16 de maio de 2013


engordo,
de engodo tolo.
nunca vivo,
quase morto.

animal tosco.
abarrotado,
de pão, de circo,
carne e osso

ouço:
roe-se todo.
moe-se todo.
todo!

remédio do tédio médio

se morrer 
que não seja de tédio
se sobreviver
que não esteja médio
se viver
que não haja remédio
Queria dizer que queria
Já não quero mais
Vontade voraz

Se queira não era meu 
Se meu não era
Nunca me pertenceu

Queria o que não queria
Já não importa mais
Não satisfaz

13 de maio de 2013

e se você tiver coragem de cruzar de novo meu caminho? ora, vou te encher de flores e um bom copo de vinho, sentar ao seu lado, trocar ideias e carinhos. afinal, rancor é dor e amor é o que carrego comigo. se você cruzar de novo meu caminho posso te chamar de pai, de mãe, de amigo ou de filho. na verdade não importa. você só vai entender, quando cruzar o meu caminho, que jamais esteve sozinho.

2 de maio de 2013

Tom

Nunca músico
Sempre música
Só para tocar
Seus ouvidos

17 de abril de 2013

Qualificações


Não, não sou redator
Sou amador
Também não sou poeta
Mas a palavra me afeta

15 de abril de 2013

Moda de Lá

Lá é Minas
E lá é tudo diferente
Lá é mais fácil burro voar
E lá cobra tem dente

Lá é Gerais
E lá as coisas não são iguais
Lá é mais fácil se assombrar
E lá lobisomem e saci é que são normais

Lá é Minas, Gerais

21 de março de 2013

de primeira


Não poeta
Poesia
A criatura
Jamais cria

14 de março de 2013

Meu caro,


Ao estender as mãos, quebraram-se os dedos
Pos-se de pé e foram-se os joelhos
Rastejou, tornou-se ameno

13 de março de 2013

lento, pensamento

sim, hoje não dormi
com isso, vivi e senti
horas enfim, dedicadas a ti
nosso instinto coletivo jaz sedentário. mesmo quando nos levantamos e bradamos permanecemos sentados, nos rabos, próprios ou emprestados.

7 de março de 2013

dia a dia


Achei que viveria
De poesia um dia
Ledo engano
Todas as noites
Faço dela manto

4 de março de 2013

lamento negro


continuo a sacrificar os dias para resuscitar noite após noite / o raio de sol, agonia em meu açoite / sorri como alforria, sem destino e sem pernoite

22 de fevereiro de 2013

oração


Entre a cruz e a espada
Sob a vela e a bala
Curvei-me
Ante a caneta e a palavra

20 de fevereiro de 2013

cores d'alma

branco de alma negra
quando nêgo, ela é branda
se vermelho, não a tenho
amarelo a desdenho
incolor, minh'alma, minha dor

28 de janeiro de 2013

looping


Em prosa e verso
Dito o fim
Do que já foi início
E também anverso
Desse reverso

18 de dezembro de 2012

Carta ao Neanderthal


Velho amigo
Aqui tudo continua igual
Tudo bem comigo
Esperando outro natal
Outra vez iludido
Com essa de ser normal
Ano que vem, fudido
Tentando algo legal
Eu sei, fui o escolhido
Para vida real
Certamente, teria preferido
Continuar natural

12 de dezembro de 2012

Ah! Eu vou...


Um dia vou embora
Para nunca mais
Na verdade vou
Voltar atrás

oh! Minas Gerais

Diálogo


- Okey, passa pra cá esse gole de tristeza...
- Não, não é tristeza... é amargor
- Jogue fora.
- Hã?
- Jogue fora, o copo todo.
- Mas é que sempre tenho essa sede que não passa...
- Pois sim, é melhor embebeda-la de amor.

Depois, entenderam enfim: Quando lhe faltar razão, beba logo, em goles rápidos o que chamam de paixão. Tomei sempre, pois o efeito é rápido, alucinante e revigorante. Mas, saiba que é preciso esperar, as vezes tanto quanto a dor já perdurou. Porque, quanto lhe falta a razão, mesmo quando estiver no fogo da paixão, só o silêncio lhe trará o perdão. É com ele que se encontra um como cheio de amor.

3 de dezembro de 2012

Mantra (ON)


O que pensava eu
Não lhe era mais importante
Nem mesmo o que eu sentia
Não sejamos redundantes
Nada era como antes

O que então agora?
Numa hora qualquer
Num milésimo de segundo
Não diga-me não
Note-me por apenas um minuto