Só queria sentar ali
Sob a velha árvore
Com minha lembrança antiga
Sobre um avô velho
Seu antigo causo
Na toada da velha viola
Ressoar o antigo rock rural
Rei, ror, létisgor!
9 de abril de 2012
Andante
Antes
Passos lentos
Sem nunca chegar
Sonhando
Sem lamentos
Agora
Velocidade máxima
Chegar e partir
Sem sonhar
Sofrendo
Passos lentos
Sem nunca chegar
Sonhando
Sem lamentos
Agora
Velocidade máxima
Chegar e partir
Sem sonhar
Sofrendo
3 de abril de 2012
Quadrinha
Saudade da Preta
Do fogo de seu candeeiro
Que me rogou feitiço
Para dançar só em seu terreiro
Salve Janaina
Menina Iemanjá
Um só soluço seu
Já me faz amar
Do fogo de seu candeeiro
Que me rogou feitiço
Para dançar só em seu terreiro
Salve Janaina
Menina Iemanjá
Um só soluço seu
Já me faz amar
Errata
Algumas manhãs reservo pra assumir meus erros. Não são poucas as que se estendem pelas tardes, afinal, são tantos erros antes de um acerto.
3 de Abril
Encanta ainda ser criança
Na tranquilidade colorida
Desse jardim no céu
Bolhas esquentam o ar
São sorvetes de doce mel
Química, física, apenas alegria
Inflam a esperança
Em meu tolo coração de papel
Onde nunca quis estar
Mesmo assim,
Volto a sonhar
Na tranquilidade colorida
Desse jardim no céu
Bolhas esquentam o ar
São sorvetes de doce mel
Química, física, apenas alegria
Inflam a esperança
Em meu tolo coração de papel
Onde nunca quis estar
Mesmo assim,
Volto a sonhar
13 de março de 2012
Relembranças
Costumo lembrar do que para outros é pouco importante. O cheiro brando do silêncio ou o gosto cítrico do reencontro. Lembro-me também da novidade estourando como bolhas de gás no céu da boca e da miséria prensando a dignidade tal qual um golpe forte na boca do estomago. Mas o que nunca deixo mesmo de lembrar é o aroma pálido da morte, chocando a todos, para provar que ainda estamos vivos. Quem não se lembra de nada disso, provavelmente, nunca entenderá porque o ruído de um bebê que soluça eternidade ao nascer é tão extasiante.
22 de fevereiro de 2012
Cinzas
Olha a quarta-feira
Tão cinza
Como segunda-feira
Que não termina
Veja o sorriso do palhaço
Tão sem graça
Como a última nota da marchinha
Que não rima
Olha, veja, lá se vai o carnaval
Tão cheio de saudade
Como o lágrima do Pierrot
Que não tem Colombina
Olha só
Veja bem
Só cinzas
Tão cinza
Como segunda-feira
Que não termina
Veja o sorriso do palhaço
Tão sem graça
Como a última nota da marchinha
Que não rima
Olha, veja, lá se vai o carnaval
Tão cheio de saudade
Como o lágrima do Pierrot
Que não tem Colombina
Olha só
Veja bem
Só cinzas
8 de fevereiro de 2012
Tons
Vermelho
Seu sangue, herdeiro
Rubro
Minha terra, agora sua
Grená
De alma livre
Escarlate
De fé sublime
Pitanga
Somos todos nã
Coral
Irmão cari
Seu sangue, herdeiro
Rubro
Minha terra, agora sua
Grená
De alma livre
Escarlate
De fé sublime
Pitanga
Somos todos nã
Coral
Irmão cari
7 de fevereiro de 2012
Mormaço
De repente
Estava quente
Gritou dormente
Sai da frente
Atrás vem gente
Tchibum!
Indigente
Na água latente
O suor descrente
Fez-se descente
Valente
Chuá!
De repente
Estava quente
Na água a semente
Que o calor fermente
Verão veemente
Vapor!
Estava quente
Gritou dormente
Sai da frente
Atrás vem gente
Tchibum!
Indigente
Na água latente
O suor descrente
Fez-se descente
Valente
Chuá!
De repente
Estava quente
Na água a semente
Que o calor fermente
Verão veemente
Vapor!
