Trinta anos não lhe bastava, queria a eternidade. Suicidou-se, em mais um trago de maldade.
27 de setembro de 2012
8 de agosto de 2012
Banquete
Com as
pontas sujas dos dedos
Deliciei-me
Com sabores
da infância
Com as mãos
esfoladas e tingidas
Fartei-me
Com aromas
da maturidade
Com alma insípida,
inodora e incolor
Saciarei-me
Com texturas
da velhice
Que assim
seja
6 de julho de 2012
7 de maio de 2012
4 de maio de 2012
Toada
Da infância
Para o mundo
Que não reconheço
Se vão as violas
Depois os terços
Sem passado
Não tem futuro
Nessa tristeza
De novo Jeca
Não mais giramundo
Chora viola
Implora
Para o mundo
Que não reconheço
Se vão as violas
Depois os terços
Sem passado
Não tem futuro
Nessa tristeza
De novo Jeca
Não mais giramundo
Chora viola
Implora
27 de abril de 2012
Mãos Gerais
Eu vim de lá
E lá veio pra cá
Num verso tolo
E um desenho bobo
Se faz Gerais
Por hora também
Pelas minhas mãos
É muito de mim
Pra não dizer quase tudo
De barro
Do som
Da madeira
Do falar absurdo
Se fez em mim
Pelas mãos, Gerais
E lá veio pra cá
Num verso tolo
E um desenho bobo
Se faz Gerais
Por hora também
Pelas minhas mãos
É muito de mim
Pra não dizer quase tudo
De barro
Do som
Da madeira
Do falar absurdo
Se fez em mim
Pelas mãos, Gerais
25 de abril de 2012
Abanheém
Nasci
branco
De alma
negra
E fala tupi
Ai de mim
dizer que não
Sou Mulato
Cafuso e
Mameluco
Sou Cabloco
Flecheiro
Consagrado à
Mãe de Deus
Nasci beato
De mãos pagãs
E fala
laica
Ai de mim não
crer
Sou de
umbanda
Espírita e cristão
Sou fluente
da Luz Universal
Devoto de Cosme
e Damião
24 de abril de 2012
Só ria
Hoje sorria
Sem teus
dentes
Demente
Com toda a
tua razão
Também
ausente
Sorria sem
teus dentes
Tua vontade
eloquente
Como toda
gente
Desgraça
pouca
De ser
vivente
19 de abril de 2012
Éramos nós
Éramos muitos
Cada qual com suas cores
Éramos milhares
Cada um com seu deus
Éramos fortes
Cada amundaba com sua palavra
Éramos diferentes
E mesmo assim iguais
Os herdeiros da floresta
Éramos, não somos mais
Os filhos do Brasil
Agora um indigesto civilizado
Cada qual com suas cores
Éramos milhares
Cada um com seu deus
Éramos fortes
Cada amundaba com sua palavra
Éramos diferentes
E mesmo assim iguais
Os herdeiros da floresta
Éramos, não somos mais
Os filhos do Brasil
Agora um indigesto civilizado
18 de abril de 2012
Tratado sobre (a minha) loucura
Ah, a loucura. Ácida doçura da certeza de que nada é além do seu próprio ser. Nada se cria, mas tudo pode ser criado. De jovens deuses ao velho diabo. O mal é contra-senso do bem, tal qual o fim a verdade do além. O que real é louco, a realidade será sempre o profano. Então, seguimos a verdade, ajoelhados como gado a espreita da salvação. Absolvidos pelo sacrifício da carne, esquecendo do sangue que deu vida a toda a sanidade.
9 de abril de 2012
3 de abril de 2012
Quadrinha
Saudade da Preta
Do fogo de seu candeeiro
Que me rogou feitiço
Para dançar só em seu terreiro
Salve Janaina
Menina Iemanjá
Um só soluço seu
Já me faz amar
Do fogo de seu candeeiro
Que me rogou feitiço
Para dançar só em seu terreiro
Salve Janaina
Menina Iemanjá
Um só soluço seu
Já me faz amar
Errata
Algumas manhãs reservo pra assumir meus erros. Não são poucas as que se estendem pelas tardes, afinal, são tantos erros antes de um acerto.
3 de Abril
Encanta ainda ser criança
Na tranquilidade colorida
Desse jardim no céu
Bolhas esquentam o ar
São sorvetes de doce mel
Química, física, apenas alegria
Inflam a esperança
Em meu tolo coração de papel
Onde nunca quis estar
Mesmo assim,
Volto a sonhar
Na tranquilidade colorida
Desse jardim no céu
Bolhas esquentam o ar
São sorvetes de doce mel
Química, física, apenas alegria
Inflam a esperança
Em meu tolo coração de papel
Onde nunca quis estar
Mesmo assim,
Volto a sonhar
13 de março de 2012
Relembranças
Costumo lembrar do que para outros é pouco importante. O cheiro brando do silêncio ou o gosto cítrico do reencontro. Lembro-me também da novidade estourando como bolhas de gás no céu da boca e da miséria prensando a dignidade tal qual um golpe forte na boca do estomago. Mas o que nunca deixo mesmo de lembrar é o aroma pálido da morte, chocando a todos, para provar que ainda estamos vivos. Quem não se lembra de nada disso, provavelmente, nunca entenderá porque o ruído de um bebê que soluça eternidade ao nascer é tão extasiante.
22 de fevereiro de 2012
Cinzas
Olha a quarta-feira
Tão cinza
Como segunda-feira
Que não termina
Veja o sorriso do palhaço
Tão sem graça
Como a última nota da marchinha
Que não rima
Olha, veja, lá se vai o carnaval
Tão cheio de saudade
Como o lágrima do Pierrot
Que não tem Colombina
Olha só
Veja bem
Só cinzas
Tão cinza
Como segunda-feira
Que não termina
Veja o sorriso do palhaço
Tão sem graça
Como a última nota da marchinha
Que não rima
Olha, veja, lá se vai o carnaval
Tão cheio de saudade
Como o lágrima do Pierrot
Que não tem Colombina
Olha só
Veja bem
Só cinzas
8 de fevereiro de 2012
Tons
Vermelho
Seu sangue, herdeiro
Rubro
Minha terra, agora sua
Grená
De alma livre
Escarlate
De fé sublime
Pitanga
Somos todos nã
Coral
Irmão cari
Seu sangue, herdeiro
Rubro
Minha terra, agora sua
Grená
De alma livre
Escarlate
De fé sublime
Pitanga
Somos todos nã
Coral
Irmão cari
7 de fevereiro de 2012
Mormaço
De repente
Estava quente
Gritou dormente
Sai da frente
Atrás vem gente
Tchibum!
Indigente
Na água latente
O suor descrente
Fez-se descente
Valente
Chuá!
De repente
Estava quente
Na água a semente
Que o calor fermente
Verão veemente
Vapor!
Estava quente
Gritou dormente
Sai da frente
Atrás vem gente
Tchibum!
Indigente
Na água latente
O suor descrente
Fez-se descente
Valente
Chuá!
De repente
Estava quente
Na água a semente
Que o calor fermente
Verão veemente
Vapor!
