27 de setembro de 2010
Prato Feito
Plástico horror
Cálido ódio
Plácido amor
Ávido senhor
Devora a ti mesmo
Mesmo que regurgites
Todos os segredos
30 de agosto de 2010
Cronologia
Com cinco acreditava saber tudo, errei.
No dia dos dez pensei ter entendido, confundi.
Aos quinze fiz um rascunho do mundo, rasguei.
Revolução busquei aos vinte, desisti.
Depois dos vinte e cinco, cansado, aceitei.
Quando chegar aos trinta, desapontarei.
Depois, de cinco em cinco, já não existirei.
Pleito
Ainda que tardia
Falsa
Qual corte de água fria
Heresia
Blasfêmica democracia
Freguesia
Faz-se com verbo que politicia
Hipocrisia
Ainda que cardia
Falsa
Qual amor de fantasia
Sentenciado
Cérebro cansado estará
Obstinado
Sangue coalhado escorrerá
Sepultado
Homem acabado ficará
Amedrontado
Espírito fraco seguirá
Realizado
Mundo castrado sorrirá
21 de maio de 2010
especialmente (...)
É nosso amor
Imprudentemente ardente
Essa paixão
Surpreendentemente notável
Esse querer
Certamente inalcançável
Nosso fervor
Brevemente invejável
Eu e você,
Sempre
19 de abril de 2010
31 de março de 2010
censurada
No papel, baseado, aceitável
Na boca, ácido, inimaginável
Verbo conjugado
Em som impublicável
Verbo é dependência
Na medida, coerência
No excesso, retórica
Palavra cantada
Com surdez, censurada
anjos e augustos
Augustos e robustos
Velhos e decrépitos
Augustos são anjos
Robustos meus demônios
Decrépitos, todos, que estão velhos
Dos demônios
Eu, anjo augusto
Dos decrépitos
Velho demônio
Augusto, dos anjos
Velho robusto
Eu, quase decrépito
17 de março de 2010
to be
Deixar para trás meus dias e noites
Perder a vida e nem chegar a morte
Que escape pelos dedos sonhos e realidades
Posso perder o certo e até o duvidoso
Deixar de lado conceitos e preceitos
Perder as horas sem sentir os minutos
Que suma de mim a saúde e o prazer
Só não posso perder você para mim mesmos
Então não deixe escapar o eu de mim
Encontre bem no fundo o que sempre fui
Mostre a mim quem eu ainda sou
Para você, sempre estarei aqui
15 de março de 2010
XXX
noites em claro tentando decifrar seu cheiro
meses, décadas, quiçá séculos, amargando meu desejo
você ira pertubar minha existência com o calor de um só beijo
molhado, suado, sempre acordarei "videando" seus segredos
até o ultimo segundo gritarei calado:
possua-me
21 de dezembro de 2009
Submissão
Você conforta-se
Se já não vibro mais
Entendes como segurança
Meu pensar esvai-se
Tens, então, esperança
Com meus sentidos controlados
Sua felicidade dança
Talvez seja hora de morrer calado
Para prospera nossa aliança
9 de dezembro de 2009
Vísceras
Vermelhas como os tomates
Jogados ao bobo, na corte
Cheirando solidão
O eu desfazendo em putrefação
Mastiguei tais vísceras
Como goma de mascar
Grudadas em sapatos velhos
Aspirando nostalgia
Poluindo o corpo como alergia
Regurgitei minhas vísceras
Gosto raro de leite velho e azia
Deixado pra fora na noite fria
Coalhando esperança
Mente revira em lembrança
7 de dezembro de 2009
Sarjeta
Poeta sem livro
Artista sem tela
Músico sem cantiga
Lenda sem história
Apaixonado sem amada
Espinho sem flor
Criatura sem criador
Sou eu sem eu mesmo
Sou o mesmo que nunca fui eu
Alma sem corpo
Espírito sem encarnação
Só assim sou eu
O que não fui
Nem serei
4 de dezembro de 2009
30 de novembro de 2009
ecos
Grito forte
No qual mora certeza
Já não faz mais parte
Da vida que late
A caravana passou
E ficaste
Esquecido
Em silêncio
No silêncio
Do grito só restou
Sombras
Cópias
O fim
23 de novembro de 2009
Eterno
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você
Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena
Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
Eterno
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você
Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena
Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
Quem?
Calar lembranças que nunca tive, nunca foram minhas.
Traçar memórias desejáveis, mesmo que infundadas.
Inexistir, deixar ser quem você realmente ama.
Ainda que eu mesmo morra de ciúmes
Pelo outro que sempre amará, o outro que não sou eu.
Inexistir será mais fácil assim
Sem perturbações, só seus olhos, como no início
Amando o que parecia ser eu, porém forte, como nunca fui.
11 de novembro de 2009
RT
De uma sociedade ordinária
Falam-me revolução
Praticam retração
Gritos tão surdos
Como árvore morta
Sem ninguém pra ver
Combatem o pensamento livre
Dizendo-se detentores
Do livre pensar
Ecos falsos
De mentes
Livres de pensar
Inertes na arte de reeditar
4 de novembro de 2009
Fim sem começo
Entre o começo do fim
E o fim do começo
Apenas o meio
Está no começo ou no fim
No fim ou no começo
Vivo quintos, quartos e terços
Desse começo sem fim
No começo que acaba de acabar
Ou no fim que começou agora
Segundos, minutos, horas
Sem saber quando começa o fim
E quando acaba o começo?
