdem

Procurando as negras

Que perdem o brilho

Rolam incessantes

Para todos os lados

Mas não buscam o mel

Fogem?

Perdem-se?

No brilho dos dentes serrados

O mel se derrama

Encontrem-se

Tornem-se

Novamente

O negro mel

O doce mel negro

3 de janeiro de 2007

Inferno

Bem que disseram que era aqui

Demônios sempre rondam

Mentiras, verdades

Enxergo nos olhos

Espero que enxergue no meu

O que tenho não é ódio

Não combina o inferno

Deixe-me ir

Liberte nossas almas

Podemos achar o céu

Mas meu céu não é esse inferno

Não mereço arder

Esse fogo não precisa cuspir

Nem em mim, nem em você

Preciso voar

Sem seu peso em minhas asas

O fim não precisa ser aqui

Pode ser o começo

Pode ser o lado bom

Do lado ruim

Esse fogo não precisa cuspir

Não precisa queimar

Não irá arder

Basta querer

2 de janeiro de 2007

Estrada

Hoje saio com os primeiros raios de sol, assim espero, ou com as primeiras gotas de chuva. Sinto-me meio como aquele poeta, do qual gosto tanto. Guardadas as devidas proporções, entendo hoje toda sua falta de rumo, e se não tenho toda aquela coragem pintada em azul e branco, tenho a mancha vermelha viva que pulsa no meio do peito. No pulsar do pistão do motor da única coisa que me restou vejo a euforia da solidão, olho para o caos da construção onde estou e percebo o vazio habitado por saudades, esperança, uma barata e algumas formigas. A fumaça e o atrito das rodas deve deixar pra trás tudo que não quero lembrar, e o que não quero pensar. No ciclo da circunferência de 22 polegadas deve ficar também as horas e minutos que restam dessa marcação mundana chamada ano. Depois disso, voltar. O poeta de qual falei parece nunca pensar nesse voltar, talvez seja essa nossa diferença. Nossa igualdade está na penetrante vontade de ir. Sem rumo, ou com objetivos camuflados em uma aparente falta de lucidez. Beberei daqui a algum tempo a um novo ano, beberei a esse poeta, beberei também aos outros que são ou não poetas, beberei a volta. No último gole do etílico, que beberei entre a fusão do novo e do velho tempo, beberei procurando respostas. Após, curado o corpo do choque temporal, novamente sobre os aros e estruturas móveis de metal, de volta a doce e empoeirada estrada, virei rápido buscar a paz azul e branca que os versos do poeta prometeram ao meu pulsar vermelho.

Santa trindade

Boddah senta feliz

Perde-se nos cabelos

Cabelos longos e negros

Belos Cabelos

Brilhosos e intensos

Cabelos de mãe d’água

Sinto falta de Boddah

Voltarei a vê-lo

Deixei que fosse

Agora tenho medo

Espero que Boddah volte

Ainda montando os cabelos

Compridos e negros

Belos e verdadeiros

Cabelos de mãe d’água

Sereia inexistente

Perdida em meus devaneios

Eu, a sereia e Boddah

Idealizador, criador e criatura

Sem uma ordem real

Apenas espero que voltem

Todos os três

Uma nova e santa trindade

Carmem 10114919

Cinco minutos para um novo ano. Sento aqui com um cara foda, só nós dois, como sempre preferimos nos isolar do mundo. Falamos de tudo q aconteceu nos últimos trezentos e muitos dias, conto tudo, tudo que estou sentindo, ele faz o mesmo. Não comentamos nada, apenas escutamos um ao outro. Esse silêncio nos diz como estamos, vazios, esperando que um novo mundo nasça. Ambos esperamos por Carmem, cada um a sua doce e, ainda, inexistente, Carmem. Onde está Carmem? Leio novamente Cuenca e por mais que procure nas teclas do PC, nos números do celular, não consigo achar Carmem. Onde está Carmem? Preciso de Carmem.

28 de dezembro de 2006

De novo

Saca só

Só o pó

Acabou

Começa de novo

De novo

E de novo

O novo ciclo

Cíclico

Desce redondo

No verão

Só ná ná ná

Espero a volta

Pra começar

Recomeçar

De novo

E de novo

No novo ano

Mais velho, eu

Sinto-me outro

Novo

De novo

E de novo

Banquete

Hoje meu café da manhã foi um corpo

Resto da alma que ingeri ontem no jantar

Alimentação pesada, cheia de proteínas

Dessas calorias que te fazem pensar

Carboidratos do sonho, doce sonho

No almoço preciso de novo, do corpo e da alma

A tarde mais uma vez, e assim sempre

Alimento-me da alma que ingeriu minha alma

27 de dezembro de 2006

Prece

Fique imóvel
Ajoelhe-se
Sinta seu coração falar
Escute, abra os ouvidos
Ele diz alto
Você pode escutar?
Tente com vontade
Ouça...

Não vá

Despedida, chantagem ou desejo?