30 de janeiro de 2012
Amanheceu
Enraizado e envernizado
Aperto play, engatilho o macaco
São dez cordas, bordões desafinados
Canto a discórdia do homem civilizado
Mixando valentia de herói do passado
Sou caipira, pira, pora
Remix de cangaço, oratória do mormaço
Do rap ao roll com sotaque eu descasco
Da toada vem fechada, corte e facada
Madando lero para o povo sonhador
Aperto play, engatilho o macaco
São dez cordas, bordões desafinados
Canto a discórdia do homem civilizado
Mixando valentia de herói do passado
Sou caipira, pira, pora
Remix de cangaço, oratória do mormaço
Do rap ao roll com sotaque eu descasco
Da toada vem fechada, corte e facada
Madando lero para o povo sonhador
20 de janeiro de 2012
Sincretismo
Amém
Axé
Meu Deus
Saravá
Viva Nossa Senhora Aparecida
Salve Mãe Iemanjá
Eu não sou santo
Mas sou caboclo
Toco viola
E danço coco
A pela é branca
De alma negra
Velei-me São Jorge Guerreiro
Beria-Mar auê,
Meu Ogum Vermelho
Graças e louvores
A todo momento
Ao Divino encantamento
Axé
Meu Deus
Saravá
Viva Nossa Senhora Aparecida
Salve Mãe Iemanjá
Eu não sou santo
Mas sou caboclo
Toco viola
E danço coco
A pela é branca
De alma negra
Velei-me São Jorge Guerreiro
Beria-Mar auê,
Meu Ogum Vermelho
Graças e louvores
A todo momento
Ao Divino encantamento
19 de janeiro de 2012
Anos
Desde a pasta de dente
Todo dia é diferente
Mesmo com alguns gritos
Sempre lembro dos sorrisos
Afinal, são eles
Que fazem meu coração latente
Todo dia é diferente
Mesmo com alguns gritos
Sempre lembro dos sorrisos
Afinal, são eles
Que fazem meu coração latente
13 de janeiro de 2012
Prefácio do início do fim
Sim eu também escrevo
É sobre o fim do mundo
Sobre a dor do pé no frevo
Do carnaval ao enterro
Rabisco pra não ficar mudo
Conheça então meu absurdo
É sobre o fim do mundo
Sobre a dor do pé no frevo
Do carnaval ao enterro
Rabisco pra não ficar mudo
Conheça então meu absurdo
Embola
Ouço poesia com cheiro de terra molhada de suor do ouro crioulo. E eu respiro o que parece um rio de mim mesmo. Também sou trovador desse imenso desespero. Salve mestre, salve povo brasileiro.
5 de janeiro de 2012
Espirituosidade
Espirituosidade
Malandragem de malungo
Oxalá abre a porteira
Yo quiero ver o mundo
Sinto falta desse cheiro
Perfume de absurdo
Onde reza a lenda
Do profeta vagabundo
Espirituosidade
Chave mestra do oculto
Saci acende a erva
Quero um trago do ciullo
Abundância de sabor
Gosto forte de calor
Realiza a profecia
Do pobre sonhador
Malandragem de malungo
Oxalá abre a porteira
Yo quiero ver o mundo
Sinto falta desse cheiro
Perfume de absurdo
Onde reza a lenda
Do profeta vagabundo
Espirituosidade
Chave mestra do oculto
Saci acende a erva
Quero um trago do ciullo
Abundância de sabor
Gosto forte de calor
Realiza a profecia
Do pobre sonhador
6 de dezembro de 2011
fake
fico aqui vendo, como é velho seu pensamento
fruto da hipocrisia do seu lamento
tento, juro que tento, mas não entendo
como é falso todo esse seu ornamento
descanse só esse momento
tal quel um azedo fermento
e mostra tota realidade do seu tormento
fruto da hipocrisia do seu lamento
tento, juro que tento, mas não entendo
como é falso todo esse seu ornamento
descanse só esse momento
tal quel um azedo fermento
e mostra tota realidade do seu tormento
16 de novembro de 2011
Apocalipse
Quando heróis nascem mortos
Deus cospe sobre nossos corpos
Não existem vilões, apenas coalizões
Nem demônios, nem anjos... Gabriel
Restam as superstições, Azazel
Deus cospe sobre nossos corpos
Não existem vilões, apenas coalizões
Nem demônios, nem anjos... Gabriel
Restam as superstições, Azazel
8 de novembro de 2011
sim
Um dia, algum tempo atrás
Disseram-me não
Nos dias seguintes
Sucessivamente
Mais e mais nãos
Enfim, outro dia desses
Ela disse um só sim
Nunca mais precisei de nada
Para viver assim
Feliz, até meu fim
Disseram-me não
Nos dias seguintes
Sucessivamente
Mais e mais nãos
Enfim, outro dia desses
Ela disse um só sim
Nunca mais precisei de nada
Para viver assim
Feliz, até meu fim
1 de novembro de 2011
Oração
Dia de todos os santos
Invoco o protetor
Deus, pai e avô
Anjo da guarda e zelador
Da terra o cabloco rezador
Dia do meu único santo
José dos Santos
Quincas, grande peleador
Trava guerras com minha língua
E derrota com amor
Dia do anjo santo
Salve a morte e a redenção
Sigo debaixo da fumaça
De cigarro velho de palha
Forjado de causos, ele que nos valha
Dia do santo anjo do senhor
Sua cultura
Minha carapaça
E a espada
Nossa toada
Invoco o protetor
Deus, pai e avô
Anjo da guarda e zelador
Da terra o cabloco rezador
Dia do meu único santo
José dos Santos
Quincas, grande peleador
Trava guerras com minha língua
E derrota com amor
Dia do anjo santo
Salve a morte e a redenção
Sigo debaixo da fumaça
De cigarro velho de palha
Forjado de causos, ele que nos valha
Dia do santo anjo do senhor
Sua cultura
Minha carapaça
E a espada
Nossa toada
6 de outubro de 2011
outros tempos, outro dia, o mesmo absurdo
O passado é descendente
Desse futuro demente
Um absurdo profano
Da vida ano a ano
As crenças são pedras
Qual rasgos de duras cerdas
O absurdo insano
Da condição de humano
Aos trinta segundos
Dos trinta anos
Há um absurdo rosnando
Do calcanhar ao âmago
O desalento do desprendimento
Dessa vida ao relento
Verdadeiro absurdo
Ainda gritar mesmo mudo
Desse futuro demente
Um absurdo profano
Da vida ano a ano
As crenças são pedras
Qual rasgos de duras cerdas
O absurdo insano
Da condição de humano
Aos trinta segundos
Dos trinta anos
Há um absurdo rosnando
Do calcanhar ao âmago
O desalento do desprendimento
Dessa vida ao relento
Verdadeiro absurdo
Ainda gritar mesmo mudo
18 de maio de 2011
Noite (ou trevas)
Amargo
Um gole de cansaço
Azedo
Como meu cheiro
Catarse do desespero
Afago
Um bocado de solidão
Amarelo
Como meu dedo
Calamidade do medo
Arrocho
Um naco de miséria
Ácido
Como meu asco
Comicidade do zelo
Apago
Um raio de luz
Agudo
Como meu sono
Cúmplice do erro
Um gole de cansaço
Azedo
Como meu cheiro
Catarse do desespero
Afago
Um bocado de solidão
Amarelo
Como meu dedo
Calamidade do medo
Arrocho
Um naco de miséria
Ácido
Como meu asco
Comicidade do zelo
Apago
Um raio de luz
Agudo
Como meu sono
Cúmplice do erro
18 de fevereiro de 2011
"Um ponto nunca é só ponto, é ponte. Passarela que une na espera do que foi, e do que vai vir. O ponto, mesmo o final, é sempre portal. Entre o que foi dito e o que será escrito. Ponto, quase umbral, onde pensamentos esperam buscando o entendimento. Logo, ponto é apenas um ponto. Ponto de encontro, onde decidimos se continuamos. Por bem, ou por mal."