Sigo em frente em tropeços
Esperando ter fim os erros
E só começo os acertos
Sabe-se lá quando
Saberei se perdi todo meu meio
Esperando começos e fins
Entre vários recomeços
____________________________________
Classificada no VIII Poetas do Vale
http://www.poetasdovale.blogspot.com/
30 de outubro de 2009
Batismo
Ver força
Sobressair sobre fraqueza
Tudo regado a nobreza
Do santo oco
Sem ouro como riqueza
Oxalá permita a luz brilhar
Sob escurecido luar
Com armas de Ogum
Roupas de Iemanjá
Um novo nome
Para vida nova coroar
Cavalo a galope
Mente sem pensamento
Orvalho de corpo ao relento
Do nome antigo nem graças
Nem lamentos
Da nova graça
Infinitos elementos
20 de outubro de 2009
Intervalo
Mais pra nada a vontade
E cessa a obra
Sem dizer nenhuma verdade
Hora a hora
Segue dura a marginalidade
Pros que vem ao toque de esporas
Parece velha a idade
Não entendem porque choras
Nem porque verte a realidade
A morte sobrepõe vidas
Loucura que ataca a faculdade
Quanto gritar ação
Não haverá mais ato
Nem estenda a mão
Foi-se embora as sete vidas do gato
Mente sem rebelião
Pensamento hiato
10 de outubro de 2009
sem encanto
Lembra disso:
Nunca mais pudeste escolher
Bem-me-quer, mal-me-quer
Agora, bem,
Só verás em série de TV
Abra-cadabra
Mágica sim,
Podes ver a alegria desaparecer dia a dia
Plut, plat, zum
Nem você, nem seus sonhos
Não vão a lugar nenhum
Hora do recreio
Agora sim
Um descanso pra essa vida em desespero
6 de outubro de 2009
O dia do absurdo
Senhoras e Senhores
Honorável corja
Bem vindos ao Dia do Absurdo
Absurdamente real
Realmente abominável
Abominávelmente absurdo
Olhei firme para o Dia do Absurdo
Cobras de cem cabeças, ou mais
Palhaços que choram sangue
Sangue puro feito de ki-suco
Bebei do leite dessas bestas do Dia do Absurdo
Cuspo fogo
Escarro pestes
Urino sal de outubro
É só meu todo o Dia do Absurdo
Hoje é real
Meu absurdo abissal
Amanhã é teatro
Será sempre letal, o Dia do Absurdo
Respeitável Público
Tapai os olhos
Há muito já cegos
Antes mesmo do Dia do Absurdo
Senhoras e Senhores
Quebrai os dentes
De tanto ranger
Pois tanto temem esse Dia do Absurdo
Honorável corja
Celebrai
Pois além de mim, só vós
Poderei desfrutar do Dia do Absurdo
5 de outubro de 2009
Véspera
Ficar inerte, deitado
Em sono profundo
Para não ter mais que aceitar
Nem discordar
Nem mesmo argumentar
Eu sonhei com minha morte pro mundo
Minha morte pelo bem do mundo
Relutei mas tive que acordar
No espelho, já cicatrizados
Pontos que em minha máquina de falar
Agora já não posso e não quero expressar
Acordado e confuso
Lembrei-me
Amanhã é feriado
É dia do absurdo
31 de agosto de 2009
cada
Cada um pense o que quiser
Cada qual sabe onde sangra o ventre
Cada pessoa sente
Cada indivíduo entende
Cada dia, cada minuto, cada segundo
Cada um com seu cada um
O meu, tem certeza de que é hora de parar
17 de julho de 2009
Depois que soarem os sinos pela quinta vez
Tudo será minha culpa
E só minha
Sem mais longos suspiros
Nunca olhares desconfiados
Amanhã, a essa mesma hora
Serei apenas eu
Não
Eu, Deus e o que ele me deu
Será com minhas próprias mãos
Que farei rir
Que deixarei chorar
Que tentarei sonhar
Com minhas próprias mãos
Aprenderei, de verdade, a amar
8 de julho de 2009
Vivo, morto. Morto, vivo.
10 de junho de 2009
Concorrente carência
Pois é meu sossego
Teu desespero
Que desça áspera
Garganta a baixo
A água de teu deserto
Cada grão da areia
Uma palavra
Da minha boca apeia
Engole seco
Pois é colírio para os olhos
Teu receio
Que desça quente
Doe esôfago ao estomago
A ânsia de seu castelo
Cada grito mudo
Uma certeza
Da minha mente ascende
28 de maio de 2009
Bricoleur
Será criatividade a alucinação, ou alucinação criatividade
Serei eu o criador, ou penas fui criado
Servirá a mima criação, ou como servo serei criado
Medico ou monstro, monstro e médico
Da galinha o ovo, do ovo a galinha
Sobre qualquer divagação, divago
Mesmo não sendo minha, a noção do produto exato
12 de maio de 2009
Re-educação
Nosso ópio, cevada
O churrasco o grande pão
Nossa própria morte é o circo
Diversão popular na televisão
Salário mínimo
Chibatadas intensas em recessão
Da vida nos resta um padrão
Comer, beber, defecar e morrer
De cabeça baixa
Sob a mira do capitalismo patrão
Sem honra, sem nome, sem opinião
Resta-nos calar
Ante a camuflada repressão
Nem pão nem circo
A opressão
Faz-se comunhão
Sobre independência, saudades e mundo
Um ser errante
Vagabundo
Vagando sem pena
Sem mendo de tomar-me vago
Não sinto saudades
Não quero nada do mundo
Mas sou dependente
Do meu próprio absurdo
8 de maio de 2009
6
Seis
Minutos
Horas
Dias
Meses
Anos
Décadas
Séculos
O tempo que for
Tudo nosso amor irá transpor
A alegria e a dor
No fim
Será tão forte
Como num certo beira-mar
Seis
Segundos
Bastaram para saber
Que seu calor
Far-me-ia delirar
Pelo tempo que for
29 de abril de 2009
Onde está Wilson?
