20 de fevereiro de 2015

manha manhã

três da manhã.
vivendo o hoje,
ma já é amanhã,
de manhã.

então hoje,
já era ontem .
quando será amanhã,
de manhã?

Verso de Anverso

Toda noite
Um açoite
Pede pernoite
Espera com afoite
O chá-da-meia-noite
Mas, nessa noite
Não é dia, de dama-da-noite


Não é dia, de dama-da-noite
Mas, nessa noite
O chá-da-meia-noite
Espera com afoite
Pede pernoite
Um açoite
Toda noite

19 de fevereiro de 2015

(sobre como as coisas acabam)

Quanto tempo
Quanto tem, pô
Tempo 
Tem pó

.



13 de janeiro de 2015

de manhã


Da pra ver nos olhos dela que faço falta, o quanto ela se importa, o quanto é doloroso acenar com seus pequenos dedos. Provavelmente ela sente fundo até o último ronronar do velho motor movido a necessidade. E mesmo assim, todo dia eu digo adeus, viro as costas e vou. Claro, eu sei que vou voltar, mas ele  parece não entender, talvez nem queira. Porém, dia após dia, lhe dou  a tristeza do partir, lhe ensino involuntariamente a dor da saudade. Quando acelero e vejo no retrovisor seus olhos brilhantes e puros contemplando, em silêncio o que não compreende, deixo o vento frio bater nos meu rosto cansado, cantando em um único acorde cru “até logo, meu amor”. Por fim, tão acentuada quanto a curva à direita, a música da rua grita tentando abafar o que meu coração não pode deixar de gritar “por favor, me deixe fica”.

Um pai  jamais deveria ter quer ir.

11 de novembro de 2014

Avante

escolhas
ex coisas
escoa
coa


7 de novembro de 2014

Até o caraço

É sabido e conhecido
Todo dia morremos um pouco
Uns dias menos outros mais
Alguns dias até o osso

No meio de cada dia, pausa no decompor
Alguns chamam de almoço
De volta a putrefação
Produto do tempo e da alienação

Trabalho extremo e penoso
Apodrecer em pequenos pedaços
Não contentes com tal condição
Nos cobramos por pequenos pecados

Um certo dia, nem mais osso
Também não falo e nem ouço
Por fim, só o pó
A falta de vida não tem dó

28 de outubro de 2014

Pirâmide Invertida

reza o terço
prega o preço
homem de berço
nem conhece o beco
mas destila doses de medo
espera sua parte, seu terço
não importa o preço
faz valer o berço
dana o beco
sem medo

4 de agosto de 2014

CiRclo

Sociedade
Violenta.
Rapidamente,
viola.
Para ressarcir,
é lenta.

Dia a dia
Viola e desalenta
Noite e dia
Viola e alimenta.
Sociedade
Violenta.

30 de julho de 2014

Placebo

E esse passo pesado
Tal qual quem arrasta correntes
Desse olho amedrontado
Sinfonia alta do ranger dos dentes
No fim, é tudo sugestionado
Tão real quando poder da mente
Aos próprios olhos, escravos
Para outro, livre demente

17 de junho de 2014

ventos vaiantes

contra vaiantes
venham uivantes
os errantes
(marginais emocionais)

fortes como antes
respeitáveis feito gigantes
louváveis amantes
(vicinais, incondicionais)

calem ululantes
tais deselegantes
como jamais viram antes
(jamais, jamais)

10 de junho de 2014

homem do ano

dor de dente
lembrança latente
da dor da mente
analgésico demente
para quem mente
a dor que sente 

26 de maio de 2014

que venha

se viver, que venha armado.
armado até a mente,
de todo pensamento valente

de vontade inconsequente.
afinal, os dias são latentes
com certeza incoerentes.

se viver, que venha.
já não estou armando,
mas sigo amado...
efervescente.

21 de maio de 2014

a palavra terna
da poesia eterna
no verso do acaso
sempre me acabo 
palavra é rasgo
(poesia) cravada em pedra

19 de maio de 2014

c'alma

espera
quem tem calma
desespera
quem tem alma
sobreleva
quem tem c'alma

6 de maio de 2014

giramundo

levanto-me,
outro dia dia.
o que espero?
mudar o mundo.

entre risos,
dia a dia,
é certo,
não consigo.

mas mudo.
todo dia,
a mim mesmo,
a cada segundo. 

30 de abril de 2014

mesmo sem surra
censura
crua

pseudo cura
autua
a tua

não cala
dita
dura

28 de abril de 2014

abduções

eram indigenistas
os que aos índios exploravam
serão alienistas
humanos por aliens explorados 

24 de abril de 2014

Querer ou não querer...

A questão
Não é querência,
É precisão.

Na essência
Toda escolha,
É opinião.

Sem reticências
Cada ato,
Da fé, é profissão.

Quem quer
Porque precisa,
Faz ocasião.

22 de abril de 2014

minha infelicidade é constante
para melhor aproveitar a felicidade instante

31 de março de 2014

acorde, brado repugnante

espero que o povo "acorde"
deixem essa sinfonia pobre
desafinada e torpe
do ontem melhor, ó ode,
hoje pior, e o amanhã  "fode"
sem melodia, cantam a sorte