relatividade
Sigo trilhas de suspiros
De olhos bem fechados
O que orienta são sorrisos
No silêncio que grita
Guiam também tons amorosos
Procuro encontrar
Quase sempre perco
Sem desespero, sem pesar
Na luz fraca, cega
Um dia irei achar
Conto todos os segundos
Nunca as horas
Frações de nossos mundos
Nesse milésimo do tempo
Acelero todos os minutos
Percebo a aurora
De peito todo aberto
Enfim, é chegada a hora
Nessa eminência de esgotar-se o tempo
Congelo nosso amor profundo
De olhos bem fechados
O que orienta são sorrisos
No silêncio que grita
Guiam também tons amorosos
Procuro encontrar
Quase sempre perco
Sem desespero, sem pesar
Na luz fraca, cega
Um dia irei achar
Conto todos os segundos
Nunca as horas
Frações de nossos mundos
Nesse milésimo do tempo
Acelero todos os minutos
Percebo a aurora
De peito todo aberto
Enfim, é chegada a hora
Nessa eminência de esgotar-se o tempo
Congelo nosso amor profundo
21 de dezembro de 2010
equações
Não somos todos iguais
E não somos diferentes
Apenas somos
O que somos não tem valor
O valor está no que fingimos ser
E não ser
A soma das mentiras
É resultado do ser.
E não somos diferentes
Apenas somos
O que somos não tem valor
O valor está no que fingimos ser
E não ser
A soma das mentiras
É resultado do ser.
18 de novembro de 2010
do velho, do novo
Do paiol,
Só resta o Souza
Moderno e artificial
O canto agora é oco
Qual viola sem cocho
Da fumaça, da palha
Só o sufoco
O cheiro também é outro
Lembra o ocre
Como gado morto
Do cavalo baio
Resta o branco
Cego como memória
O peito aperta
Como história
Do velho Quincas
Restam os Santos
Sombras pesadas
De passado rasgado
Meu único encanto
Só resta o Souza
Moderno e artificial
O canto agora é oco
Qual viola sem cocho
Da fumaça, da palha
Só o sufoco
O cheiro também é outro
Lembra o ocre
Como gado morto
Do cavalo baio
Resta o branco
Cego como memória
O peito aperta
Como história
Do velho Quincas
Restam os Santos
Sombras pesadas
De passado rasgado
Meu único encanto
21 de outubro de 2010
Distâncias
Enquanto você desliza sobre os trilhos da novidade, desbravando a multidão inconsciente e insipiente. Eu, totalmente consciente e descrente, espero de volta seu amor. Enfio o dedo na minha carne, limitando a dor de estar só. Viajo pelo lápis, pelas teclas e através da fumaça de mais um câncer, caro como esses olhares assustado, que resvalam, suaves como unha de gato, sobre as marcas que escolhi carregar. Esperando respostas que possam-me levar de volta a você. Como uma conquista. Como uma derrota de tudo que julgo ser inerente e inerte na natureza tacanha. Corro por essas últimas horas gladiantes, pesadas como hipocrisia aristocrata, para ver seus olhos de lágrimas, negros e mouros, sorrirem como orgulhosas pérolas negras...
8 de outubro de 2010
toda tua
Tua falta
Tão ausente
Quanto luz na escuridão
Tão notada
Quanto criança assassinada
Tua falta
Já não tão lembrada
Como árvore morta em chapada
Tão esperada
Quanto a certeza do nada
Tua falta
Já não se faz
Como memória esquecida
Tão desapercebida
Quanto a mentira da tua vida
Tão ausente
Quanto luz na escuridão
Tão notada
Quanto criança assassinada
Tua falta
Já não tão lembrada
Como árvore morta em chapada
Tão esperada
Quanto a certeza do nada
Tua falta
Já não se faz
Como memória esquecida
Tão desapercebida
Quanto a mentira da tua vida
6 de outubro de 2010
ouro do bobo
Tolo é o ouro
Que me disse bobo
Esqueceu que o homem é corvo
E freak como pão com ovo
De simples bolo
Fez (no fim do arco-íris)
Grande pote
Com outro ouro
Ouro que não é tolo
É ouro mouro
Escuro e forte
Como couro de touro
Que me disse bobo
Esqueceu que o homem é corvo
E freak como pão com ovo
De simples bolo
Fez (no fim do arco-íris)
Grande pote
Com outro ouro
Ouro que não é tolo
É ouro mouro
Escuro e forte
Como couro de touro
5 de outubro de 2010
esperando o dia do absurdo
o dia veio
parecia que não ia
começou a andar
derepente parou
olhou para frente
para trás
respirou
e continuou
buscando o amanhã
parecia que não ia
começou a andar
derepente parou
olhou para frente
para trás
respirou
e continuou
buscando o amanhã
Data
Semana insana
Derrama lama
Que soterra gana
E desengana a chama
Dia de heresia
Libera hipocrisia
Que alivia a nostalgia
E alimenta a bulimia
Hora tola
Sova a broa
Que cala a boca
E mata o trouxa
Derrama lama
Que soterra gana
E desengana a chama
Dia de heresia
Libera hipocrisia
Que alivia a nostalgia
E alimenta a bulimia
Hora tola
Sova a broa
Que cala a boca
E mata o trouxa
27 de setembro de 2010
Prato Feito
Ácido humor
Plástico horror
Cálido ódio
Plácido amor
Ávido senhor
Devora a ti mesmo
Mesmo que regurgites
Todos os segredos
Plástico horror
Cálido ódio
Plácido amor
Ávido senhor
Devora a ti mesmo
Mesmo que regurgites
Todos os segredos
30 de agosto de 2010
Cronologia
Nasci, apenas existi.
Com cinco acreditava saber tudo, errei.
No dia dos dez pensei ter entendido, confundi.
Aos quinze fiz um rascunho do mundo, rasguei.
Revolução busquei aos vinte, desisti.
Depois dos vinte e cinco, cansado, aceitei.
Quando chegar aos trinta, desapontarei.
Depois, de cinco em cinco, já não existirei.
Com cinco acreditava saber tudo, errei.
No dia dos dez pensei ter entendido, confundi.
Aos quinze fiz um rascunho do mundo, rasguei.
Revolução busquei aos vinte, desisti.
Depois dos vinte e cinco, cansado, aceitei.
Quando chegar aos trinta, desapontarei.
Depois, de cinco em cinco, já não existirei.