A ilha onde nada há
Cercada de pequenas penínsulas
Ainda mais vazias
Só, no cento
O naufrago, com azia
Morreu de tanto tentar
Descobriu que dói pensar
Dor insuportável
Em meio a ecos
Da própria afasia
O último instante
A descoberta
A morte não traz descanso
Falecer é teatro
Fantasia
Pura hipocrisia
Má digestão
Mesma já quase sem dentes
Digerindo sapos e serpentes
Defecando sobras
Em seu banquete latente
Vou ingerindo grandes nacos
Dessa carne putrefata
Da qual é feita essa sociedade
Canalha como lamina de navalha
Vomitando líricos versos
Meu sonho versus seus ganhos
27 de abril de 2009
pixealizando o impixealizável
Na verdade
Quero mais adjetivos
Fomentar a massa inerte
Gelada e sem vida
Que ocupa a lacuna
Entre olhos e cabelos
Aquilo que já chamei de cérebro
Hoje um HD estéril
Informação é o que não falta
Mas falta combustível
Um verbo como aditivo
Pensar em novos adjetivos
Um HD sem memória
O que já foi cérebro
Hoje é apenas a quebra de um link
Sem conectividade
Nem objetividade
Um sinal ocupado
Para mim mesmo
15 de abril de 2009
6 de abril de 2009
Desalento
Horas inflado, deveras inflamado
É pretexto em qualquer contexto
Manha em cada manhã
O desalento é preguiça majestosa
Em segundos expansível, sempre consumível
É placebo em inexistente doença
Birra em meio à intriga
O desalento é do ego cafuné
Instante do antes, pedante do depois
É mentira em vigília
Desculpa na falta de muleta
O desalento é mesmo rancor
Terror em memória, pavor em busca de glória
É reticências na prosa
Interrogação em meus versos
O desalento até é frescor
Reflexão para quem pensa, oração para alma tensa
É pausa às vezes constante
Indicio de ânimo em cérebro inconformado
O desalento, em toda certeza importante
Ciclo quase incitante, volta errante
É necessário em tom revolucionário
Único e relevante
9 de março de 2009
Nem consolo, nem desabafo
De seu ódio meu motor
Faço do seu sangue combustível
De suas idéias a revolução
Adiável, mais imprescindível
Faço das suas as minhas lágrimas
Do som de seu choro a minha promessa
Rirão agora
Gozarão sobre essas pequenas sobras
Mas ainda verão
A verdade, a compreensão e a razão
São todas nossas
19 de fevereiro de 2009
Prática
Comer os restos de mim mesmo
A fim de ter só para mim
O que durante o dia sempre foi só meu
Pela manhã
Regurgitar os restos embolados
Na esperança de encontrar o eu
Que já não é mais meu, nem eu
De novo o dia
Digerindo como vermes no esterco
O bagaço disforme
Que outrora teve um nome
Nome este que chamaram a mim
20 de janeiro de 2009
mascarado
Massacra os pensamentos
Sob minha alma, soterrados
Seguem antigos sonhos
Abandono gotas de sangue
Em cada canto de mim mesmo
Escuro como óleo
A gangrena to tempo
Sem descanso
Nem um pequeno intervalo
Segue está vida
Que não pedi
Segue essa mágoa
Mesmo quando o corpo sorri
A cada tapa
Ofereço o outro lado
Assim aprendi
Ser escravo de vontades
Serviçal de seu lapso de bondade
Hoje, sempre
O peso massacra
Camuflado de liberdade
Disfarçado em mim
15 de janeiro de 2009
Tenha coração
Todas as outras dicas são boas, são válidas, mas nada melhor do que fazê-las de coração. Assim, às 11h 59min, do dia 31 de dezembro de 2009, sem arrependimentos, agradeceremos juntos, pois amamos, gritamos, choramos, brigamos, crescermos, conquistamos. Sempre com coração. Um belíssimo ano a todos e contem com meu coração!
suicídio e redenção
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
deixar de lado a desesperança da minha vida
hoje vou dormir querendo viver
viver sem essa ferida
viver por essa ferida
resgatar na morte a vida q não em deu saída
1 de dezembro de 2008
Sem título, sem tema, sem lema...
