1 de agosto de 2008
anverso
E a grande alma do mundo esvai
Mulheres sonham
Homens amam
Meu espírito observa
Além da bruma
Muito além da névoa
A solidão de estar acompanhado
Milhões de palavras
O infinito de atos
Quase nenhum significado
Os olhos se viram
Dentro deste ser
O vazio
Acomodado
Atormentado
Cansado
14 de julho de 2008
7 de julho de 2008
Prólogo
27 de junho de 2008
Posfácio II
Pela falta de esperança
Camuflada em palavras de conforto
Desço do palco
Ideais, pensamentos e sonhos
Silenciosos
Como o aspirar
De um homem morto
Posfácio I
Toda a imaginação e a fábula
Inertes em um rio de lágrimas
Seres fantásticos não sobrevivem
O solo estéril de concreto
Minam sua consciência
Como um amigo imaginário
Ele se vai
Já cresceu, esqueceu a poesia
Deixará de acreditar
20 de junho de 2008
Benzedeira
Com benzina
Cachaça
Charuto
Sangue de galinha
Em cima da encruzilhada
Fazendo sinal da cruz
Ouriçar a caboclada
Com o cavalo,
O pai, a mãe e o filho
Batendo a cabeça
Pra me livrar da crença
De que todo dia
Todo mundo é mau
Valei-me “Seu” Jorge
Ogunhê
Ogum, vencedor de demanda
Ele vem D’Aruanda
Pra salvar filhos
D’Umbanda
19 de junho de 2008
Letrado, cochichado, decorado
Citastes todos os renegados
Do Bill Gates ao Kill Bill, tarantinizado
Amaste os grandes midiáticos
O Bush pai, o filho e seus espíritos, assombrados
Decorastes cada discurso commoditizado
Sem falar Adam, Nietzsche, Freire, Sartre e Che
Cada um, cada fala, em algum momento
Cada um, foi você
Mas de que falas o seu eu?
Se que um dia existiu você
De carne osso vaga
Letrando e discursando o decorado
Sem um só próprio pensamento
Nem cochichando poderá entender
Do que fala um homem libertado
Sentenciar (ou, aqui se faz e se paga)
Sigo botando fé
Na memória
Com história
Na glória
Sem escória
Você quanto reluta
Torna certeza o pesar
Sem memória
Nenhuma história
Jamais glória
Só escória
Se os seus, de dedos apontados
Eu, num coro irado:
Guarde na memória
Jamais sua história
Terá qualquer glória
És do mundo, a própria escória.
16 de maio de 2008
Oração ao fim de tudo
Que os dias passem
E eu possa me calar
A cada segundo
Menus um palpitar
Cego, surdo, mudo
Sem prosa, verso ou resposta
Que o mundo também se cale
E eu possa descansar
Findo todo absurdo
Sem poesia, sem cantar nem encantar
Que vida encerre
Eu possa acabar
Por toda eternidade
Sem sentir, sem pensar
Só resta pesar
Em som oco e fúnebre
Por tentar e tentar e tentar
Que me perdoe
Despeço-me
Cansei de azar
7 de maio de 2008
Cíclica
Acorda, corre, pressa
Muita pressa
Uma hora, duas horas
Pára, limpa o suor
Escorre, junto com idéias
Como sangue pela testa
Recomeça, corre, Pressa
Muita Pressa
Meia noite, uma hora, duas horas
Pára, não valeu de nada
A vontade continua estagnada
Desiste de pensar
Pára
Um dia pára de tentar
Há pessoas que andam
Muitas para nenhum lugar
Outras sonham
É provável Que não venham a alcançar
5 de maio de 2008
Despedida antes de chegar
Em meio a tanto sangue eu percebi que já havia chego minha hora. Pior que morrer é nem ter nascido, já disse uma vez algum espírito livre. A cada pá de terra me vem à lembrança a vida que nem tive, é como se arrepender de algo que nem foi feito. Enquanto discutem sobre o que o quanto eu iria sofrer, sobre meus temores e meus desacertos, esquecessem de mim e da vida que nem vou ter. Apenas justificativas, prerrogativas de suas próprias necessidades. Para não impedirem seus próprios sonhos me privam da chance de aprender a sonhar. E, ao me enterrarem, ficarei frio e sozinho no passado, pois nem tive um nome para que pudessem se lembrar.
30 de abril de 2008
santa peleia
A alma dança
Ao sentir sua esperança
Doces e suaves lembranças
Encouraçadas sob lanças
O sangue guerreia
Frente ao descaso que rodeia
Não perderás uma gota das veias
Honrada e sacra peleia
O espírito vence
Sobre o algoz que treme
Bem alta a guerra geme
Mesmo morto, perene
29 de abril de 2008
Furazóio
Hoje acordei meio indisposto, lavei o rosto, deitei novamente e dali a um pouco levantei, como uma sensação incrível de que mesmo de pé ainda dormia. Esse sono eternamente forçado dos olhos que não querem estar acordados. De repente algo no rádio: ”wake up!”. Meu corpo responde: “for what?”. Seria realmente bom se nada pudesse ser visto mais, um mundo de uma cegueira cansada de um stress estrábico. Sim existem coisas lindas, mas anjos caindo do céu assistidos quase em “real time”, doces vidas azedadas por décadas , filhos de ejaculação precoce eliminados num genocídio silencioso como a falta de visão. “For what?”. Mais tarde, deitei, agora eternamente. Não preciso enxergar mais nada. Das belezas tenho saudades porém, todas as maldades, meus olhos sabem de cor.
