21 de maio de 2010

especialmente (...)

Inigualavelmente inconquistável
É nosso amor
Imprudentemente ardente
Essa paixão
Surpreendentemente notável
Esse querer
Certamente inalcançável
Nosso fervor
Brevemente invejável
Eu e você,
Sempre

19 de abril de 2010

Mastigando cérebro, afinal ele nada mais é do que uma gigante goma cinzenta de vários sabores. De quando em quando é doce como amor de mãe, outras tanta,s azedo igual a pai que nunca vem. Alguns dias pura pimenta, tal como paixão adolescente ardente. Na noite é gelado, tipo ácido mal entornado. Pra mimé sempre fantástico, multi-saboroso, como chicletes Wonka. Raiva, ódio e desejo. Medo, prazer e sossego. Ainda que o meu deverás mascado esteja, tem caldo, azul, vermelho, negro. Só não fica seco. Mastigando cérebro, enquanto vejo duros e sem sabores os teus anémicos neuro condutores.

31 de março de 2010

censurada

Palavra é vício
No papel, baseado, aceitável
Na boca, ácido, inimaginável
Verbo conjugado
Em som impublicável

Verbo é dependência
Na medida, coerência
No excesso, retórica
Palavra cantada
Com surdez, censurada

anjos e augustos

Anjos e demônios
Augustos e robustos
Velhos e decrépitos
Augustos são anjos
Robustos meus demônios
Decrépitos, todos, que estão velhos

Dos demônios
Eu, anjo augusto
Dos decrépitos
Velho demônio
Augusto, dos anjos
Velho robusto
Eu, quase decrépito

17 de março de 2010

to be

Posso perder o sol e até a lua
Deixar para trás meus dias e noites
Perder a vida e nem chegar a morte
Que escape pelos dedos sonhos e realidades

Posso perder o certo e até o duvidoso
Deixar de lado conceitos e preceitos
Perder as horas sem sentir os minutos
Que suma de mim a saúde e o prazer

Só não posso perder você para mim mesmos
Então não deixe escapar o eu de mim
Encontre bem no fundo o que sempre fui
Mostre a mim quem eu ainda sou

Para você, sempre estarei aqui

15 de março de 2010

XXX

vocé irá me deixar vagar os dias sonhando com teu gosto
noites em claro tentando decifrar seu cheiro
meses, décadas, quiçá séculos, amargando meu desejo
você ira pertubar minha existência com o calor de um só beijo
molhado, suado, sempre acordarei "videando" seus segredos
até o ultimo segundo gritarei calado:
possua-me

21 de dezembro de 2009

As palavras que ninguém lê trazem-me a certeza de que já estava morto antes mesmo de nascer.

Submissão

Quando não ecoo
Você conforta-se
Se já não vibro mais
Entendes como segurança
Meu pensar esvai-se
Tens, então, esperança
Com meus sentidos controlados
Sua felicidade dança

Talvez seja hora de morrer calado
Para prospera nossa aliança

9 de dezembro de 2009

Vísceras

Acordei em vísceras
Vermelhas como os tomates
Jogados ao bobo, na corte
Cheirando solidão
O eu desfazendo em putrefação

Mastiguei tais vísceras
Como goma de mascar
Grudadas em sapatos velhos
Aspirando nostalgia
Poluindo o corpo como alergia

Regurgitei minhas vísceras
Gosto raro de leite velho e azia
Deixado pra fora na noite fria
Coalhando esperança
Mente revira em lembrança

7 de dezembro de 2009

Sarjeta

Rebelde sem causa
Poeta sem livro
Artista sem tela
Músico sem cantiga
Lenda sem história
Apaixonado sem amada
Espinho sem flor
Criatura sem criador


Sou eu sem eu mesmo
Sou o mesmo que nunca fui eu
Alma sem corpo
Espírito sem encarnação
Só assim sou eu
O que não fui
Nem serei

4 de dezembro de 2009

Seja como for
Mesmo que não for
Mentiras
Verdades
Importa apenas
A realidade
Serei para sempre
(mesmo que sempre não exista)
Só seu
(deixe que meu coração insista)

30 de novembro de 2009

Subjetividade, pequena diferença entre ser e estar. Muito dizem ter, poucos podem alcançar. Poder criar, referenciar, aperfeiçoar e humanizar, sem nunca copiar ou fraudar.

ecos

O silêncio
Grito forte
No qual mora certeza
Já não faz mais parte
Da vida que late
A caravana passou
E ficaste
Esquecido
Em silêncio
No silêncio
Do grito só restou
Sombras
Cópias
O fim

23 de novembro de 2009

Falaram-me que levo a vida muito a sério, talvez seja porque ela não costuma sorrir assim tão fácil pra mim.
Não acredito em Deus nem no Diabo. Mas sei bem o que podemos fazer com 'Eles'.

Eterno

Quando meu coração bater
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você

Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena

Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus

Eterno

Quando meu coração bater
E soar como a última vez
Aposte, sem medo de perder
Essa e todas as outras
Foram por você

Quando não mais pulsar
Não tema
Ainda te amarei
E sempre valerá a pena
Mesmo quando a alma for pequena

Quando nem pó restar
Tenha certeza
Tudo se esvaiu por você
No retorno, se houver
Todos os voos também serão seus
A solidão é caminho sem volta.
Uma vez que sua voz se cala.
Ninguém chamais tornará a ouvir.
Nem um suspiro seu
Creia em que você quiser. Eu, não acredito nem em mim mesmo.

Quem?

Inexistir, o ato de deixar de ser quem nunca fui.
Calar lembranças que nunca tive, nunca foram minhas.
Traçar memórias desejáveis, mesmo que infundadas.
Inexistir, deixar ser quem você realmente ama.
Ainda que eu mesmo morra de ciúmes
Pelo outro que sempre amará, o outro que não sou eu.
Inexistir será mais fácil assim
Sem perturbações, só seus olhos, como no início
Amando o que parecia ser eu, porém forte, como nunca fui.