30 de janeiro de 2014

rasgo-me
depois remendo
cada corte fechado
é ensino do tempo

21 de janeiro de 2014

preto

de canto livre
agora em alma vive
ide em paz
que nosso sol,
sem dó, se arranje 

15 de janeiro de 2014

indo ao nacional

Ouviram? Lá do Ipiranga, as "margens" cálidas
Um povo heróico, preto, pardo, pobre... mas relutante
Sem sol, sem liberdade, só (pelas frestas) raios frios
Tomou o céu da (outrora) pátria em um só instante.

9 de dezembro de 2013

não precisa nome
nem ao menos sobrenome
só precisa ser homem
mãos à obra
eles pensam
enquanto dormes

4 de dezembro de 2013

Decida-se, empenho versus desdenho?
claramente prefiro desenho
no certeza do senho
que tenho

3 de dezembro de 2013

Gozo

O Brasil é pior que punheta
Gozar nas coxas ou nas tetas
Ô país brochante
Onde inseminação artificial
É, do sexo, a posição mais excitante
Somos ejaculação precoce
Da preliminar constante

25 de novembro de 2013

sem pedir licença ao entrar
nem tampouco desculpas ao sair
todo amor é sem educação
dispensa etiquetas ao se despir
sobre a  a pele só deixa paixão
se não mais dizer sorrir?
bate a porta, sem cerimônias, sobra solidão
quando der na telha, pode até voltar
mas é sempre parar desajustar
afinal, amor não é para coexistir
nem mesmo para completar
amor, de verdade, é para tomar

20 de novembro de 2013

a consciência é negra
de alma branda
o copro que treme
a voz arranha
é difícil entender que esperança,
ainda, é só branca
pobre vereador
vela a dor
de aguardar com fervor
seu cheque ao portador

assalto a mão armada
seguido de um bela mamada
as vezes boas chupadas
sempre na mamata

pobre vereador
responde ao clamor:
sou do povo o ator
logo, finjo resplendor

a patota desavisada
esqueceu a máxima rechaçada:
a democracia aclamada
da demagogia politizada

quadrilhas e quadrinhas

petralhas, tucanalhas
ou coisa que o valha
pra seu governo
no país chamado Brasil
em quinhentos ou dois mil 
com céu sempre anil
nunca prevalece quem trabalha
alias, isso é coisa de gentalha

13 de novembro de 2013

Eu não mereço
Nem um terço
Do que vejo
Em seu começo
Que dirá o que antevejo
de todo seu apreço
A Jana é linda.
Se não bastasse,
Me deu você, menina.
Se é possível,
Ainda mais linda.
teu encanto,
onde descanso.
teu sossego,
meu remanso.
Amora 
Não é fruta
É menina pura
Já nasceu Madura
Pronta pro agora

Pra levar embora
Coração mundo afora
Saudade demora
Diz que está na hora
De viver Amora 
Esperando voltar pra casa 
Esperando a hora que passa 
esperando sua graça

1 de novembro de 2013

01/11

Hoje
Todos os santos

Ontem
José dos Santos

Amanhã
Será ainda

Sempre
O velho Vô Quincas

Nunca
Esquecer de onde vim

Todo dia
Espera ele por mim
De cordel em cordel
Não vou pro céu

Desculpa de alienado é o capeta

Tenho dó do Demonio, anjo caído.
Difamado, coitado e traído.
A ele atribuem tudo, verdadeiro fodido.
Dizem ser dele, até os erros  não assumidos.
Sim, é mais fácil pisar no rabo e apontar o bandido.
Queria ver se fosse você o imaginário banido.
Coitado do Demonio, inanimado e maldito.
Assume a maldade do homem, dito bendito.
Cramulhão é desculpa desse ser iludido.
Acredita que passando a culpa será absolvido
Assim, ele se esgueira, e você dorme tranquilo.

30 de outubro de 2013


Então, depois de caminhar por um longo tempo, ele se sentou contra o sol e olhou a própria sombra refletida no sopé da montanha. Longa e tênue, escura e vagarosa, sofrida como dia a dia, mas serena como só as consequências podem ser. Contemplou mais algumas vezes, ergueu-se – ela também se erguia, a espreita –, encarou-a e, só então, foi capaz de dizer: "Mesmo longe, qualquer lugar parece perto de mais de você".

28 de outubro de 2013

dever à divida

Devemos
Pagamos
Contraímos
Dividimos
Eternamente

Devemos
Negamos
Subtraímos
Desvendamos 
Diariamente