Sob minha cegueira
Por trás de tantos espinhos
O quem sonham entre os dentes
Os homens descontentes
Qual o cheiro presente
No sexo latente
Do que sente vontade o santo espírito
Todo esse tempo onipresente
Espirros e soluços nunca trarão respostas
Nem tão pouco será livre
Submerso nessa busca insólita
O que almeja sua mente sem pudor
Do fracasso
Qual será o odor
Porque respirar
Se sempre o que lhe vem
É a falta de ar
Despertar
Só se for para enfrentar
3 de novembro de 2008
canção de ninar
Sabe deus o que virá
Um anjo cheio de cólera
Ou um lindo diabinho
Que adora canção de ninar
Para Bravura, Grossura é doçura
Para grossura, Bravura é ternura
Mesmo sempre errados
Vão eles para sempre amar
29 de outubro de 2008
Carne crua
Sorrir entre os dentes
Fingir alegria
Vamos às urnas
Eleger como presidente,
O bobo da turma
Vamos acusar Nietzche de heresia
Impelir ao gay a alcunha de doente
Adquirir essa alergia
Erguer renitentes
A voz da prolixa fortuna
Vamos amamentar o caos com azia
Sucumbir ao consumo, veementes
Infligir a sanidade
Ranger das correntes,
Do corpo mole na tumba
Vamos acalentar essa afonia
Implodir sob os emergentes
Admitir o silêncio
Prover contentes
Facadas na carne crua
28 de outubro de 2008
sobre eternidade
A voz do meu coração
Sempre clama pelo seu amor
Mesmo que pareça irrelevante
O poder do meu coração
Moverá o mundo
Para que não sinta dor
E quanto tornar-se entediante
Alimentarei com chamas nosso ardor
Que seja eterno enquanto dure
E dure enquanto eu existir
Pois nada sou
E nada serei
Além de coração
E coração não existe
Sem nosso amor
14 de outubro de 2008
sobre guerreiros espartanos e bestas no limbo
13 de outubro de 2008
má digestão
15 de agosto de 2008
Umbigo
Escuto os sons
Ecoam com lábios fechados
Compreendo a cabeça baixa
Pés juntos e mãos postas
Até mesmo sei
Por que milhos cravados não doem
Por que as ondas na propagam
Depois dos baques duros
Sinto o aperto na boca do estomago
A falta de ar do golpe escuro
Na turva visão posso enxergar
A verdade tão clara
Quase cega
Mas torna-se límpida
Como a promessa
Do silêncio constante
Para que não tenham o prazer
De ver ou ouvir
Meu chorar, meu cantar
Meu viver, meu amar
Nunca sem sentidos
Sempre cheio do meu próprio sentido
13 de agosto de 2008
Com você, como você
Sorria
O sorriso mais forte e sincero
O dia então será iluminado
Só depois me chame
Para que possa acordar de verdade
Deixarei de lado o inverno do meu coração
É sua felicidade
Que faz da minha vida
Um longo e radiante verão
Diante te tanta luz
O que resta é curvar-me
E agradecer a flor dos meus dias
Livra-me
Desta longa noite triste e fria
Onde pesadelos consomem sonhos
Quanto a realidade, bárbara,
Destrói minha poesia
Faz do meu o seu
Como um raio de sol
Esquente minha alegria
1 de agosto de 2008
anverso
E a grande alma do mundo esvai
Mulheres sonham
Homens amam
Meu espírito observa
Além da bruma
Muito além da névoa
A solidão de estar acompanhado
Milhões de palavras
O infinito de atos
Quase nenhum significado
Os olhos se viram
Dentro deste ser
O vazio
Acomodado
Atormentado
Cansado
14 de julho de 2008
7 de julho de 2008
Prólogo
27 de junho de 2008
Posfácio II
Pela falta de esperança
Camuflada em palavras de conforto
Desço do palco
Ideais, pensamentos e sonhos
Silenciosos
Como o aspirar
De um homem morto
Posfácio I
Toda a imaginação e a fábula
Inertes em um rio de lágrimas
Seres fantásticos não sobrevivem
O solo estéril de concreto
Minam sua consciência
Como um amigo imaginário
Ele se vai
Já cresceu, esqueceu a poesia
Deixará de acreditar
20 de junho de 2008
Benzedeira
Com benzina
Cachaça
Charuto
Sangue de galinha
Em cima da encruzilhada
Fazendo sinal da cruz
Ouriçar a caboclada
Com o cavalo,
O pai, a mãe e o filho
Batendo a cabeça
Pra me livrar da crença
De que todo dia
Todo mundo é mau
Valei-me “Seu” Jorge
Ogunhê
Ogum, vencedor de demanda
Ele vem D’Aruanda
Pra salvar filhos
D’Umbanda
19 de junho de 2008
Letrado, cochichado, decorado
Citastes todos os renegados
Do Bill Gates ao Kill Bill, tarantinizado
Amaste os grandes midiáticos
O Bush pai, o filho e seus espíritos, assombrados
Decorastes cada discurso commoditizado
Sem falar Adam, Nietzsche, Freire, Sartre e Che
Cada um, cada fala, em algum momento
Cada um, foi você
Mas de que falas o seu eu?
Se que um dia existiu você
De carne osso vaga
Letrando e discursando o decorado
Sem um só próprio pensamento
Nem cochichando poderá entender
Do que fala um homem libertado
Sentenciar (ou, aqui se faz e se paga)
Sigo botando fé
Na memória
Com história
Na glória
Sem escória
Você quanto reluta
Torna certeza o pesar
Sem memória
Nenhuma história
Jamais glória
Só escória
Se os seus, de dedos apontados
Eu, num coro irado:
Guarde na memória
Jamais sua história
Terá qualquer glória
És do mundo, a própria escória.