30 de janeiro de 2012
Amanheceu
Enraizado e envernizado
Aperto play, engatilho o macaco
São dez cordas, bordões desafinados
Canto a discórdia do homem civilizado
Mixando valentia de herói do passado
Sou caipira, pira, pora
Remix de cangaço, oratória do mormaço
Do rap ao roll com sotaque eu descasco
Da toada vem fechada, corte e facada
Madando lero para o povo sonhador
Aperto play, engatilho o macaco
São dez cordas, bordões desafinados
Canto a discórdia do homem civilizado
Mixando valentia de herói do passado
Sou caipira, pira, pora
Remix de cangaço, oratória do mormaço
Do rap ao roll com sotaque eu descasco
Da toada vem fechada, corte e facada
Madando lero para o povo sonhador
20 de janeiro de 2012
Sincretismo
Amém
Axé
Meu Deus
Saravá
Viva Nossa Senhora Aparecida
Salve Mãe Iemanjá
Eu não sou santo
Mas sou caboclo
Toco viola
E danço coco
A pela é branca
De alma negra
Velei-me São Jorge Guerreiro
Beria-Mar auê,
Meu Ogum Vermelho
Graças e louvores
A todo momento
Ao Divino encantamento
Axé
Meu Deus
Saravá
Viva Nossa Senhora Aparecida
Salve Mãe Iemanjá
Eu não sou santo
Mas sou caboclo
Toco viola
E danço coco
A pela é branca
De alma negra
Velei-me São Jorge Guerreiro
Beria-Mar auê,
Meu Ogum Vermelho
Graças e louvores
A todo momento
Ao Divino encantamento
19 de janeiro de 2012
Anos
Desde a pasta de dente
Todo dia é diferente
Mesmo com alguns gritos
Sempre lembro dos sorrisos
Afinal, são eles
Que fazem meu coração latente
Todo dia é diferente
Mesmo com alguns gritos
Sempre lembro dos sorrisos
Afinal, são eles
Que fazem meu coração latente
13 de janeiro de 2012
Prefácio do início do fim
Sim eu também escrevo
É sobre o fim do mundo
Sobre a dor do pé no frevo
Do carnaval ao enterro
Rabisco pra não ficar mudo
Conheça então meu absurdo
É sobre o fim do mundo
Sobre a dor do pé no frevo
Do carnaval ao enterro
Rabisco pra não ficar mudo
Conheça então meu absurdo
Embola
Ouço poesia com cheiro de terra molhada de suor do ouro crioulo. E eu respiro o que parece um rio de mim mesmo. Também sou trovador desse imenso desespero. Salve mestre, salve povo brasileiro.
5 de janeiro de 2012
Espirituosidade
Espirituosidade
Malandragem de malungo
Oxalá abre a porteira
Yo quiero ver o mundo
Sinto falta desse cheiro
Perfume de absurdo
Onde reza a lenda
Do profeta vagabundo
Espirituosidade
Chave mestra do oculto
Saci acende a erva
Quero um trago do ciullo
Abundância de sabor
Gosto forte de calor
Realiza a profecia
Do pobre sonhador
Malandragem de malungo
Oxalá abre a porteira
Yo quiero ver o mundo
Sinto falta desse cheiro
Perfume de absurdo
Onde reza a lenda
Do profeta vagabundo
Espirituosidade
Chave mestra do oculto
Saci acende a erva
Quero um trago do ciullo
Abundância de sabor
Gosto forte de calor
Realiza a profecia
Do pobre sonhador
6 de dezembro de 2011
fake
fico aqui vendo, como é velho seu pensamento
fruto da hipocrisia do seu lamento
tento, juro que tento, mas não entendo
como é falso todo esse seu ornamento
descanse só esse momento
tal quel um azedo fermento
e mostra tota realidade do seu tormento
fruto da hipocrisia do seu lamento
tento, juro que tento, mas não entendo
como é falso todo esse seu ornamento
descanse só esse momento
tal quel um azedo fermento
e mostra tota realidade do seu tormento
16 de novembro de 2011
Apocalipse
Quando heróis nascem mortos
Deus cospe sobre nossos corpos
Não existem vilões, apenas coalizões
Nem demônios, nem anjos... Gabriel
Restam as superstições, Azazel
Deus cospe sobre nossos corpos
Não existem vilões, apenas coalizões
Nem demônios, nem anjos... Gabriel
Restam as superstições, Azazel
8 de novembro de 2011
sim
Um dia, algum tempo atrás
Disseram-me não
Nos dias seguintes
Sucessivamente
Mais e mais nãos
Enfim, outro dia desses
Ela disse um só sim
Nunca mais precisei de nada
Para viver assim
Feliz, até meu fim
Disseram-me não
Nos dias seguintes
Sucessivamente
Mais e mais nãos
Enfim, outro dia desses
Ela disse um só sim
Nunca mais precisei de nada
Para viver assim
Feliz, até meu fim
1 de novembro de 2011
Oração
Dia de todos os santos
Invoco o protetor
Deus, pai e avô
Anjo da guarda e zelador
Da terra o cabloco rezador
Dia do meu único santo
José dos Santos
Quincas, grande peleador
Trava guerras com minha língua
E derrota com amor
Dia do anjo santo
Salve a morte e a redenção
Sigo debaixo da fumaça
De cigarro velho de palha
Forjado de causos, ele que nos valha
Dia do santo anjo do senhor
Sua cultura
Minha carapaça
E a espada
Nossa toada
Invoco o protetor
Deus, pai e avô
Anjo da guarda e zelador
Da terra o cabloco rezador
Dia do meu único santo
José dos Santos
Quincas, grande peleador
Trava guerras com minha língua
E derrota com amor
Dia do anjo santo
Salve a morte e a redenção
Sigo debaixo da fumaça
De cigarro velho de palha
Forjado de causos, ele que nos valha
Dia do santo anjo do senhor
Sua cultura
Minha carapaça
E a espada
Nossa toada
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