Confesso, ando meio confuso. Às vezes acho tão previsível meu próprio absurdo. Sem demagogia ou falso niilismo, não to querendo nepotismo no meu pensamento, se ninguém consegue, como posso pretender empregar esse vacilo filosófico. Tenho quase certeza que não credito mais fielmente nessa criação virtual do meu espírito animal. Um anarquismo católico, capitalismo filantrópico ou ainda socialismo neo-liberalista. Terror. Terrorismo individualista ego centrista, talvez chamem assim em um livro de 2027. Por enquando acostumo a ser consultado e depois desprezado, amado e logo odiado, hora sensato, hora alucinado. Dói a máquina que possessa meus gigahertz de futuros visionários pensamentos. Dói o coração que não acompanha o ritmo frenético desse descontentamento. Mas brilha fundo um sorriso de estar certo para ser contrariado.
16 de maio de 2007
वहत?
Pare
Siga
Continue
Recue
Adiante
Volte
Estátua
Movimente
Vivo
Morto
Morto
Vivo
Agora explique-me
O que quer de mim?
8 de maio de 2007
sorria
Num dia daqueles
Um velho sem dente
Com muita coisa na mente
Perguntou-me, o que te faz feliz?
Claro que não soube responder
O sucesso, o reconhecimento
As conquistas, os sentimentos
Não disso em satisfazia mais
Vendo-me calado
Apontou-me seu sorriso
Sentindo-me apavorado
Disse, sem o menor pudor
Antes do fim da tarde
Faça esse sorriso brilhar novamente
Pois é lê que comanda seus próprios dentes
Faça da boca dela tua luz
Pois só a janela da alma dela traduz
O que te faz feliz?
Sem mexer os lábios
Indagou novamente à minha mente
Vela contente
Respondi, também sem mexer os dentes
7 de maio de 2007
da princesa moura e do augusto II
Antes do nascer do sol
Após a morte da noite
Em instantes onde não se vive
O choro trincou o céu turvo
Onde viam apenas um parto
Percebi a nova era
Dos cabelos negros
Que nasceram longos
Do corpo frágil
Uma futura mulher
A luz cegou olhos
O som alucinou ouvidos
E o perfume ressuscitou meu coração
Para os mouros a futura rainha
Para o augusto a estrela guia
Buscará por ela um novo caminho
Perceberá na princesa moura
O amor, o carinho
4 de maio de 2007
do augusto e da princesa moura I
Eram negras as ondas dos cabelos
Como negros foram outrora meus anseios
Firmes e fortes os olhos e os dedos
Certamente, um dia, também não tive medo
Ecoava o nome em meu peito
Brilhava latente o sorriso em minha mãe
O que faria eu, se não admirar
O que mais pudera eu, se não apaixonar
De terras distantes da minha mente divagante
Uma princesa moura, negra de olhos e pele
A quem dedico meu amar
24 de abril de 2007
Giro ou cíclico
Invariavelmente as
E
Faço
Uma
E do
Variando de
Faço de
Imolo
Sacrifico
Pelas velhas
18 de abril de 2007
repressão não declarada
Quando gritei você estava lá para silenciar
Protestei e você de pronto a censurar
Lutei contra e mandou encarcerar
Fugi, sua irá foi caçar
E seu morrer?
Será que no inferno vou ver você?