16 de maio de 2008
Oração ao fim de tudo
Que os dias passem
E eu possa me calar
A cada segundo
Menus um palpitar
Cego, surdo, mudo
Sem prosa, verso ou resposta
Que o mundo também se cale
E eu possa descansar
Findo todo absurdo
Sem poesia, sem cantar nem encantar
Que vida encerre
Eu possa acabar
Por toda eternidade
Sem sentir, sem pensar
Só resta pesar
Em som oco e fúnebre
Por tentar e tentar e tentar
Que me perdoe
Despeço-me
Cansei de azar
7 de maio de 2008
Cíclica
Acorda, corre, pressa
Muita pressa
Uma hora, duas horas
Pára, limpa o suor
Escorre, junto com idéias
Como sangue pela testa
Recomeça, corre, Pressa
Muita Pressa
Meia noite, uma hora, duas horas
Pára, não valeu de nada
A vontade continua estagnada
Desiste de pensar
Pára
Um dia pára de tentar
Há pessoas que andam
Muitas para nenhum lugar
Outras sonham
É provável Que não venham a alcançar
5 de maio de 2008
Despedida antes de chegar
Em meio a tanto sangue eu percebi que já havia chego minha hora. Pior que morrer é nem ter nascido, já disse uma vez algum espírito livre. A cada pá de terra me vem à lembrança a vida que nem tive, é como se arrepender de algo que nem foi feito. Enquanto discutem sobre o que o quanto eu iria sofrer, sobre meus temores e meus desacertos, esquecessem de mim e da vida que nem vou ter. Apenas justificativas, prerrogativas de suas próprias necessidades. Para não impedirem seus próprios sonhos me privam da chance de aprender a sonhar. E, ao me enterrarem, ficarei frio e sozinho no passado, pois nem tive um nome para que pudessem se lembrar.
30 de abril de 2008
santa peleia
A alma dança
Ao sentir sua esperança
Doces e suaves lembranças
Encouraçadas sob lanças
O sangue guerreia
Frente ao descaso que rodeia
Não perderás uma gota das veias
Honrada e sacra peleia
O espírito vence
Sobre o algoz que treme
Bem alta a guerra geme
Mesmo morto, perene
29 de abril de 2008
Furazóio
Hoje acordei meio indisposto, lavei o rosto, deitei novamente e dali a um pouco levantei, como uma sensação incrível de que mesmo de pé ainda dormia. Esse sono eternamente forçado dos olhos que não querem estar acordados. De repente algo no rádio: ”wake up!”. Meu corpo responde: “for what?”. Seria realmente bom se nada pudesse ser visto mais, um mundo de uma cegueira cansada de um stress estrábico. Sim existem coisas lindas, mas anjos caindo do céu assistidos quase em “real time”, doces vidas azedadas por décadas , filhos de ejaculação precoce eliminados num genocídio silencioso como a falta de visão. “For what?”. Mais tarde, deitei, agora eternamente. Não preciso enxergar mais nada. Das belezas tenho saudades porém, todas as maldades, meus olhos sabem de cor.
28 de abril de 2008
Pague o quanto puder
Alto ou baixo, imperceptível ou descarado, intencional ou não. Todos têm seu preço e, certamente, se venderá algum dia, ou se vendeu por todos os seus dias. Apesar de a negação ser inerente em todo homem, mesmo com discursos íntegros, éticos e politicamente corretos, a existência de um preço é certa, talvez mais certa que própria morte.
Quanto mais baixa a classe social, mais barato o valor atribuído ao código de barras biológico desse homem quase sempre simples e necessitado, que se vende sem nem mesmo perceber. E, quanto mais elevada à posição dentro da sociedade, maiores são as chances de valorização do preço individual e coletivo. São maiores as ofertas, mais longas as negociações e, inevitavelmente, a mercadoria torna-se mais expansiva, praticamente um artigo de luxo.
Mas não se condene, por ter achado ou não seu preço, mesmo inconscientemente você já foi vendido. Negociamos, diariamente, nossas aspirações sociais, barganhamos nosso profissionalismo, vendemos nossos ideais e, até mesmo, colocamos em “saldão” nossas crenças, nossa religiosidade e nossa cultura. A cada troca de emprego, no vai e vem de dos amores, na busca pela “salvação”. Pagamos, recebemos, trocamos... Enfim, sobrevivemos, comercializando, o que temos como podemos.
O preço seja tangível, monetário, filosófico ou fisiológico, é o produto do recebemos subtraído do que pagamos.
Alguns, poucos, conseguem valorizar esse preço durante a vida. Outros, muitos outros, mendigam. Doam todo seu valor em troca de migalhas, a cada segundo mais escassas. Migalhas que se traduzem em um pedaço de pão ou apenas respeito. Porém esse processo também é um preço, nem legal, nem ilegal, apenas real.
Nem sempre há justiça nessa matemática do valor humano. O que recebemos pode sair muito caro, levando em conta o que cedemos. O ideal persistente no instinto de cada homem é equilibrar essa balança comercial, em alguns casos “a qualquer custo”.
A busca pelo superávit pessoal é, invariavelmente, complicada e, diversas vezes, desleal. Em tempos onde a oferta da mercadoria humana é infinitamente maior que a procura por essa nobre matéria prima fica difícil reconhecer o próprio preço.
Pense e pague o quanto puder para decidir quanto vale seu próprio preço.