Pleito
Liberdade
Ainda que tardia
Falsa
Qual corte de água fria
Heresia
Blasfêmica democracia
Freguesia
Faz-se com verbo que politicia
Hipocrisia
Ainda que cardia
Falsa
Qual amor de fantasia
Ainda que tardia
Falsa
Qual corte de água fria
Heresia
Blasfêmica democracia
Freguesia
Faz-se com verbo que politicia
Hipocrisia
Ainda que cardia
Falsa
Qual amor de fantasia
Sentenciado
Paralisado
Cérebro cansado estará
Obstinado
Sangue coalhado escorrerá
Sepultado
Homem acabado ficará
Amedrontado
Espírito fraco seguirá
Realizado
Mundo castrado sorrirá
Cérebro cansado estará
Obstinado
Sangue coalhado escorrerá
Sepultado
Homem acabado ficará
Amedrontado
Espírito fraco seguirá
Realizado
Mundo castrado sorrirá
21 de maio de 2010
especialmente (...)
Inigualavelmente inconquistável
É nosso amor
Imprudentemente ardente
Essa paixão
Surpreendentemente notável
Esse querer
Certamente inalcançável
Nosso fervor
Brevemente invejável
Eu e você,
Sempre
É nosso amor
Imprudentemente ardente
Essa paixão
Surpreendentemente notável
Esse querer
Certamente inalcançável
Nosso fervor
Brevemente invejável
Eu e você,
Sempre
19 de abril de 2010
Mastigando cérebro, afinal ele nada mais é do que uma gigante goma cinzenta de vários sabores. De quando em quando é doce como amor de mãe, outras tanta,s azedo igual a pai que nunca vem. Alguns dias pura pimenta, tal como paixão adolescente ardente. Na noite é gelado, tipo ácido mal entornado. Pra mimé sempre fantástico, multi-saboroso, como chicletes Wonka. Raiva, ódio e desejo. Medo, prazer e sossego. Ainda que o meu deverás mascado esteja, tem caldo, azul, vermelho, negro. Só não fica seco. Mastigando cérebro, enquanto vejo duros e sem sabores os teus anémicos neuro condutores.
31 de março de 2010
censurada
Palavra é vício
No papel, baseado, aceitável
Na boca, ácido, inimaginável
Verbo conjugado
Em som impublicável
Verbo é dependência
Na medida, coerência
No excesso, retórica
Palavra cantada
Com surdez, censurada
No papel, baseado, aceitável
Na boca, ácido, inimaginável
Verbo conjugado
Em som impublicável
Verbo é dependência
Na medida, coerência
No excesso, retórica
Palavra cantada
Com surdez, censurada
anjos e augustos
Anjos e demônios
Augustos e robustos
Velhos e decrépitos
Augustos são anjos
Robustos meus demônios
Decrépitos, todos, que estão velhos
Dos demônios
Eu, anjo augusto
Dos decrépitos
Velho demônio
Augusto, dos anjos
Velho robusto
Eu, quase decrépito
Augustos e robustos
Velhos e decrépitos
Augustos são anjos
Robustos meus demônios
Decrépitos, todos, que estão velhos
Dos demônios
Eu, anjo augusto
Dos decrépitos
Velho demônio
Augusto, dos anjos
Velho robusto
Eu, quase decrépito
17 de março de 2010
to be
Posso perder o sol e até a lua
Deixar para trás meus dias e noites
Perder a vida e nem chegar a morte
Que escape pelos dedos sonhos e realidades
Posso perder o certo e até o duvidoso
Deixar de lado conceitos e preceitos
Perder as horas sem sentir os minutos
Que suma de mim a saúde e o prazer
Só não posso perder você para mim mesmos
Então não deixe escapar o eu de mim
Encontre bem no fundo o que sempre fui
Mostre a mim quem eu ainda sou
Para você, sempre estarei aqui
Deixar para trás meus dias e noites
Perder a vida e nem chegar a morte
Que escape pelos dedos sonhos e realidades
Posso perder o certo e até o duvidoso
Deixar de lado conceitos e preceitos
Perder as horas sem sentir os minutos
Que suma de mim a saúde e o prazer
Só não posso perder você para mim mesmos
Então não deixe escapar o eu de mim
Encontre bem no fundo o que sempre fui
Mostre a mim quem eu ainda sou
Para você, sempre estarei aqui
15 de março de 2010
XXX
vocé irá me deixar vagar os dias sonhando com teu gosto
noites em claro tentando decifrar seu cheiro
meses, décadas, quiçá séculos, amargando meu desejo
você ira pertubar minha existência com o calor de um só beijo
molhado, suado, sempre acordarei "videando" seus segredos
até o ultimo segundo gritarei calado:
possua-me
noites em claro tentando decifrar seu cheiro
meses, décadas, quiçá séculos, amargando meu desejo
você ira pertubar minha existência com o calor de um só beijo
molhado, suado, sempre acordarei "videando" seus segredos
até o ultimo segundo gritarei calado:
possua-me
21 de dezembro de 2009
Submissão
Quando não ecoo
Você conforta-se
Se já não vibro mais
Entendes como segurança
Meu pensar esvai-se
Tens, então, esperança
Com meus sentidos controlados
Sua felicidade dança
Talvez seja hora de morrer calado
Para prospera nossa aliança
Você conforta-se
Se já não vibro mais
Entendes como segurança
Meu pensar esvai-se
Tens, então, esperança
Com meus sentidos controlados
Sua felicidade dança
Talvez seja hora de morrer calado
Para prospera nossa aliança
9 de dezembro de 2009
Vísceras
Acordei em vísceras
Vermelhas como os tomates
Jogados ao bobo, na corte
Cheirando solidão
O eu desfazendo em putrefação
Mastiguei tais vísceras
Como goma de mascar
Grudadas em sapatos velhos
Aspirando nostalgia
Poluindo o corpo como alergia
Regurgitei minhas vísceras
Gosto raro de leite velho e azia
Deixado pra fora na noite fria
Coalhando esperança
Mente revira em lembrança
Vermelhas como os tomates
Jogados ao bobo, na corte
Cheirando solidão
O eu desfazendo em putrefação
Mastiguei tais vísceras
Como goma de mascar
Grudadas em sapatos velhos
Aspirando nostalgia
Poluindo o corpo como alergia
Regurgitei minhas vísceras
Gosto raro de leite velho e azia
Deixado pra fora na noite fria
Coalhando esperança
Mente revira em lembrança
7 de dezembro de 2009
Sarjeta
Rebelde sem causa
Poeta sem livro
Artista sem tela
Músico sem cantiga
Lenda sem história
Apaixonado sem amada
Espinho sem flor
Criatura sem criador
Sou eu sem eu mesmo
Sou o mesmo que nunca fui eu
Alma sem corpo
Espírito sem encarnação
Só assim sou eu
O que não fui
Nem serei
Poeta sem livro
Artista sem tela
Músico sem cantiga
Lenda sem história
Apaixonado sem amada
Espinho sem flor
Criatura sem criador
Sou eu sem eu mesmo
Sou o mesmo que nunca fui eu
Alma sem corpo
Espírito sem encarnação
Só assim sou eu
O que não fui
Nem serei
4 de dezembro de 2009
30 de novembro de 2009
ecos
O silêncio
Grito forte
No qual mora certeza
Já não faz mais parte
Da vida que late
A caravana passou
E ficaste
Esquecido
Em silêncio
No silêncio
Do grito só restou
Sombras
Cópias
O fim
Grito forte
No qual mora certeza
Já não faz mais parte
Da vida que late
A caravana passou
E ficaste
Esquecido
Em silêncio
No silêncio
Do grito só restou
Sombras
Cópias
O fim
23 de novembro de 2009
Eterno
Quando meu coração bater
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você
Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena
Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você
Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena
Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
Eterno
Quando meu coração bater
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você
Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena
Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você
Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena
Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
Quem?