Desigualdade que persegue
Inconformação, exclusão
Toda vez que tentar mudar
Estará lá para dizer não
Aceite suas correntes e tranque a mente
Mas você sabe
Minha chance de ganhar
Minha chance de parar
Nenhuma
Minha mente imunda vai sempre desafiar
16 de abril de 2007
as vezes é bom desistir
Quando eu tinha certeza
Vocês me fizeram desacreditar
Agora que esqueci
Querem que eu volte a lutar
O pior de mim vem quando deixo de acreditar
Não me procurem mais
Deixem que o tempo soterre minha pobre filosofia
Não sou poeta, nem pensador
Não sou artista, nem cantor
Nem líder, nem orador
Sua revolução pessoal
Não precisa do meu sangue emocional
Preocupem-se em ganhar todo aquele dinheiro
Abro caminho pra vocês
Não quero meu pedaço
Nem acredito mais no que fiz ou no que faço
suicido autoral
Tec, tec, tec
Os estalos do teclado
Parecem os cliques falhos desse gatilho
Adiando o fim da roleta
Adiando o fim da vida que anda russa
Todos esses caminhos levam ao fim
Mal letrado, mal fundamentado
Mal explicado, mal pensado
Achei que não iria voltar
Aqui estou
Digitando arrastado
Meu pensamento nublado
Esperando que o tec-tec faça bum
Rezando por um fim
Numa tarde quente
O vírus me alcança de repente
Talvez amanhã um descanso para o corpo
Mas o tec-tec ainda estará na mente
Esperando, esperando
O bum que pare o ranger dos dentes
?
Sempre tive dúvidas de quem sou
Alias acho que sou a própria dúvida
Duvida?
Nunca duvide de mim
Duvido que não possa desafiar
Quem não possa fazer você acreditar
Na minha própria dúvida
A dúvida de quem duvida
De que ninguém duvide
Que sou sós dúvidas
Que a grande dúvida
A dúvida de toda essa geração
Diz respeito a mim
Dúvida, dúvida, duvida?
Duvidas sem fim
7 de março de 2007
De novo o que não consigo esquecer
Da infância poucas lembranças
Quase sempre desesperanças
E uma amarga grande questão
Porque não eu?
Porque você e não eu?
A morte que chegou fria
Deixou a vida ainda mais sofrida
Não que não pudesse entender
Só não queria acreditar
Sabia que como você
Ninguém mais iria me amar
Não era pelo sangue
Nem pela imaginação infame
Amava por ser eu teu
Pelo teu ser meu
E desde então
O que eu já esperava
Desilusão
Nunca mais cavalo baio
Nem o pé na terra com enxada na mão
Sem cigarro de palha
Morreu também o Passarinho e o Maquinista
Onde estará o Zé, camarada
O Herói o Balão
Burocraticamente continuo vivendo
Cumprindo etapas de lamento
Esperando que encontre de novo
No alto da ponte alta
O meu pedaço que falta
Depois de lá também serei Quincas
E feliz sem mais nenhum copo de pinga
15 de fevereiro de 2007
Free Hugs Mann
Anestesiado e intubado procuro um grito que me tire desse como social. Se um dia saldei Zapata, Zumbi, Che, Sandino e Lampião, saldo hoje o abraço puro desse irmão. Hey “mann”! Abraço-te, onde esteja, como meu coração.
Tons pastéis
Lamentos negros
Sofrimentos brancos
A morte amarela
O seco sangue vermelho
Etnia que riam com hipocrisia
Raça que não tem graça
Escala social
Instinto animal
Mundo canibal
E ainda existe um homem
Que julga-se imortal
Todos já morremos
Enquanto cremos
Que o bom já não vence o mau
Lados, pares e quadrados
Do verso eu quero o verso
Da palavra o anverso
Do lado A o lado B
De você o que ninguém vê
Da voz eu quero o silêncio
Do pensamento quero o som
De você uma palavra que faça valer
Do tempo eu quero cada segundo
Das horas um lapso surdo
De você apenas um sussurro
Do nobre eu quero o vagabundo
Da pausa o gira mundo
De você quero tudo
14 de fevereiro de 2007
argh! (ou hélio, aurélio, cemitério)
O que faço aqui sem meu black tie?
Aliás, o que faço aqui?