28 de abril de 2008
Pague o quanto puder
Alto ou baixo, imperceptível ou descarado, intencional ou não. Todos têm seu preço e, certamente, se venderá algum dia, ou se vendeu por todos os seus dias. Apesar de a negação ser inerente em todo homem, mesmo com discursos íntegros, éticos e politicamente corretos, a existência de um preço é certa, talvez mais certa que própria morte.
Quanto mais baixa a classe social, mais barato o valor atribuído ao código de barras biológico desse homem quase sempre simples e necessitado, que se vende sem nem mesmo perceber. E, quanto mais elevada à posição dentro da sociedade, maiores são as chances de valorização do preço individual e coletivo. São maiores as ofertas, mais longas as negociações e, inevitavelmente, a mercadoria torna-se mais expansiva, praticamente um artigo de luxo.
Mas não se condene, por ter achado ou não seu preço, mesmo inconscientemente você já foi vendido. Negociamos, diariamente, nossas aspirações sociais, barganhamos nosso profissionalismo, vendemos nossos ideais e, até mesmo, colocamos em “saldão” nossas crenças, nossa religiosidade e nossa cultura. A cada troca de emprego, no vai e vem de dos amores, na busca pela “salvação”. Pagamos, recebemos, trocamos... Enfim, sobrevivemos, comercializando, o que temos como podemos.
O preço seja tangível, monetário, filosófico ou fisiológico, é o produto do recebemos subtraído do que pagamos.
Alguns, poucos, conseguem valorizar esse preço durante a vida. Outros, muitos outros, mendigam. Doam todo seu valor em troca de migalhas, a cada segundo mais escassas. Migalhas que se traduzem em um pedaço de pão ou apenas respeito. Porém esse processo também é um preço, nem legal, nem ilegal, apenas real.
Nem sempre há justiça nessa matemática do valor humano. O que recebemos pode sair muito caro, levando em conta o que cedemos. O ideal persistente no instinto de cada homem é equilibrar essa balança comercial, em alguns casos “a qualquer custo”.
A busca pelo superávit pessoal é, invariavelmente, complicada e, diversas vezes, desleal. Em tempos onde a oferta da mercadoria humana é infinitamente maior que a procura por essa nobre matéria prima fica difícil reconhecer o próprio preço.
Pense e pague o quanto puder para decidir quanto vale seu próprio preço.
Ânsia
Estranhas entranhas
Reviradas sob escadas
Escancaradas, afogadas
Embebidas em bílis
THC, nicotina, purpurina
Cat Show, Catsy, Purina
Estranhas entranhas
Castradas, inférteis
Infiéis, estéreis
Prelúdio do vomito
É a ânsia
Regurgita o ócio
Elimina o estereótipo
Estranhas entranhas
Agora quietas
Eno, sal de frutas, sonrisal
Acalma a azia
Resfria a queimação
Com extrema estranheza
Uma última gorfada
Antes do novo mal estar
Estranhas entranhas
Derramadas aos pés
Não da mais pra segurar
5 de junho de 2007
Incomodado
Incomoda-me
A
Incomoda-me
Alucinado, diriam
Revoltado, anuncia
Incomoda-me
A
Incomoda-me
Incomoda-me as
A
Incomoda-me
Equivocado, diria
Iluminado, sentirá
23 de maio de 2007
fuck you, fuck me, fuck her, fuck him, fuck all
Opa! Beleza?!
Que trampo legal…
Vamos trabalhar juntos?
fuck you
Claro… fica tranquilo
Depois a gente vê comofica
Senta aí....
fuck me
Hahaha! Cês são mesmo bons
Adoro tudo isso
Dá pra ensinar?!
fuck her
Pô não deu…
Acabei esquecendo
Ah veio! Agora cê tem que se virar
fuck him
Ele é mesmo um esnobe
Acha que é fodásico
Mas é bobo, vamu chupar tudo
fuck all
16 de maio de 2007
decifra-me
Confesso, ando meio confuso. Às vezes acho tão previsível meu próprio absurdo. Sem demagogia ou falso niilismo, não to querendo nepotismo no meu pensamento, se ninguém consegue, como posso pretender empregar esse vacilo filosófico. Tenho quase certeza que não credito mais fielmente nessa criação virtual do meu espírito animal. Um anarquismo católico, capitalismo filantrópico ou ainda socialismo neo-liberalista. Terror. Terrorismo individualista ego centrista, talvez chamem assim em um livro de 2027. Por enquando acostumo a ser consultado e depois desprezado, amado e logo odiado, hora sensato, hora alucinado. Dói a máquina que possessa meus gigahertz de futuros visionários pensamentos. Dói o coração que não acompanha o ritmo frenético desse descontentamento. Mas brilha fundo um sorriso de estar certo para ser contrariado.
वहत?
Pare
Siga
Continue
Recue
Adiante
Volte
Estátua
Movimente
Vivo
Morto
Morto
Vivo
Agora explique-me
O que quer de mim?
8 de maio de 2007
sorria
Num dia daqueles
Um velho sem dente
Com muita coisa na mente
Perguntou-me, o que te faz feliz?
Claro que não soube responder
O sucesso, o reconhecimento
As conquistas, os sentimentos
Não disso em satisfazia mais
Vendo-me calado
Apontou-me seu sorriso
Sentindo-me apavorado
Disse, sem o menor pudor
Antes do fim da tarde
Faça esse sorriso brilhar novamente
Pois é lê que comanda seus próprios dentes
Faça da boca dela tua luz
Pois só a janela da alma dela traduz
O que te faz feliz?
Sem mexer os lábios
Indagou novamente à minha mente
Vela contente
Respondi, também sem mexer os dentes