Inexistir, o ato de deixar de ser quem nunca fui.
Calar lembranças que nunca tive, nunca foram minhas.
Traçar memórias desejáveis, mesmo que infundadas.
Inexistir, deixar ser quem você realmente ama.
Ainda que eu mesmo morra de ciúmes
Pelo outro que sempre amará, o outro que não sou eu.
Inexistir será mais fácil assim
Sem perturbações, só seus olhos, como no início
Amando o que parecia ser eu, porém forte, como nunca fui.
Calar lembranças que nunca tive, nunca foram minhas.
Traçar memórias desejáveis, mesmo que infundadas.
Inexistir, deixar ser quem você realmente ama.
Ainda que eu mesmo morra de ciúmes
Pelo outro que sempre amará, o outro que não sou eu.
Inexistir será mais fácil assim
Sem perturbações, só seus olhos, como no início
Amando o que parecia ser eu, porém forte, como nunca fui.
11 de novembro de 2009
RT
Ecos falsos
De uma sociedade ordinária
Falam-me revolução
Praticam retração
Gritos tão surdos
Como árvore morta
Sem ninguém pra ver
Combatem o pensamento livre
Dizendo-se detentores
Do livre pensar
Ecos falsos
De mentes
Livres de pensar
Inertes na arte de reeditar
De uma sociedade ordinária
Falam-me revolução
Praticam retração
Gritos tão surdos
Como árvore morta
Sem ninguém pra ver
Combatem o pensamento livre
Dizendo-se detentores
Do livre pensar
Ecos falsos
De mentes
Livres de pensar
Inertes na arte de reeditar
4 de novembro de 2009
Fim sem começo
O fim já começa no começo
Entre o começo do fim
E o fim do começo
Apenas o meio
Está no começo ou no fim
No fim ou no começo
Vivo quintos, quartos e terços
Desse começo sem fim
No começo que acaba de acabar
Ou no fim que começou agora
Segundos, minutos, horas
Sem saber quando começa o fim
E quando acaba o começo?
Sigo em frente em tropeços
Esperando ter fim os erros
E só começo os acertos
Sabe-se lá quando
Saberei se perdi todo meu meio
Esperando começos e fins
Entre vários recomeços
____________________________________
Classificada no VIII Poetas do Vale
http://www.poetasdovale.blogspot.com/
Entre o começo do fim
E o fim do começo
Apenas o meio
Está no começo ou no fim
No fim ou no começo
Vivo quintos, quartos e terços
Desse começo sem fim
No começo que acaba de acabar
Ou no fim que começou agora
Segundos, minutos, horas
Sem saber quando começa o fim
E quando acaba o começo?
Sigo em frente em tropeços
Esperando ter fim os erros
E só começo os acertos
Sabe-se lá quando
Saberei se perdi todo meu meio
Esperando começos e fins
Entre vários recomeços
____________________________________
Classificada no VIII Poetas do Vale
http://www.poetasdovale.blogspot.com/
30 de outubro de 2009
Batismo
Hoje quero bater cabeça
Ver força
Sobressair sobre fraqueza
Tudo regado a nobreza
Do santo oco
Sem ouro como riqueza
Oxalá permita a luz brilhar
Sob escurecido luar
Com armas de Ogum
Roupas de Iemanjá
Um novo nome
Para vida nova coroar
Cavalo a galope
Mente sem pensamento
Orvalho de corpo ao relento
Do nome antigo nem graças
Nem lamentos
Da nova graça
Infinitos elementos
Ver força
Sobressair sobre fraqueza
Tudo regado a nobreza
Do santo oco
Sem ouro como riqueza
Oxalá permita a luz brilhar
Sob escurecido luar
Com armas de Ogum
Roupas de Iemanjá
Um novo nome
Para vida nova coroar
Cavalo a galope
Mente sem pensamento
Orvalho de corpo ao relento
Do nome antigo nem graças
Nem lamentos
Da nova graça
Infinitos elementos
20 de outubro de 2009
Intervalo
Quando não sobra
Mais pra nada a vontade
E cessa a obra
Sem dizer nenhuma verdade
Hora a hora
Segue dura a marginalidade
Pros que vem ao toque de esporas
Parece velha a idade
Não entendem porque choras
Nem porque verte a realidade
A morte sobrepõe vidas
Loucura que ataca a faculdade
Quanto gritar ação
Não haverá mais ato
Nem estenda a mão
Foi-se embora as sete vidas do gato
Mente sem rebelião
Pensamento hiato
Mais pra nada a vontade
E cessa a obra
Sem dizer nenhuma verdade
Hora a hora
Segue dura a marginalidade
Pros que vem ao toque de esporas
Parece velha a idade
Não entendem porque choras
Nem porque verte a realidade
A morte sobrepõe vidas
Loucura que ataca a faculdade
Quanto gritar ação
Não haverá mais ato
Nem estenda a mão
Foi-se embora as sete vidas do gato
Mente sem rebelião
Pensamento hiato
10 de outubro de 2009
sem encanto
Une-dune-tê
Lembra disso:
Nunca mais pudeste escolher
Bem-me-quer, mal-me-quer
Agora, bem,
Só verás em série de TV
Abra-cadabra
Mágica sim,
Podes ver a alegria desaparecer dia a dia
Plut, plat, zum
Nem você, nem seus sonhos
Não vão a lugar nenhum
Hora do recreio
Agora sim
Um descanso pra essa vida em desespero
Lembra disso:
Nunca mais pudeste escolher
Bem-me-quer, mal-me-quer
Agora, bem,
Só verás em série de TV
Abra-cadabra
Mágica sim,
Podes ver a alegria desaparecer dia a dia
Plut, plat, zum
Nem você, nem seus sonhos
Não vão a lugar nenhum
Hora do recreio
Agora sim
Um descanso pra essa vida em desespero
6 de outubro de 2009
O dia do absurdo
Respeitável Público
Senhoras e Senhores
Honorável corja
Bem vindos ao Dia do Absurdo
Absurdamente real
Realmente abominável
Abominávelmente absurdo
Olhei firme para o Dia do Absurdo
Cobras de cem cabeças, ou mais
Palhaços que choram sangue
Sangue puro feito de ki-suco
Bebei do leite dessas bestas do Dia do Absurdo
Cuspo fogo
Escarro pestes
Urino sal de outubro
É só meu todo o Dia do Absurdo
Hoje é real
Meu absurdo abissal
Amanhã é teatro
Será sempre letal, o Dia do Absurdo
Respeitável Público
Tapai os olhos
Há muito já cegos
Antes mesmo do Dia do Absurdo
Senhoras e Senhores
Quebrai os dentes
De tanto ranger
Pois tanto temem esse Dia do Absurdo
Honorável corja
Celebrai
Pois além de mim, só vós
Poderei desfrutar do Dia do Absurdo
Senhoras e Senhores
Honorável corja
Bem vindos ao Dia do Absurdo
Absurdamente real
Realmente abominável
Abominávelmente absurdo
Olhei firme para o Dia do Absurdo
Cobras de cem cabeças, ou mais
Palhaços que choram sangue
Sangue puro feito de ki-suco
Bebei do leite dessas bestas do Dia do Absurdo
Cuspo fogo
Escarro pestes
Urino sal de outubro
É só meu todo o Dia do Absurdo
Hoje é real
Meu absurdo abissal
Amanhã é teatro
Será sempre letal, o Dia do Absurdo
Respeitável Público
Tapai os olhos
Há muito já cegos
Antes mesmo do Dia do Absurdo
Senhoras e Senhores
