28 de outubro de 2014

Pirâmide Invertida

reza o terço
prega o preço
homem de berço
nem conhece o beco
mas destila doses de medo
espera sua parte, seu terço
não importa o preço
faz valer o berço
dana o beco
sem medo

4 de agosto de 2014

CiRclo

Sociedade
Violenta.
Rapidamente,
viola.
Para ressarcir,
é lenta.

Dia a dia
Viola e desalenta
Noite e dia
Viola e alimenta.
Sociedade
Violenta.

30 de julho de 2014

Placebo

E esse passo pesado
Tal qual quem arrasta correntes
Desse olho amedrontado
Sinfonia alta do ranger dos dentes
No fim, é tudo sugestionado
Tão real quando poder da mente
Aos próprios olhos, escravos
Para outro, livre demente

17 de junho de 2014

ventos vaiantes

contra vaiantes
venham uivantes
os errantes
(marginais emocionais)

fortes como antes
respeitáveis feito gigantes
louváveis amantes
(vicinais, incondicionais)

calem ululantes
tais deselegantes
como jamais viram antes
(jamais, jamais)

10 de junho de 2014

homem do ano

dor de dente
lembrança latente
da dor da mente
analgésico demente
para quem mente
a dor que sente 

26 de maio de 2014

que venha

se viver, que venha armado.
armado até a mente,
de todo pensamento valente

de vontade inconsequente.
afinal, os dias são latentes
com certeza incoerentes.

se viver, que venha.
já não estou armando,
mas sigo amado...
efervescente.

21 de maio de 2014

a palavra terna
da poesia eterna
no verso do acaso
sempre me acabo 
palavra é rasgo
(poesia) cravada em pedra

19 de maio de 2014

c'alma

espera
quem tem calma
desespera
quem tem alma
sobreleva
quem tem c'alma

6 de maio de 2014

giramundo

levanto-me,
outro dia dia.
o que espero?
mudar o mundo.

entre risos,
dia a dia,
é certo,
não consigo.

mas mudo.
todo dia,
a mim mesmo,
a cada segundo. 

30 de abril de 2014

mesmo sem surra
censura
crua

pseudo cura
autua
a tua

não cala
dita
dura

28 de abril de 2014

abduções

eram indigenistas
os que aos índios exploravam
serão alienistas
humanos por aliens explorados 

24 de abril de 2014

Querer ou não querer...

A questão
Não é querência,
É precisão.

Na essência
Toda escolha,
É opinião.

Sem reticências
Cada ato,
Da fé, é profissão.

Quem quer
Porque precisa,
Faz ocasião.

22 de abril de 2014

minha infelicidade é constante
para melhor aproveitar a felicidade instante

31 de março de 2014

acorde, brado repugnante

espero que o povo "acorde"
deixem essa sinfonia pobre
desafinada e torpe
do ontem melhor, ó ode,
hoje pior, e o amanhã  "fode"
sem melodia, cantam a sorte

27 de março de 2014

autoimune

busco imunidade
contra a humanidade
não parece, mas é verdade
o quanto são desumanos
homens, de qualquer idade

busco imunidade
contra as amenidades
das crenças e responsabilidades
desinstituir o ser humano
celebrar a pura animosidade

busco imunidade
contra a mentira, dita realidade

21 de março de 2014

com o passar do tempo, as pessoas vão te ensinado a desistir. você começa desistindo de pessoas específicas, em seguida, de grupos inteiros. existe um momento que pensa em desistir de todas elas, até o segundo seguinte, onde desiste de você mesmo. afinal, que orgulho há em ser pessoa, se essas não se orgulham de ser coisa qualquer, a não ser dizer que não são elas mesmas. aprendendo a desistir, de insistir, de ver pessoas trocando cosmos sobre a mesa.

17 de março de 2014

clareia

você até se esqueceu
mas eles lembram dos seus
salve a tradição, a irradiação
do fazer de coração

ajoelhe-se e agradeça
antes que desapareça
para toda crença pede bença
à dona Clara, pede licença

aos que celebram a avó
que sempre estão lá
de corpo, alma e pó
da minha garganta, obrigado, em nó

14 de março de 2014

ser

se pudesse, viraria mato, ela e eu
daí em diante, tornar-se paisagem
sem nunca influir, apena a fluir
nunca reticências, só parte da existência
seriamos mato, quanto estivéssemos parados
ao respirar, uma brisa de vento gelado
para sempre, já que mato não sabe de tempo
por um só momento, felicidade é curta como vento

7 de março de 2014

cursivas, versivas e subversivas
em prosa, em verso ou no anverso
as letras são sempre como feridas
rasgadas, amargas e vivas

6 de março de 2014

sem lei e sem documento

Costuma ser hilário ver seu bradar anti burguesia. Logo você com nome, sobrenome, títulos, posses, poses e precoce aposentadoria. Chamaria até de heresia, já que sempre viveu de joelhos rezando a cartilha, a espera de vida nas migalhas de heranças das oligarquias. Só não da pra dizer que é hipocrisia, pois ninguém é capaz de fingir o que jamais será percebido, graças a viscosidade nos olhos causada por tamanha letargia. A mim resta deixar de lado o "conto do vigário". Liberdade! Imploro pela minha carta de alforria. Jamais serei escravo das desculpas moldadas em tão bela filosofia da demagogia.