Mãos atadas

Garganta cerrada

Pernas imóveis

Queria dizer, espernear

Gritar, segurar

Mas vegeto

E contento em olhar

Não me acho digno

Nem de perguntar

Só posso esperar

26 de dezembro de 2006

Vício

Preciso parar de fumar. A cada trago diminui o pulmão e aumenta o pensamento. Doem, os dois. A cabeça que pensa e o corpo que trabalha. Vou escrever até morrer, sangrar os dedos e deixar correr. A cada verso mal feito, a cada texto disléxico, a cada troca de letras, sinto-me mais perto. Não sei se perto da razão ou da loucura, mas sinto-me mais perto. Espero que perto do fim, porque depois do fim sempre tem um começo, uma nova sessão. Continuo então a escrever, esperando que as unhas rachem e que o pensamento canse. Esperando dormir e acordar em um novo lugar, onde continue a escrever, mas onde os dedos não sangrem mais, onde o corpo não peça mais nicotina nem álcool. Longe, um lugar que não existe, mas que já posso ver. Apago o cigarro, depois do último trago. Preciso parar de fumar, preciso parar de escrever. Não posso. É um vício tão grande quanto viver.

Vou pelos sete mares

Mesmo sem saber nadar

Vou me deixar afogar nas mãos de Netuno

E que ele me guie

Por entre sereias e serpentes

Quando o fundo chegar

Mais escuro que o mais intenso eclipse

Vou encontrar a pérola

Forjada com a última lagrima da minha vida

25 de dezembro de 2006

Resposta

Um vácuo temporal entre o hoje e a amanhã, essa é minha vida. Procurando em cigarros e copos descartáveis respostas que vão da máxima de onde viemos, até a questões banais como o porque a cadeira tem esse nome. Evito sempre o sono, apagar para mim parece perda de tempo, as melhores repostas costumam vir da embriaguez causada pela o principio ativo da insônia. E na última noite, especial para muita gente que conheço, consegui mais uma brilhante resposta. Você sobe qual é?

22 de dezembro de 2006

Boddah ( ou o gnomo do cabelo)

Ele mora lá

Em meio aos caracóis

Mora só

Mas está bem acompanhado

Está aí pode acreditar

Você não percebeu?

O sonho dele?

Que nele você possa acreditar

Os ossos (ou os restos)

Mesmo vazio o espaço guarda restos, restos não sei bem de que, restos que apodrecem e, muitas vez, nem enterrados descansam em paz. Deveriam servir de adubo para as novas coisas, seriam a experiência do nosso solo, mas não servem. Na verdade parecem lixo, poluem a alma, a vida. Meus restos, teus restos. Não iremos exumar os corpos que deram origem a esses restos, o que precisamos é abrir a gaveta onde estão depositados os ossos, crema-los, pulverizar suas cinzas sobre o presente, para que no futuro esses restos sejam passado.

21 de dezembro de 2006

Sirva-se

Um novo ano para digerirmos, tomara que juntos. Nossa entrada vem regada à esperança e salpicada de novidade, mais tarde teremos os acompanhamentos: energia, trabalho, amores e, se o “Chefe” permitir, muitas, boas e grandes realizações. O prato principal vira ma hora certa, bem no meio, quando pensarmos que já experimentamos de tudo. Vem cheio de coisas boas como família, amigos e uma merecida pausa após saborearmos tudo isso. Depois de uma bela sobremesa, doce como o calor do nosso verão, estaremos cansados. Aí é hora do café, colocar a conversa em dia, trocar receitas para o próximo encontro e, claro, um grande brinde de feliz ano novo. Será tudo tão rápido, mais uma vez, alguma coisa do cardápio poderá não cair bem, mas no final, na hora do brinde estaremos, se o “Chefe” e “Anfitrião” permitir, todos juntos de novo.

20 de dezembro de 2006

quem sabe faz a hora (não sei esperar acontecer)

Esperei e nunca alcancei

Esperarei mais uma vez, talvez alcance

Espera que agonia, maltrata

Espera tem fim?

Esperando por ele continuo

Espero, esperei e esperarei

Avise-me quando chegar

19 de dezembro de 2006

Culpa (tanto minha quanto sua)

Suicide-se sobre mim

Sua dor já não interessa mais

Deixe correr seu sangue

Não lavarei minhas mãos

Suicidei-se, pois não vou te matar

A dor de um também é do outro

Por isso não aumentarei a minha

Livrando-me da sua

Suicidei-se sob meus olhos

Assumirei a culpa

Porém não será ela

Que facilitará sua fuga

"Quando estamos em estado de raiva e que nos revelamos"

Thiago Machado

Nunca postei nada de outra pessoa, mas na verdade acho que irmãos fragmentos de uma só pessoa separados por um intervalo de tempo.

17 de dezembro de 2006

Terremoto

Dormir tremendo

Acordar tremendo

Amor, desespero

Ódio, paixão

Dor, dor, dor