28 de maio de 2009

Bricoleur

Será poesia o design, ou design a poesia
Será criatividade a alucinação, ou alucinação criatividade
Serei eu o criador, ou penas fui criado
Servirá a mima criação, ou como servo serei criado
Medico ou monstro, monstro e médico
Da galinha o ovo, do ovo a galinha
Sobre qualquer divagação, divago
Mesmo não sendo minha, a noção do produto exato

12 de maio de 2009

Re-educação

Ainda estamos em plena escravidão
Nosso ópio, cevada
O churrasco o grande pão
Nossa própria morte é o circo
Diversão popular na televisão
Salário mínimo
Chibatadas intensas em recessão
Da vida nos resta um padrão
Comer, beber, defecar e morrer
De cabeça baixa
Sob a mira do capitalismo patrão
Sem honra, sem nome, sem opinião
Resta-nos calar
Ante a camuflada repressão
Nem pão nem circo
A opressão
Faz-se comunhão

Sobre independência, saudades e mundo

Necessito ser eu
Um ser errante
Vagabundo
Vagando sem pena
Sem mendo de tomar-me vago
Não sinto saudades
Não quero nada do mundo
Mas sou dependente
Do meu próprio absurdo

8 de maio de 2009

6

Seis

Minutos
Horas

Dias

Meses

Anos

Décadas
Séculos

O tempo que for

Tudo nosso amor irá transpor

A alegria e a dor

No fim

Será tão forte

Como num certo beira-mar

Seis

Segundos

Bastaram para saber

Que seu calor

Far-me-ia delirar

Pelo tempo que for

29 de abril de 2009

Onde está Wilson?

Ali, à frente
A ilha onde nada há
Cercada de pequenas penínsulas
Ainda mais vazias
Só, no cento
O naufrago, com azia
Morreu de tanto tentar
Descobriu que dói pensar
Dor insuportável
Em meio a ecos
Da própria afasia
O último instante
A descoberta
A morte não traz descanso
Falecer é teatro
Fantasia
Pura hipocrisia

Má digestão

Sigo devorando o mundo
Mesma já quase sem dentes
Digerindo sapos e serpentes
Defecando sobras
Em seu banquete latente
Vou ingerindo grandes nacos
Dessa carne putrefata
Da qual é feita essa sociedade
Canalha como lamina de navalha
Vomitando líricos versos
Meu sonho versus seus ganhos

27 de abril de 2009

pixealizando o impixealizável

Preciso de um aditivo
Na verdade
Quero mais adjetivos
Fomentar a massa inerte
Gelada e sem vida
Que ocupa a lacuna
Entre olhos e cabelos
Aquilo que já chamei de cérebro
Hoje um HD estéril
Informação é o que não falta
Mas falta combustível
Um verbo como aditivo
Pensar em novos adjetivos
Um HD sem memória
O que já foi cérebro
Hoje é apenas a quebra de um link
Sem conectividade
Nem objetividade
Um sinal ocupado
Para mim mesmo

15 de abril de 2009

Uma vez tracei
Pai, Filho e Espírito
Hoje refaço o traço
Pai, Filho, Espírito e Santos
Laurentino, Quincas, Ilton, Naninho,
Pãozinho e outros tantos)
Hoje você falou sobre meu humor... Digo que está longe de ser felicidade, foi apenas um tolo conforto dos curtos tempos de paz. Cada dia mais sinto-me guerrilheiro, quase só no “aparelho” instalado na minha própria cabeça, saindo a noite para selva onde caço lacunas do futuro e do passado onde posso sincronizar o todo quem sempre amei. Todo que para mim é tudo, onde estão, pai, mãe, avós, avôs, irmãos e a arte, elemento sempre presente, mas que já não me satisfaz.

6 de abril de 2009

Desalento

O desalento é volátil elemento
Horas inflado, deveras inflamado
É pretexto em qualquer contexto
Manha em cada manhã

O desalento é preguiça majestosa
Em segundos expansível, sempre consumível
É placebo em inexistente doença
Birra em meio à intriga

O desalento é do ego cafuné
Instante do antes, pedante do depois
É mentira em vigília
Desculpa na falta de muleta

O desalento é mesmo rancor
Terror em memória, pavor em busca de glória
É reticências na prosa
Interrogação em meus versos

O desalento até é frescor
Reflexão para quem pensa, oração para alma tensa
É pausa às vezes constante
Indicio de ânimo em cérebro inconformado

O desalento, em toda certeza importante
Ciclo quase incitante, volta errante
É necessário em tom revolucionário
Único e relevante