Quebrai os dentes
De tanto ranger
Pois tanto temem esse Dia do Absurdo
Honorável corja
Celebrai
Pois além de mim, só vós
Poderei desfrutar do Dia do Absurdo
5 de outubro de 2009
Véspera
Eu pensei em não mais acordar
Ficar inerte, deitado
Em sono profundo
Para não ter mais que aceitar
Nem discordar
Nem mesmo argumentar
Eu sonhei com minha morte pro mundo
Minha morte pelo bem do mundo
Relutei mas tive que acordar
No espelho, já cicatrizados
Pontos que em minha máquina de falar
Agora já não posso e não quero expressar
Acordado e confuso
Lembrei-me
Amanhã é feriado
É dia do absurdo
Ficar inerte, deitado
Em sono profundo
Para não ter mais que aceitar
Nem discordar
Nem mesmo argumentar
Eu sonhei com minha morte pro mundo
Minha morte pelo bem do mundo
Relutei mas tive que acordar
No espelho, já cicatrizados
Pontos que em minha máquina de falar
Agora já não posso e não quero expressar
Acordado e confuso
Lembrei-me
Amanhã é feriado
É dia do absurdo
31 de agosto de 2009
cada
Cada dia, cada minuto, cada segundo
Cada um pense o que quiser
Cada qual sabe onde sangra o ventre
Cada pessoa sente
Cada indivíduo entende
Cada dia, cada minuto, cada segundo
Cada um com seu cada um
O meu, tem certeza de que é hora de parar
Cada um pense o que quiser
Cada qual sabe onde sangra o ventre
Cada pessoa sente
Cada indivíduo entende
Cada dia, cada minuto, cada segundo
Cada um com seu cada um
O meu, tem certeza de que é hora de parar
17 de julho de 2009
Com minhas próprias mãos
Depois que soarem os sinos pela quinta vez
Tudo será minha culpa
E só minha
Sem mais longos suspiros
Nunca olhares desconfiados
Amanhã, a essa mesma hora
Serei apenas eu
Não
Eu, Deus e o que ele me deu
Será com minhas próprias mãos
Que farei rir
Que deixarei chorar
Que tentarei sonhar
Com minhas próprias mãos
Aprenderei, de verdade, a amar
Depois que soarem os sinos pela quinta vez
Tudo será minha culpa
E só minha
Sem mais longos suspiros
Nunca olhares desconfiados
Amanhã, a essa mesma hora
Serei apenas eu
Não
Eu, Deus e o que ele me deu
Será com minhas próprias mãos
Que farei rir
Que deixarei chorar
Que tentarei sonhar
Com minhas próprias mãos
Aprenderei, de verdade, a amar
8 de julho de 2009
Vivo, morto. Morto, vivo.
Ando meio com dor de dente. Sabe? Aquele tipo dormente, não latente. Incomoda, mas de tão leve acaba fazendo parte da gente. Quase como emprego. Como faculdade e igreja. Essa dor já vem de algum tempo. Não sei se chegou coma vontade de parar com tudo, ou se parei com tudo por causa da dor. Sei que é uma causa e efeito. Nesse tempo, que a gengiva palpitava dormente, não tive nenhum sonho latente. Nenhuma ideia abrupta para mudar o mundo e fazer com que me virasse na minha própria tumba de caos. Por um tempo foi bom. Evitei várias outras dores. Mas hoje decidi que chega. Não pretendo arrancar esse dente, nem com ele minha dor. Simplesmente parei de escovar os dentes. Vou cultivar essa mortificada dormência. Espero que o acúmulo das pequenas latejadas, que parecem formigamento moral, faça-me novamente gritar. Incubado em meus berros estarão o bafo de um uma dor fúnebre, em cheiro e conteúdo um verdadeiro cadáver. Ressurgindo, como em ‘a volta dos mortos vivos’. Sedento não de sangue, mas de alma. A sua alma, aminha própria alma. Por fim, estou de volta. Mesmo que em eterna decomposição.
10 de junho de 2009
Concorrente carência
Engole seco
Pois é meu sossego
Teu desespero
Que desça áspera
Garganta a baixo
A água de teu deserto
Cada grão da areia
Uma palavra
Da minha boca apeia
Engole seco
Pois é colírio para os olhos
Teu receio
Que desça quente
Doe esôfago ao estomago
A ânsia de seu castelo
Cada grito mudo
Uma certeza
Da minha mente ascende
Pois é meu sossego
Teu desespero
Que desça áspera
Garganta a baixo
A água de teu deserto
Cada grão da areia
Uma palavra
Da minha boca apeia
Engole seco
Pois é colírio para os olhos
Teu receio
Que desça quente
Doe esôfago ao estomago
A ânsia de seu castelo
Cada grito mudo
Uma certeza
Da minha mente ascende
28 de maio de 2009
Bricoleur
Será poesia o design, ou design a poesia
Será criatividade a alucinação, ou alucinação criatividade
Serei eu o criador, ou penas fui criado
Servirá a mima criação, ou como servo serei criado
Medico ou monstro, monstro e médico
Da galinha o ovo, do ovo a galinha
Sobre qualquer divagação, divago
Mesmo não sendo minha, a noção do produto exato
Será criatividade a alucinação, ou alucinação criatividade
Serei eu o criador, ou penas fui criado
Servirá a mima criação, ou como servo serei criado
Medico ou monstro, monstro e médico
Da galinha o ovo, do ovo a galinha
Sobre qualquer divagação, divago
Mesmo não sendo minha, a noção do produto exato
12 de maio de 2009
Re-educação
Ainda estamos em plena escravidão
Nosso ópio, cevada
O churrasco o grande pão
Nossa própria morte é o circo
Diversão popular na televisão
Salário mínimo
Chibatadas intensas em recessão
Da vida nos resta um padrão
Comer, beber, defecar e morrer
De cabeça baixa
Sob a mira do capitalismo patrão
Sem honra, sem nome, sem opinião
Resta-nos calar
Ante a camuflada repressão
Nem pão nem circo
A opressão
Faz-se comunhão
Nosso ópio, cevada
O churrasco o grande pão
Nossa própria morte é o circo
Diversão popular na televisão
Salário mínimo
Chibatadas intensas em recessão
Da vida nos resta um padrão
Comer, beber, defecar e morrer
De cabeça baixa
Sob a mira do capitalismo patrão
Sem honra, sem nome, sem opinião
Resta-nos calar
Ante a camuflada repressão
Nem pão nem circo
A opressão
Faz-se comunhão
Sobre independência, saudades e mundo
Necessito ser eu
Um ser errante
Vagabundo
Vagando sem pena
Sem mendo de tomar-me vago
Não sinto saudades
Não quero nada do mundo
Mas sou dependente
Do meu próprio absurdo
Um ser errante
Vagabundo
Vagando sem pena
Sem mendo de tomar-me vago
Não sinto saudades
Não quero nada do mundo
Mas sou dependente
Do meu próprio absurdo
8 de maio de 2009
6
Seis
Minutos
Horas
Dias
Meses
Anos
Décadas
Séculos
O tempo que for
Tudo nosso amor irá transpor
A alegria e a dor
No fim
Será tão forte
Como num certo beira-mar
Seis
Segundos
Bastaram para saber
Que seu calor
Far-me-ia delirar
Pelo tempo que for
29 de abril de 2009
Onde está Wilson?
