4 de novembro de 2015

ceia

engordas de engodo
tal qual o tolo
acreditas ter parte no bolo

suculentas fatias de sonho
feito outro bobo
engasgas migalhas de abandono

sedentas lágrimas de choro
como mais um estulto
mendigas o banquete do astuto

15 de setembro de 2015

pó é azia

Poesia
Pó e azia
Pós azia
Poesia

16 de junho de 2015

queria eu,
viver de poesia.
erro insistente o meu,
esse morar na fantasia.
fim do dia, breu.
onde não falta azia. 
um passo para frente
passo para o lado, depois, outro lado
dois passos, e mais três, para trás
dançando, dançando
ritmo eterno do descompasso 

2 de junho de 2015

Clara, Clarita, Clarinha

I

Clara, Clarita, Clarinha
De tantos é irmã
Doutros tantos, é tia
Mas vó, é (quase) só minha

Fala mais que maracanã
Corre mais que cotia
E reza mais que vigília
Clara, Clarinha, Clarita

II

Clara, Clarita, Clarinha
De tantos causos
Doutros tantos acasos
Pomba! É só alegria

- Bença Vó!
- Bençoe meu fio
É quem me guia
Clara, Clarinha, Clarita





26 de maio de 2015

Muda

Evitando as palavras
Puras ou mal educadas
Bem ou mal intencionadas
De verdade ou inventadas

Apenas...

Evitando as palavras
Que não serão escutadas
Ou que sejam odiadas
Jamais culpadas

Somente...

Evitando as palavras


26 de março de 2015

incondicional

sim, já fui só.
depois fomos nós.
ontem, éramos três.
amanhã serão quatro de nós.
para todo sempre, juntos, um só.
do sentimento que não se conta em dedos,
com a tanta fé que jamais tem medo,
o impossível será sempre natural.
do insistir leve e sereno,
nosso mundo tenro.

20 de fevereiro de 2015

manha manhã

três da manhã.
vivendo o hoje,
ma já é amanhã,
de manhã.

então hoje,
já era ontem .
quando será amanhã,
de manhã?

Verso de Anverso

Toda noite
Um açoite
Pede pernoite
Espera com afoite
O chá-da-meia-noite
Mas, nessa noite
Não é dia, de dama-da-noite


Não é dia, de dama-da-noite
Mas, nessa noite
O chá-da-meia-noite
Espera com afoite
Pede pernoite
Um açoite
Toda noite

19 de fevereiro de 2015

(sobre como as coisas acabam)

Quanto tempo
Quanto tem, pô
Tempo 
Tem pó

.



13 de janeiro de 2015

de manhã


Da pra ver nos olhos dela que faço falta, o quanto ela se importa, o quanto é doloroso acenar com seus pequenos dedos. Provavelmente ela sente fundo até o último ronronar do velho motor movido a necessidade. E mesmo assim, todo dia eu digo adeus, viro as costas e vou. Claro, eu sei que vou voltar, mas ele  parece não entender, talvez nem queira. Porém, dia após dia, lhe dou  a tristeza do partir, lhe ensino involuntariamente a dor da saudade. Quando acelero e vejo no retrovisor seus olhos brilhantes e puros contemplando, em silêncio o que não compreende, deixo o vento frio bater nos meu rosto cansado, cantando em um único acorde cru “até logo, meu amor”. Por fim, tão acentuada quanto a curva à direita, a música da rua grita tentando abafar o que meu coração não pode deixar de gritar “por favor, me deixe fica”.

Um pai  jamais deveria ter quer ir.

11 de novembro de 2014

Avante

escolhas
ex coisas
escoa
coa


7 de novembro de 2014

Até o caraço

É sabido e conhecido
Todo dia morremos um pouco
Uns dias menos outros mais
Alguns dias até o osso

No meio de cada dia, pausa no decompor
Alguns chamam de almoço
De volta a putrefação
Produto do tempo e da alienação

Trabalho extremo e penoso
Apodrecer em pequenos pedaços
Não contentes com tal condição
Nos cobramos por pequenos pecados

Um certo dia, nem mais osso
Também não falo e nem ouço
Por fim, só o pó
A falta de vida não tem dó

28 de outubro de 2014

Pirâmide Invertida

reza o terço
prega o preço
homem de berço
nem conhece o beco
mas destila doses de medo
espera sua parte, seu terço
não importa o preço
faz valer o berço
dana o beco
sem medo

4 de agosto de 2014

CiRclo

Sociedade
Violenta.
Rapidamente,
viola.
Para ressarcir,
é lenta.

Dia a dia
Viola e desalenta
Noite e dia
Viola e alimenta.
Sociedade
Violenta.

30 de julho de 2014

Placebo

E esse passo pesado
Tal qual quem arrasta correntes
Desse olho amedrontado
Sinfonia alta do ranger dos dentes
No fim, é tudo sugestionado
Tão real quando poder da mente
Aos próprios olhos, escravos
Para outro, livre demente

17 de junho de 2014

ventos vaiantes

contra vaiantes
venham uivantes
os errantes
(marginais emocionais)

fortes como antes
respeitáveis feito gigantes
louváveis amantes
(vicinais, incondicionais)

calem ululantes
tais deselegantes
como jamais viram antes
(jamais, jamais)

10 de junho de 2014

homem do ano

dor de dente
lembrança latente
da dor da mente
analgésico demente
para quem mente
a dor que sente 

26 de maio de 2014

que venha

se viver, que venha armado.
armado até a mente,
de todo pensamento valente

de vontade inconsequente.
afinal, os dias são latentes
com certeza incoerentes.

se viver, que venha.
já não estou armando,
mas sigo amado...
efervescente.

21 de maio de 2014

a palavra terna
da poesia eterna
no verso do acaso
sempre me acabo 
palavra é rasgo
(poesia) cravada em pedra