Ânsia
Estranhas entranhas
Reviradas sob escadas
Escancaradas, afogadas
Embebidas em bílis
THC, nicotina, purpurina
Cat Show, Catsy, Purina
Estranhas entranhas
Castradas, inférteis
Infiéis, estéreis
Prelúdio do vomito
É a ânsia
Regurgita o ócio
Elimina o estereótipo
Estranhas entranhas
Agora quietas
Eno, sal de frutas, sonrisal
Acalma a azia
Resfria a queimação
Com extrema estranheza
Uma última gorfada
Antes do novo mal estar
Estranhas entranhas
Derramadas aos pés
Não da mais pra segurar
5 de junho de 2007
Incomodado
Incomoda-me
A
Incomoda-me
Alucinado, diriam
Revoltado, anuncia
Incomoda-me
A
Incomoda-me
Incomoda-me as
A
Incomoda-me
Equivocado, diria
Iluminado, sentirá
23 de maio de 2007
fuck you, fuck me, fuck her, fuck him, fuck all
Opa! Beleza?!
Que trampo legal…
Vamos trabalhar juntos?
fuck you
Claro… fica tranquilo
Depois a gente vê comofica
Senta aí....
fuck me
Hahaha! Cês são mesmo bons
Adoro tudo isso
Dá pra ensinar?!
fuck her
Pô não deu…
Acabei esquecendo
Ah veio! Agora cê tem que se virar
fuck him
Ele é mesmo um esnobe
Acha que é fodásico
Mas é bobo, vamu chupar tudo
fuck all
16 de maio de 2007
decifra-me
Confesso, ando meio confuso. Às vezes acho tão previsível meu próprio absurdo. Sem demagogia ou falso niilismo, não to querendo nepotismo no meu pensamento, se ninguém consegue, como posso pretender empregar esse vacilo filosófico. Tenho quase certeza que não credito mais fielmente nessa criação virtual do meu espírito animal. Um anarquismo católico, capitalismo filantrópico ou ainda socialismo neo-liberalista. Terror. Terrorismo individualista ego centrista, talvez chamem assim em um livro de 2027. Por enquando acostumo a ser consultado e depois desprezado, amado e logo odiado, hora sensato, hora alucinado. Dói a máquina que possessa meus gigahertz de futuros visionários pensamentos. Dói o coração que não acompanha o ritmo frenético desse descontentamento. Mas brilha fundo um sorriso de estar certo para ser contrariado.
वहत?
Pare
Siga
Continue
Recue
Adiante
Volte
Estátua
Movimente
Vivo
Morto
Morto
Vivo
Agora explique-me
O que quer de mim?
8 de maio de 2007
sorria
Num dia daqueles
Um velho sem dente
Com muita coisa na mente
Perguntou-me, o que te faz feliz?
Claro que não soube responder
O sucesso, o reconhecimento
As conquistas, os sentimentos
Não disso em satisfazia mais
Vendo-me calado
Apontou-me seu sorriso
Sentindo-me apavorado
Disse, sem o menor pudor
Antes do fim da tarde
Faça esse sorriso brilhar novamente
Pois é lê que comanda seus próprios dentes
Faça da boca dela tua luz
Pois só a janela da alma dela traduz
O que te faz feliz?
Sem mexer os lábios
Indagou novamente à minha mente
Vela contente
Respondi, também sem mexer os dentes
7 de maio de 2007
da princesa moura e do augusto II
Antes do nascer do sol
Após a morte da noite
Em instantes onde não se vive
O choro trincou o céu turvo
Onde viam apenas um parto
Percebi a nova era
Dos cabelos negros
Que nasceram longos
Do corpo frágil
Uma futura mulher
A luz cegou olhos
O som alucinou ouvidos
E o perfume ressuscitou meu coração
Para os mouros a futura rainha
Para o augusto a estrela guia
Buscará por ela um novo caminho
Perceberá na princesa moura
O amor, o carinho
4 de maio de 2007
do augusto e da princesa moura I
Eram negras as ondas dos cabelos
Como negros foram outrora meus anseios
Firmes e fortes os olhos e os dedos
Certamente, um dia, também não tive medo
Ecoava o nome em meu peito
Brilhava latente o sorriso em minha mãe
O que faria eu, se não admirar
O que mais pudera eu, se não apaixonar
De terras distantes da minha mente divagante
Uma princesa moura, negra de olhos e pele
A quem dedico meu amar
24 de abril de 2007
Giro ou cíclico
Invariavelmente as
E
Faço
Uma
E do
Variando de
Faço de
Imolo
Sacrifico
Pelas velhas
18 de abril de 2007
repressão não declarada
Quando gritei você estava lá para silenciar
Protestei e você de pronto a censurar
Lutei contra e mandou encarcerar
Fugi, sua irá foi caçar
E seu morrer?
Será que no inferno vou ver você?
