8 de janeiro de 2018

Gosto

Lá fora chuva Aqui dentro Sempre sol Sol e chuva Chuva e sol Sal e açúcar Açúcar e sal Seco Molhado Doce Salgado O bom dos dias É ser contrariado O melhor da vida É estar enganado Lá fora sol
Aqui dentro Sempre chuva Aqui dentro Vez ou outra
A vida pura
Desguta

11 de dezembro de 2017

Fome

Peito Coxa Bunda Boca Olhos Lábios Língua Cu Buceta Grelo
Com os olhos Devorou cada uma das partes Mas com o lado de dentro do peito Jamais experimentou por inteiro
Se fartou de carnes Se intoxicou com as carnes Morreu de inanição, de solidão Sem saborear o tutano derradeiro

1 de novembro de 2017

Dia de Todos os Santos

Hoje é Dia de Todos os Santos
Dia de José dos Santos
Me rege e me guia
Em cada curva
Linha após linha
Hoje é dia, de quem me foi família
Dia de lembrar da alegria
Me rege e me guia
Contador e cantad
Para quem não teve pai, a vida deu avô

Hoje é de José dos Santos
Dia de quem me trouxe amor
Me rege e me guia
Na fumaça do paiêro
Celebro meu vô carreiro

Hoje é Dia de Todos os Santos
Dia de beber quem não foi Santo
Me rege e me guia
Cavalgando o baio
Leva meu peito no cangalho

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Jamais se esqueça de quem te trouxe até aqui

3 de outubro de 2017

Quanto menos entendia Menos tentava compreender No pensamento lento
Um lamento
Jazia o sentimento Em um segundo, em um momento Odiava você.
Esquecimento

22 de setembro de 2017

Cotidiano

Preto na senzala Coronel lá no salão Pobre na favela Rico na mansão Miserável na sarjeta Classe média vendo televisão Trabalhador atarefado O descanso é do patrão Muda o nome do descaso Mas é tudo escravidão Obedece quem tem juízo Quem se cansa diz não Morre quieto no prejuízo Se esquecem do irmão Capital é autoridade Liberdade, ilusão

21 de setembro de 2017

Cura

Remédio para acordar Açúcar pra sorrir Gordura para se fartar Detox pra reduzir Corrida para não enfartar Analgésico pra resistir Café para dilatar Cigarro pra remitir Trabalho para ganhar Compras pra exisitir Férias para descansar Selfie para fingir Um deus para culpar Likes para se sentir Álcool para relaxar Ecstasy pra coexistir Viagra para amar Regras pra seguir Pornografia para gozar Rosas pra se redimir Fé para não pirar Desculpas para insistir Antidepressivo para não chorar Remédio pra dormir

20 de setembro de 2017

Galope o golpe

Veio a galope, O golpe. A lá Tróia, Só no trote. Tempos depois, Homem sem norte. Ainda tonto, Sofre. Tamanha a força, Coice tão forte. Inconsciente repete, Um mantra em ode: Não foi golpe, Não foi golpe. Espera então que lhe salvem, Num galope da sorte.

19 de setembro de 2017

Segue preso
Trancafiado
O homem em seu desprezo
Olho embaçado 
Viciado
Em julgar e ser julgado
Indivíduo condenado
Sentenciado
A viver incomodado
É pobre, preto, tatuado
É viado
Queria ser, mas está amarrado
Segue preso
Acorrentado
O homem de peito raso e rasgado

14 de agosto de 2017

Movimente-se
Mova mentes, semeie
(as boas) sementes

19 de junho de 2017

Imperiaculturismo

Já dizia China Entoando pesado: Hardcore brasileiro é o frevo. Nosso groove enfestado, Maracatu de baque virado.

Street arte é cordel, Prosa e verso de alegria e fel.
Embolada é rap de menestrel . Para cada Basquiat, Arthur Bispo é o que há.

Nosso Dylan Morreu esses dias
Desaparecido Belchior Pois não já não cabia Em nossa mono anarquia.

Para Guevara, Zumbi. Para os panteras, Dandara.
Se eles tem Robbin Hood, Não nos deixa na mão: Ave Lampião.

O resto, todo o resto? Falta de referência
Cultura esquecida Abandonamos nos mesmos Feito massa falida.

23 de maio de 2017

Pobre. Com sorte é craque. Sem sorte, crack.
Ocre. Com ou sem Sorte Explorado Até o corte.
Torpe. Mercadoria da morte. Em números, Nunca em nomes.

9 de fevereiro de 2017

Esteriótipo
Estéril e óptico
Enxerga com a dor
Incapaz de reproduzir amor

22 de dezembro de 2016

PIB

não deveria, mas amor também é dor não poderia, mas dor é matéria prima
(ardor de rima)
vertigem de quem imagina produto interno bruto imaginação, amor e dor imaginador

30 de novembro de 2016

Morte

Morte Questão de vida ou sorte De alguns tragédia De outros moléstia Mas não muda É morte
Morte Sentimento sempre forte Centenas em um avião Ou sozinho na multidão Não, não muda É morte
Morte Do futuro, nora de corte Tem vários pesos, várias medidas Muito choro, por vezes, alegria comedida Porém, não muda É morte
Morte No fim, único norte 111 no Carandirú Da família, mais um Não importa, não muda É morte

1 de novembro de 2016

chuva

tão linda quando grossa quando fina seu cheiro suave de terra limpa


31 de agosto de 2016

A quem enganam?
Ora, aos que querem se enganar
E quem são?
Aqueles que precisam de alguém para culpar
Culpar pelo que?
Por sua convivência
Afinal, são coniventes com o que?
Com a mentira, com a farsa
Bom, e qual a farsa?
Aquela com a qual os enganam
Aos que querem se enganar?
Sim, aqueles que nunca param para observar.
E não podem absorver?
Nem compreender.
Muito menos se libertar?
Porque preferem...
Se deixar enganar.

24 de agosto de 2016

ia e vinha
sempre sobrevivia
depois, jazia

#haicai

22 de agosto de 2016

Não entendo dor
Nem tenho o respeito
Sou preconceito
troquei ânsia
pela azia fria,
dia a dia.
- O que seria?
- Qualquer coisa? Hum, fácil...
Sempre poesia