nosso instinto coletivo jaz sedentário. mesmo quando nos levantamos e bradamos permanecemos sentados, nos rabos, próprios ou emprestados.
13 de março de 2013
7 de março de 2013
4 de março de 2013
lamento negro
continuo a sacrificar os dias para resuscitar noite após noite / o raio de sol, agonia em meu açoite / sorri como alforria, sem destino e sem pernoite
22 de fevereiro de 2013
20 de fevereiro de 2013
cores d'alma
branco de alma negra
quando nêgo, ela é branda
se vermelho, não a tenho
amarelo a desdenho
incolor, minh'alma, minha dor
quando nêgo, ela é branda
se vermelho, não a tenho
amarelo a desdenho
incolor, minh'alma, minha dor
28 de janeiro de 2013
18 de dezembro de 2012
Carta ao Neanderthal
Velho amigo
Aqui tudo continua igual
Tudo bem comigo
Esperando outro natal
Outra vez iludido
Com essa de ser normal
Ano que vem, fudido
Tentando algo legal
Eu sei, fui o escolhido
Para vida real
Certamente, teria preferido
Continuar natural
12 de dezembro de 2012
Diálogo
- Okey, passa pra cá esse gole de tristeza...
- Não, não é tristeza... é amargor
- Jogue fora.
- Hã?
- Jogue fora, o copo todo.
- Mas é que sempre tenho essa sede que não passa...
- Pois sim, é melhor embebeda-la de amor.
Depois, entenderam enfim: Quando lhe faltar razão, beba logo, em goles rápidos o que chamam de paixão. Tomei sempre, pois o efeito é rápido, alucinante e revigorante. Mas, saiba que é preciso esperar, as vezes tanto quanto a dor já perdurou. Porque, quanto lhe falta a razão, mesmo quando estiver no fogo da paixão, só o silêncio lhe trará o perdão. É com ele que se encontra um como cheio de amor.
3 de dezembro de 2012
Mantra (ON)
O que
pensava eu
Não lhe era
mais importante
Nem mesmo o
que eu sentia
Não sejamos
redundantes
Nada era
como antes
O que então
agora?
Numa hora
qualquer
Num milésimo
de segundo
Não diga-me
não
Note-me por
apenas um minuto
14 de novembro de 2012
12 de novembro de 2012
hereditariedade
Um dia
Seremos filhos
Herdeiros
Dos filhos
Sem pai
Do avô,
O primeiro,
Uma só palavra
Aqui jaz
"Jamais"
Um dia
Seremos pais
Hereditários
Dos filhos
Sem nunca mais
27 de setembro de 2012
8 de agosto de 2012
Banquete
Com as
pontas sujas dos dedos
Deliciei-me
Com sabores
da infância
Com as mãos
esfoladas e tingidas
Fartei-me
Com aromas
da maturidade
Com alma insípida,
inodora e incolor
Saciarei-me
Com texturas
da velhice
Que assim
seja
6 de julho de 2012
7 de maio de 2012
4 de maio de 2012
Toada
Da infância
Para o mundo
Que não reconheço
Se vão as violas
Depois os terços
Sem passado
Não tem futuro
Nessa tristeza
De novo Jeca
Não mais giramundo
Chora viola
Implora
Para o mundo
Que não reconheço
Se vão as violas
Depois os terços
Sem passado
Não tem futuro
Nessa tristeza
De novo Jeca
Não mais giramundo
Chora viola
Implora
27 de abril de 2012
Mãos Gerais
Eu vim de lá
E lá veio pra cá
Num verso tolo
E um desenho bobo
Se faz Gerais
Por hora também
Pelas minhas mãos
É muito de mim
Pra não dizer quase tudo
De barro
Do som
Da madeira
Do falar absurdo
Se fez em mim
Pelas mãos, Gerais
E lá veio pra cá
Num verso tolo
E um desenho bobo
Se faz Gerais
Por hora também
Pelas minhas mãos
É muito de mim
Pra não dizer quase tudo
De barro
Do som
Da madeira
Do falar absurdo
Se fez em mim
Pelas mãos, Gerais
25 de abril de 2012
Abanheém
Nasci
branco
De alma
negra
E fala tupi
Ai de mim
dizer que não
Sou Mulato
Cafuso e
Mameluco
Sou Cabloco
Flecheiro
Consagrado à
Mãe de Deus
Nasci beato
De mãos pagãs
E fala
laica
Ai de mim não
crer
Sou de
umbanda
Espírita e cristão
Sou fluente
da Luz Universal
Devoto de Cosme
e Damião
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