Desigualdade que persegue
Inconformação, exclusão
Toda vez que tentar mudar
Estará lá para dizer não
Aceite suas correntes e tranque a mente
Mas você sabe
Minha chance de ganhar
Minha chance de parar
Nenhuma
Minha mente imunda vai sempre desafiar
16 de abril de 2007
as vezes é bom desistir
Quando eu tinha certeza
Vocês me fizeram desacreditar
Agora que esqueci
Querem que eu volte a lutar
O pior de mim vem quando deixo de acreditar
Não me procurem mais
Deixem que o tempo soterre minha pobre filosofia
Não sou poeta, nem pensador
Não sou artista, nem cantor
Nem líder, nem orador
Sua revolução pessoal
Não precisa do meu sangue emocional
Preocupem-se em ganhar todo aquele dinheiro
Abro caminho pra vocês
Não quero meu pedaço
Nem acredito mais no que fiz ou no que faço
suicido autoral
Tec, tec, tec
Os estalos do teclado
Parecem os cliques falhos desse gatilho
Adiando o fim da roleta
Adiando o fim da vida que anda russa
Todos esses caminhos levam ao fim
Mal letrado, mal fundamentado
Mal explicado, mal pensado
Achei que não iria voltar
Aqui estou
Digitando arrastado
Meu pensamento nublado
Esperando que o tec-tec faça bum
Rezando por um fim
Numa tarde quente
O vírus me alcança de repente
Talvez amanhã um descanso para o corpo
Mas o tec-tec ainda estará na mente
Esperando, esperando
O bum que pare o ranger dos dentes
?
Sempre tive dúvidas de quem sou
Alias acho que sou a própria dúvida
Duvida?
Nunca duvide de mim
Duvido que não possa desafiar
Quem não possa fazer você acreditar
Na minha própria dúvida
A dúvida de quem duvida
De que ninguém duvide
Que sou sós dúvidas
Que a grande dúvida
A dúvida de toda essa geração
Diz respeito a mim
Dúvida, dúvida, duvida?
Duvidas sem fim
7 de março de 2007
De novo o que não consigo esquecer
Da infância poucas lembranças
Quase sempre desesperanças
E uma amarga grande questão
Porque não eu?
Porque você e não eu?
A morte que chegou fria
Deixou a vida ainda mais sofrida
Não que não pudesse entender
Só não queria acreditar
Sabia que como você
Ninguém mais iria me amar
Não era pelo sangue
Nem pela imaginação infame
Amava por ser eu teu
Pelo teu ser meu
E desde então
O que eu já esperava
Desilusão
Nunca mais cavalo baio
Nem o pé na terra com enxada na mão
Sem cigarro de palha
Morreu também o Passarinho e o Maquinista
Onde estará o Zé, camarada
O Herói o Balão
Burocraticamente continuo vivendo
Cumprindo etapas de lamento
Esperando que encontre de novo
No alto da ponte alta
O meu pedaço que falta
Depois de lá também serei Quincas
E feliz sem mais nenhum copo de pinga
15 de fevereiro de 2007
Free Hugs Mann
Anestesiado e intubado procuro um grito que me tire desse como social. Se um dia saldei Zapata, Zumbi, Che, Sandino e Lampião, saldo hoje o abraço puro desse irmão. Hey “mann”! Abraço-te, onde esteja, como meu coração.
Tons pastéis
Lamentos negros
Sofrimentos brancos
A morte amarela
O seco sangue vermelho
Etnia que riam com hipocrisia
Raça que não tem graça
Escala social
Instinto animal
Mundo canibal
E ainda existe um homem
Que julga-se imortal
Todos já morremos
Enquanto cremos
Que o bom já não vence o mau
Lados, pares e quadrados
Do verso eu quero o verso
Da palavra o anverso
Do lado A o lado B
De você o que ninguém vê
Da voz eu quero o silêncio
Do pensamento quero o som
De você uma palavra que faça valer
Do tempo eu quero cada segundo
Das horas um lapso surdo
De você apenas um sussurro
Do nobre eu quero o vagabundo
Da pausa o gira mundo
De você quero tudo
14 de fevereiro de 2007
argh! (ou hélio, aurélio, cemitério)
O que faço aqui sem meu black tie?
Aliás, o que faço aqui?
Não fui convidado para o jantar
Entrei pela porta dos fundos
Mas já estou de saída
Deixo para trás a hipocrisia burguesa
Só não consigo deixar o que vi sobre a mesa
Como prato principal
Da elite no país do carnaval
Um prato visceral
Braços, dedos e outros pedaços
De uma infeliz criança
Triturada pela indiferença
Temperada pela desigualdade
Enquanto mais uma mãe chora lá fora
Comemora a sociedade neonazista, ou neoliberalista
Apreciam o prato
Trazido pelo pato
Criado em seus quintais marginais
Destinados a quem não sobrevive
A lei de quem pode mais
Comam cadáveres
Arrotem flores
Em passeadas cheias de esperança pela paz
Vou-me embora
Não carrego o preto e branco do black tie
Vim nu e só
A ausência total representa meus ideais
Demonstra minha esperança
Diz o que acho dessa sua paz
8 de fevereiro de 2007
Transmutação
Transmutação
Matem-me, já não preciso viver
Tenho certeza de quando for
Lembraram de mim pelo amor
Incondicional, imutável
Por ti, por ela, por eles, por todos
Olhem para cima
Encontraram algo que mudará suas vidas
Olhem para o lado, olhem além
Percam o foco
Encontrem o que encontrei
Além da minha dor
Um motivo, um sopro
Se não posso mudar o mundo
Mudarei a mim mesmo
Quem sabe assim contagie a todos
Mudemos juntos
Pela força arrebatadora do amor
Assim seremos lembrados
Em cada gentileza