Ali, à frente
A ilha onde nada há
Cercada de pequenas penínsulas
Ainda mais vazias
Só, no cento
O naufrago, com azia
Morreu de tanto tentar
Descobriu que dói pensar
Dor insuportável
Em meio a ecos
Da própria afasia
O último instante
A descoberta
A morte não traz descanso
Falecer é teatro
Fantasia
Pura hipocrisia
A ilha onde nada há
Cercada de pequenas penínsulas
Ainda mais vazias
Só, no cento
O naufrago, com azia
Morreu de tanto tentar
Descobriu que dói pensar
Dor insuportável
Em meio a ecos
Da própria afasia
O último instante
A descoberta
A morte não traz descanso
Falecer é teatro
Fantasia
Pura hipocrisia
Má digestão
Sigo devorando o mundo
Mesma já quase sem dentes
Digerindo sapos e serpentes
Defecando sobras
Em seu banquete latente
Vou ingerindo grandes nacos
Dessa carne putrefata
Da qual é feita essa sociedade
Canalha como lamina de navalha
Vomitando líricos versos
Meu sonho versus seus ganhos
Mesma já quase sem dentes
Digerindo sapos e serpentes
Defecando sobras
Em seu banquete latente
Vou ingerindo grandes nacos
Dessa carne putrefata
Da qual é feita essa sociedade
Canalha como lamina de navalha
Vomitando líricos versos
Meu sonho versus seus ganhos
27 de abril de 2009
pixealizando o impixealizável
Preciso de um aditivo
Na verdade
Quero mais adjetivos
Fomentar a massa inerte
Gelada e sem vida
Que ocupa a lacuna
Entre olhos e cabelos
Aquilo que já chamei de cérebro
Hoje um HD estéril
Informação é o que não falta
Mas falta combustível
Um verbo como aditivo
Pensar em novos adjetivos
Um HD sem memória
O que já foi cérebro
Hoje é apenas a quebra de um link
Sem conectividade
Nem objetividade
Um sinal ocupado
Para mim mesmo
Na verdade
Quero mais adjetivos
Fomentar a massa inerte
Gelada e sem vida
Que ocupa a lacuna
Entre olhos e cabelos
Aquilo que já chamei de cérebro
Hoje um HD estéril
Informação é o que não falta
Mas falta combustível
Um verbo como aditivo
Pensar em novos adjetivos
Um HD sem memória
O que já foi cérebro
Hoje é apenas a quebra de um link
Sem conectividade
Nem objetividade
Um sinal ocupado
Para mim mesmo
15 de abril de 2009
Hoje você falou sobre meu humor... Digo que está longe de ser felicidade, foi apenas um tolo conforto dos curtos tempos de paz. Cada dia mais sinto-me guerrilheiro, quase só no “aparelho” instalado na minha própria cabeça, saindo a noite para selva onde caço lacunas do futuro e do passado onde posso sincronizar o todo quem sempre amei. Todo que para mim é tudo, onde estão, pai, mãe, avós, avôs, irmãos e a arte, elemento sempre presente, mas que já não me satisfaz.
6 de abril de 2009
Desalento
O desalento é volátil elemento
Horas inflado, deveras inflamado
É pretexto em qualquer contexto
Manha em cada manhã
O desalento é preguiça majestosa
Em segundos expansível, sempre consumível
É placebo em inexistente doença
Birra em meio à intriga
O desalento é do ego cafuné
Instante do antes, pedante do depois
É mentira em vigília
Desculpa na falta de muleta
O desalento é mesmo rancor
Terror em memória, pavor em busca de glória
É reticências na prosa
Interrogação em meus versos
O desalento até é frescor
Reflexão para quem pensa, oração para alma tensa
É pausa às vezes constante
Indicio de ânimo em cérebro inconformado
O desalento, em toda certeza importante
Ciclo quase incitante, volta errante
É necessário em tom revolucionário
Único e relevante
Horas inflado, deveras inflamado
É pretexto em qualquer contexto
Manha em cada manhã
O desalento é preguiça majestosa
Em segundos expansível, sempre consumível
É placebo em inexistente doença
Birra em meio à intriga
O desalento é do ego cafuné
Instante do antes, pedante do depois
É mentira em vigília
Desculpa na falta de muleta
O desalento é mesmo rancor
Terror em memória, pavor em busca de glória
É reticências na prosa
Interrogação em meus versos
O desalento até é frescor
Reflexão para quem pensa, oração para alma tensa
É pausa às vezes constante
Indicio de ânimo em cérebro inconformado
O desalento, em toda certeza importante
Ciclo quase incitante, volta errante
É necessário em tom revolucionário
Único e relevante
9 de março de 2009
Nem consolo, nem desabafo
Faço da suas as minhas palavras
De seu ódio meu motor
Faço do seu sangue combustível
De suas idéias a revolução
Adiável, mais imprescindível
Faço das suas as minhas lágrimas
Do som de seu choro a minha promessa
Rirão agora
Gozarão sobre essas pequenas sobras
Mas ainda verão
A verdade, a compreensão e a razão
São todas nossas
De seu ódio meu motor
Faço do seu sangue combustível
De suas idéias a revolução
Adiável, mais imprescindível
Faço das suas as minhas lágrimas
Do som de seu choro a minha promessa
Rirão agora
Gozarão sobre essas pequenas sobras
Mas ainda verão
A verdade, a compreensão e a razão
São todas nossas
19 de fevereiro de 2009
Prática
De noite
Comer os restos de mim mesmo
A fim de ter só para mim
O que durante o dia sempre foi só meu
Pela manhã
Regurgitar os restos embolados
Na esperança de encontrar o eu
Que já não é mais meu, nem eu
De novo o dia
Digerindo como vermes no esterco
O bagaço disforme
Que outrora teve um nome
Nome este que chamaram a mim
Comer os restos de mim mesmo
A fim de ter só para mim
O que durante o dia sempre foi só meu
Pela manhã
Regurgitar os restos embolados
Na esperança de encontrar o eu
Que já não é mais meu, nem eu
De novo o dia
Digerindo como vermes no esterco
O bagaço disforme
Que outrora teve um nome
Nome este que chamaram a mim
20 de janeiro de 2009
mascarado
O peso sobre as costas
Massacra os pensamentos
Sob minha alma, soterrados
Seguem antigos sonhos
Abandono gotas de sangue
Em cada canto de mim mesmo
Escuro como óleo
A gangrena to tempo
Sem descanso
Nem um pequeno intervalo
Segue está vida
Que não pedi
Segue essa mágoa
Mesmo quando o corpo sorri
A cada tapa
Ofereço o outro lado
Assim aprendi
Ser escravo de vontades
Serviçal de seu lapso de bondade
Hoje, sempre
O peso massacra
Camuflado de liberdade
Disfarçado em mim
Massacra os pensamentos
Sob minha alma, soterrados
Seguem antigos sonhos
Abandono gotas de sangue
Em cada canto de mim mesmo
Escuro como óleo
A gangrena to tempo
Sem descanso
Nem um pequeno intervalo
Segue está vida
Que não pedi
Segue essa mágoa
Mesmo quando o corpo sorri
A cada tapa
Ofereço o outro lado
Assim aprendi
Ser escravo de vontades
Serviçal de seu lapso de bondade
Hoje, sempre
O peso massacra
Camuflado de liberdade
Disfarçado em mim
15 de janeiro de 2009
Tenha coração
Respire, transpire, corra, sofra, olhe, se desdobre. Faça tudo, mas faça com coração. Não temos duas chances na vida e, para ter certeza que dará tudo certo, sempre, é só ter coração.