9 de março de 2009

Nem consolo, nem desabafo

Faço da suas as minhas palavras
De seu ódio meu motor
Faço do seu sangue combustível
De suas idéias a revolução
Adiável, mais imprescindível
Faço das suas as minhas lágrimas
Do som de seu choro a minha promessa
Rirão agora
Gozarão sobre essas pequenas sobras
Mas ainda verão
A verdade, a compreensão e a razão
São todas nossas

19 de fevereiro de 2009

Prática

De noite
Comer os restos de mim mesmo
A fim de ter só para mim
O que durante o dia sempre foi só meu
Pela manhã
Regurgitar os restos embolados
Na esperança de encontrar o eu
Que já não é mais meu, nem eu
De novo o dia
Digerindo como vermes no esterco
O bagaço disforme
Que outrora teve um nome
Nome este que chamaram a mim

20 de janeiro de 2009

mascarado

O peso sobre as costas
Massacra os pensamentos
Sob minha alma, soterrados
Seguem antigos sonhos
Abandono gotas de sangue
Em cada canto de mim mesmo
Escuro como óleo
A gangrena to tempo
Sem descanso
Nem um pequeno intervalo
Segue está vida
Que não pedi
Segue essa mágoa
Mesmo quando o corpo sorri
A cada tapa
Ofereço o outro lado
Assim aprendi
Ser escravo de vontades
Serviçal de seu lapso de bondade
Hoje, sempre
O peso massacra
Camuflado de liberdade
Disfarçado em mim

15 de janeiro de 2009

Tenha coração

Respire, transpire, corra, sofra, olhe, se desdobre. Faça tudo, mas faça com coração. Não temos duas chances na vida e, para ter certeza que dará tudo certo, sempre, é só ter coração.
Todas as outras dicas são boas, são válidas, mas nada melhor do que fazê-las de coração. Assim, às 11h 59min, do dia 31 de dezembro de 2009, sem arrependimentos, agradeceremos juntos, pois amamos, gritamos, choramos, brigamos, crescermos, conquistamos. Sempre com coração. Um belíssimo ano a todos e contem com meu coração!

suicídio e redenção

hoje acordei com uma gigantesca vontadde morrer
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
deixar de lado a desesperança da minha vida
hoje vou dormir querendo viver
viver sem essa ferida
viver por essa ferida
resgatar na morte a vida q não em deu saída

1 de dezembro de 2008

Sem título, sem tema, sem lema...

Sem ponto nem vírgula segue frenética a vida. Como lombriga. Devora a calma e regurgita a alegria. Consome. Sem exclamação nem interrogação segue rápida, mas estática, em um corpo sem vida.

Sob minha cegueira

O que diriam as rosas
Por trás de tantos espinhos
O quem sonham entre os dentes
Os homens descontentes
Qual o cheiro presente
No sexo latente
Do que sente vontade o santo espírito
Todo esse tempo onipresente
Espirros e soluços nunca trarão respostas
Nem tão pouco será livre
Submerso nessa busca insólita
O que almeja sua mente sem pudor
Do fracasso
Qual será o odor
Porque respirar
Se sempre o que lhe vem
É a falta de ar
Despertar
Só se for para enfrentar

3 de novembro de 2008

canção de ninar

Bravura e Grossura vão se e casar
Sabe deus o que virá
Um anjo cheio de cólera
Ou um lindo diabinho
Que adora canção de ninar
Para Bravura, Grossura é doçura
Para grossura, Bravura é ternura
Mesmo sempre errados
Vão eles para sempre amar

29 de outubro de 2008

Carne crua

Vamos ressaltar a hipocrisia
Sorrir entre os dentes
Fingir alegria
Vamos às urnas
Eleger como presidente,
O bobo da turma

Vamos acusar Nietzche de heresia
Impelir ao gay a alcunha de doente
Adquirir essa alergia
Erguer renitentes
A voz da prolixa fortuna

Vamos amamentar o caos com azia
Sucumbir ao consumo, veementes
Infligir a sanidade
Ranger das correntes,
Do corpo mole na tumba

Vamos acalentar essa afonia
Implodir sob os emergentes
Admitir o silêncio
Prover contentes
Facadas na carne crua

28 de outubro de 2008

sobre eternidade

Ainda que pareça distante
A voz do meu coração
Sempre clama pelo seu amor
Mesmo que pareça irrelevante
O poder do meu coração
Moverá o mundo
Para que não sinta dor
E quanto tornar-se entediante
Alimentarei com chamas nosso ardor
Que seja eterno enquanto dure
E dure enquanto eu existir
Pois nada sou
E nada serei
Além de coração
E coração não existe
Sem nosso amor