Para sempre
Em todos os abraços
Em qualquer beijo
No mais puro olhar
De seres dispostos a amar
30 de janeiro de 2007
Oriundo de uma terra infértil e distante, localizada na mais profunda escuridão da consciência, está o ódio. Sentimento despertado pela insensatez e o descontrole, amarga quem sente e a quem é direcionado. Alguns preferem ignorá-lo, outros fazem dele combustível, e alguns, justificativa. Eu tento encará-lo, aceita-lo e, talvez, combatê-lo, pois, já que não me sinto do direito de alimentá-lo, escolho o contra ataque, quase sempre mal sucedido. Mas é preciso tentar. Evitar odiar, evitar que cresça no mundo a incompreensão dos erros. Mesmo perto continuo tentando porque, como eu, alguns outros tiveram esse sonho. O sonho da tolerância, entre as raças, entre as religiões, entre simples mortais. Sempre darei a outra face, em meu protesto pacífico, para que a humanidade perca o caminho da cidade encravada nas profundezas da primitividade, a cidade perdida onde habita o ódio. E Jesus disse: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
29 de janeiro de 2007
do absurdo
O grande senhor de porra nenhuma
De palavras belas, mas imundas
Absurdos e mais absurdos
Construídos em poemas sujos
Mal escritos, mal estruturados
Uma afronta a leis da gramática
Um grito de liberdade surdo
Para ninguém ver, para ser perdido
Sonhe com multidões se deslocando
E ganhe a inércia da expectativa
Tantos pensamentos só levam a um lugar
O anonimato desses pensamentos evolucionários
O senhor de porra nenhuma
Do castelo de idéias que desmorona
Quando a onda de realidade
Bate na areia desse pensamento absurdo
Quando o vento da hipocrisia
Sopra para longe a as folhas de ideologia
Sou eu o senhor de porra nenhuma
O senhor da poesia e do absurdo
Sou eu, indicado por deus
O poeta do absurdo
espera
Inconsciente olho para os lados
Espero um novo arrepio
Que percorra toa minha espinha
Tire-me do sério
Deixe-me cego
Faça-me suspirar
A noite vai longe
E entre calafrios
Ainda espero
Esse novo de sopro
Que faça germinar
Rosas nesse jardim de espinhos
Ainda espero
Mas sei onde encontrar
Ainda espero
Já não preciso procurar
Só preciso paciência
Nos ventos de amanhã
O que espero vai chegar
28 de janeiro de 2007
dúvida, duvida?
É tanta informação
E quanta indagação
O que vai ser?
Para quem vai ser?
Com quem vai ser?
Onde vai ser?
Porque vai ser?
Chega!
Não quero mais pensar
Prefiro deixar acontecer
No tempo certo
No rumo certo
Cada resposta
A gente vai entender
26 de janeiro de 2007
hora do lunch
Sol a pino
Cerveja sorrindo
Um copo ou dois
Este já é o quinto
Saudade de tudo isso
Colegas de verdade
Cerveja à vontade
Infelizmente tenho que voltar
Trabalhar para viver
Viver para trabalhar
Não sei a verdadeira ordem
Mas preciso voltar
Antes, acenda um cigarro
Precisamos comemorar
E nada melhor que a fumaça
Da incoerência
Para levar nossos pensamentos
A distancia que nos separa
Nem
É incapaz de destruir
Esse inerente afeto
Somos tão diferentes
E tão iguais
Antes do último copo nem sabia por quê
Ma s agora entendo
Preciso voltar
Mas antes tenho que dizer
Amigos, até mais
25 de janeiro de 2007
epidemia de cura
Repito aos quatro ventos
Quanto difíceis são meus movimentos
Calcular, programar, aplicar
Não faz parte de mim esse estratagema
A perspicácia de antecipar
Logo só me resta arriscar
Jogar no lado lúdico da vida
E quando perco
Litros de álcool para a assepsia das feridas
Queimo com a ponta do cigarro
As que teimam em não coagular
Mas já virou gangrena
A dificuldade que tenho
Em não mais errar
Com mais uma baforada de fumaça
E a dor aguda da feriada queimada
Juro pensar antes de falar
Planejar antes de agir
Mas quanto grito ao quinto vento
Injurias sobre mim mesmo
Já começo de novo
A soltar meu pensamento
E rápido como o sexto vento
Que só para mim faz sentido
A mente faz o corpo borbulhar
E junto com desafios
Espero novas feridas
Que marcam de fundas cicatrizes minha vida
Algumas vermelhas quelóides
Outras riscos claros
De coisas que nem lembro mais
24 de janeiro de 2007
vantagens e desvantagens
Esquisito
Perdido
Incompreendido
Maldito
Vendido
Bandido
Tantos adjetivos
Para um menino
Foda
Rápida
Inconsciente
Pertinente
Inconstante
Arrepiante
Tantas qualidades
Para mente do menino
Ordinária
Involuntária
Volátil
Irresponsável
Boemia
Poética
Tantos nomes
Para vida do menino
Intenso
Lindo
Embrionário
Instigante
Profético
Súbito
Tantos fins
Para o último suspiro do menino
23 de janeiro de 2007
castigo (ou dois lados da mesma moeda)
Meu castigo é ser eu mesmo
Olhar no espelho
Ver os mesmo olhos de sempre
O mel quente de abelhas operárias
Falar com a constante voz surda
Escutar o eterno questionamento
Andar sempre sobre estradas turvas
Sentar sobre a alma e derramar lágrimas
Inconformidade
O castigo de ser eu mesmo
Não sonhar solitário
Idealizar o coletivo
Levantar a cabeça
Mesmo incompreendido
Meus castigo
Para vocês, talvez, alívio