Todas as outras dicas são boas, são válidas, mas nada melhor do que fazê-las de coração. Assim, às 11h 59min, do dia 31 de dezembro de 2009, sem arrependimentos, agradeceremos juntos, pois amamos, gritamos, choramos, brigamos, crescermos, conquistamos. Sempre com coração. Um belíssimo ano a todos e contem com meu coração!
Todas as outras dicas são boas, são válidas, mas nada melhor do que fazê-las de coração. Assim, às 11h 59min, do dia 31 de dezembro de 2009, sem arrependimentos, agradeceremos juntos, pois amamos, gritamos, choramos, brigamos, crescermos, conquistamos. Sempre com coração. Um belíssimo ano a todos e contem com meu coração!
suicídio e redenção
hoje acordei com uma gigantesca vontadde morrer
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
deixar de lado a desesperança da minha vida
hoje vou dormir querendo viver
viver sem essa ferida
viver por essa ferida
resgatar na morte a vida q não em deu saída
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
deixar de lado a desesperança da minha vida
hoje vou dormir querendo viver
viver sem essa ferida
viver por essa ferida
resgatar na morte a vida q não em deu saída
1 de dezembro de 2008
Sem título, sem tema, sem lema...
Sem ponto nem vírgula segue frenética a vida. Como lombriga. Devora a calma e regurgita a alegria. Consome. Sem exclamação nem interrogação segue rápida, mas estática, em um corpo sem vida.
Sob minha cegueira
O que diriam as rosas
Por trás de tantos espinhos
O quem sonham entre os dentes
Os homens descontentes
Qual o cheiro presente
No sexo latente
Do que sente vontade o santo espírito
Todo esse tempo onipresente
Espirros e soluços nunca trarão respostas
Nem tão pouco será livre
Submerso nessa busca insólita
O que almeja sua mente sem pudor
Do fracasso
Qual será o odor
Porque respirar
Se sempre o que lhe vem
É a falta de ar
Despertar
Só se for para enfrentar
Por trás de tantos espinhos
O quem sonham entre os dentes
Os homens descontentes
Qual o cheiro presente
No sexo latente
Do que sente vontade o santo espírito
Todo esse tempo onipresente
Espirros e soluços nunca trarão respostas
Nem tão pouco será livre
Submerso nessa busca insólita
O que almeja sua mente sem pudor
Do fracasso
Qual será o odor
Porque respirar
Se sempre o que lhe vem
É a falta de ar
Despertar
Só se for para enfrentar
3 de novembro de 2008
canção de ninar
Bravura e Grossura vão se e casar
Sabe deus o que virá
Um anjo cheio de cólera
Ou um lindo diabinho
Que adora canção de ninar
Para Bravura, Grossura é doçura
Para grossura, Bravura é ternura
Mesmo sempre errados
Vão eles para sempre amar
Sabe deus o que virá
Um anjo cheio de cólera
Ou um lindo diabinho
Que adora canção de ninar
Para Bravura, Grossura é doçura
Para grossura, Bravura é ternura
Mesmo sempre errados
Vão eles para sempre amar
29 de outubro de 2008
Carne crua
Vamos ressaltar a hipocrisia
Sorrir entre os dentes
Fingir alegria
Vamos às urnas
Eleger como presidente,
O bobo da turma
Vamos acusar Nietzche de heresia
Impelir ao gay a alcunha de doente
Adquirir essa alergia
Erguer renitentes
A voz da prolixa fortuna
Vamos amamentar o caos com azia
Sucumbir ao consumo, veementes
Infligir a sanidade
Ranger das correntes,
Do corpo mole na tumba
Vamos acalentar essa afonia
Implodir sob os emergentes
Admitir o silêncio
Prover contentes
Facadas na carne crua
Sorrir entre os dentes
Fingir alegria
Vamos às urnas
Eleger como presidente,
O bobo da turma
Vamos acusar Nietzche de heresia
Impelir ao gay a alcunha de doente
Adquirir essa alergia
Erguer renitentes
A voz da prolixa fortuna
Vamos amamentar o caos com azia
Sucumbir ao consumo, veementes
Infligir a sanidade
Ranger das correntes,
Do corpo mole na tumba
Vamos acalentar essa afonia
Implodir sob os emergentes
Admitir o silêncio
Prover contentes
Facadas na carne crua
28 de outubro de 2008
sobre eternidade
Ainda que pareça distante
A voz do meu coração
Sempre clama pelo seu amor
Mesmo que pareça irrelevante
O poder do meu coração
Moverá o mundo
Para que não sinta dor
E quanto tornar-se entediante
Alimentarei com chamas nosso ardor
Que seja eterno enquanto dure
E dure enquanto eu existir
Pois nada sou
E nada serei
Além de coração
E coração não existe
Sem nosso amor
A voz do meu coração
Sempre clama pelo seu amor
Mesmo que pareça irrelevante
O poder do meu coração
Moverá o mundo
Para que não sinta dor
E quanto tornar-se entediante
Alimentarei com chamas nosso ardor
Que seja eterno enquanto dure
E dure enquanto eu existir
Pois nada sou
E nada serei
Além de coração
E coração não existe
Sem nosso amor
14 de outubro de 2008
sobre guerreiros espartanos e bestas no limbo
Em meio ao trabalho medíocre, amizades falidas, afetos inertes e pensamentos inférteis o que me resta é limbo. Cobram-me forças, exigem coisas, esperam que seja um contra os trezentos. Honrado como um espartano, humilhado como um cão sarnento. Associam-me pensamentos, conceitos e preceitos. As palavras que dizem minhas nada mais são que ecos de energia, a energia alegre de um dia, que já padeceu sob uma tarde de elegia. Nem mais guerreiro, nem esfinge do limbo. Vagueio com alma cálida pelo ventre perene do mundo disforme, alternando momentos de glória e pura moléstia.
13 de outubro de 2008
má digestão
Enquanto minha mente desencarna em molho de cachorro quente com goles de vinho barato fico divagando os porquês dessa existência monossilábica. Prometi tanto aos outros, e muito mais a mim mesmo, e hoje, enquanto essa salsicha desce um tanto azeda guela abaixo, percebo que, como sempre, é tudo mentira. Sou incapaz de terminar o que comecei, sou incapaz até mesmo de começar; então, em uma linha a mais me despeço. Até uma próxima regurgitada dessa mente avacalhada, que já segue cansada concentrando-se na mordida, seguida da ânsia divina. Comer, digerir, defecar, palavras a esmo. Mas não me culpem, nunca disse que sabia pensar.
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