Não fui convidado para o jantar
Entrei pela porta dos fundos
Mas já estou de saída
Deixo para trás a hipocrisia burguesa
Só não consigo deixar o que vi sobre a mesa
Como prato principal
Da elite no país do carnaval
Um prato visceral
Braços, dedos e outros pedaços
De uma infeliz criança
Triturada pela indiferença
Temperada pela desigualdade
Enquanto mais uma mãe chora lá fora
Comemora a sociedade neonazista, ou neoliberalista
Apreciam o prato
Trazido pelo pato
Criado em seus quintais marginais
Destinados a quem não sobrevive
A lei de quem pode mais
Comam cadáveres
Arrotem flores
Em passeadas cheias de esperança pela paz
Vou-me embora
Não carrego o preto e branco do black tie
Vim nu e só
A ausência total representa meus ideais
Demonstra minha esperança
Diz o que acho dessa sua paz
8 de fevereiro de 2007
Transmutação
Transmutação
Matem-me, já não preciso viver
Tenho certeza de quando for
Lembraram de mim pelo amor
Incondicional, imutável
Por ti, por ela, por eles, por todos
Olhem para cima
Encontraram algo que mudará suas vidas
Olhem para o lado, olhem além
Percam o foco
Encontrem o que encontrei
Além da minha dor
Um motivo, um sopro
Se não posso mudar o mundo
Mudarei a mim mesmo
Quem sabe assim contagie a todos
Mudemos juntos
Pela força arrebatadora do amor
Assim seremos lembrados
Em cada gentileza
Para sempre
Em todos os abraços
Em qualquer beijo
No mais puro olhar
De seres dispostos a amar
30 de janeiro de 2007
Oriundo de uma terra infértil e distante, localizada na mais profunda escuridão da consciência, está o ódio. Sentimento despertado pela insensatez e o descontrole, amarga quem sente e a quem é direcionado. Alguns preferem ignorá-lo, outros fazem dele combustível, e alguns, justificativa. Eu tento encará-lo, aceita-lo e, talvez, combatê-lo, pois, já que não me sinto do direito de alimentá-lo, escolho o contra ataque, quase sempre mal sucedido. Mas é preciso tentar. Evitar odiar, evitar que cresça no mundo a incompreensão dos erros. Mesmo perto continuo tentando porque, como eu, alguns outros tiveram esse sonho. O sonho da tolerância, entre as raças, entre as religiões, entre simples mortais. Sempre darei a outra face, em meu protesto pacífico, para que a humanidade perca o caminho da cidade encravada nas profundezas da primitividade, a cidade perdida onde habita o ódio. E Jesus disse: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
29 de janeiro de 2007
do absurdo
O grande senhor de porra nenhuma
De palavras belas, mas imundas
Absurdos e mais absurdos
Construídos em poemas sujos
Mal escritos, mal estruturados
Uma afronta a leis da gramática
Um grito de liberdade surdo
Para ninguém ver, para ser perdido
Sonhe com multidões se deslocando
E ganhe a inércia da expectativa
Tantos pensamentos só levam a um lugar
O anonimato desses pensamentos evolucionários
O senhor de porra nenhuma
Do castelo de idéias que desmorona
Quando a onda de realidade
Bate na areia desse pensamento absurdo
Quando o vento da hipocrisia
Sopra para longe a as folhas de ideologia
Sou eu o senhor de porra nenhuma
O senhor da poesia e do absurdo
Sou eu, indicado por deus
O poeta do absurdo
espera
Inconsciente olho para os lados
Espero um novo arrepio
Que percorra toa minha espinha
Tire-me do sério
Deixe-me cego
Faça-me suspirar
A noite vai longe
E entre calafrios
Ainda espero
Esse novo de sopro
Que faça germinar
Rosas nesse jardim de espinhos
Ainda espero
Mas sei onde encontrar
Ainda espero
Já não preciso procurar
Só preciso paciência
Nos ventos de amanhã
O que espero vai chegar
28 de janeiro de 2007
dúvida, duvida?
É tanta informação
E quanta indagação
O que vai ser?
Para quem vai ser?
Com quem vai ser?
Onde vai ser?
Porque vai ser?
Chega!
Não quero mais pensar
Prefiro deixar acontecer
No tempo certo
No rumo certo
Cada resposta
A gente vai entender