estranhos são os dias frios
que queimam mesmo sem ter sol
estranhas são os olhares
que machucam mesmo sem bater
estranhos são medos que apavoram
mesmo sem que você possa ver
estranhos são os sins
que na verdade são nãos
estranhos são vocês
indo em frente na contramão
20 de junho de 2018
30 de maio de 2018
Tudo ou Nada
O nada já temos.
E do nada,
Há muito,
Tudo fazemos.
E agora,
Se formos
Todos
Com tudo,
Certamente,
Nada sobrará
Do nada.
Decifra-me?
Obrigado,
De nada
8 de janeiro de 2018
Gosto
Lá fora chuva
Aqui dentro
Sempre sol
Sol e chuva
Chuva e sol
Sal e açúcar
Açúcar e sal
Seco
Molhado
Doce
Salgado
O bom dos dias
É ser contrariado
O melhor da vida
É estar enganado
Lá fora sol
Aqui dentro Sempre chuva Aqui dentro Vez ou outra
A vida pura
Desguta
Aqui dentro Sempre chuva Aqui dentro Vez ou outra
A vida pura
Desguta
11 de dezembro de 2017
Fome
Peito
Coxa
Bunda
Boca
Olhos
Lábios
Língua
Cu
Buceta
Grelo
Com os olhos
Devorou cada uma das partes
Mas com o lado de dentro do peito
Jamais experimentou por inteiro
Se fartou de carnes Se intoxicou com as carnes Morreu de inanição, de solidão Sem saborear o tutano derradeiro
Se fartou de carnes Se intoxicou com as carnes Morreu de inanição, de solidão Sem saborear o tutano derradeiro
1 de novembro de 2017
Dia de Todos os Santos
Hoje é Dia de Todos os Santos
Dia de José dos Santos
Me rege e me guia
Em cada curva
Linha após linha
Hoje é dia, de quem me foi família
Dia de lembrar da alegria
Me rege e me guia
Contador e cantad
Para quem não teve pai, a vida deu avô
Hoje é de José dos Santos
Dia de quem me trouxe amor
Me rege e me guia
Na fumaça do paiêro
Celebro meu vô carreiro
Hoje é Dia de Todos os Santos
Dia de beber quem não foi Santo
Me rege e me guia
Cavalgando o baio
Leva meu peito no cangalho
__
Jamais se esqueça de quem te trouxe até aqui
3 de outubro de 2017
22 de setembro de 2017
Cotidiano
Preto na senzala
Coronel lá no salão
Pobre na favela
Rico na mansão
Miserável na sarjeta
Classe média vendo televisão
Trabalhador atarefado
O descanso é do patrão
Muda o nome do descaso
Mas é tudo escravidão
Obedece quem tem juízo
Quem se cansa diz não
Morre quieto no prejuízo
Se esquecem do irmão
Capital é autoridade
Liberdade, ilusão
21 de setembro de 2017
Cura
Remédio para acordar
Açúcar pra sorrir
Gordura para se fartar
Detox pra reduzir
Corrida para não enfartar
Analgésico pra resistir
Café para dilatar
Cigarro pra remitir
Trabalho para ganhar
Compras pra exisitir
Férias para descansar
Selfie para fingir
Um deus para culpar
Likes para se sentir
Álcool para relaxar
Ecstasy pra coexistir
Viagra para amar
Regras pra seguir
Pornografia para gozar
Rosas pra se redimir
Fé para não pirar
Desculpas para insistir
Antidepressivo para não chorar
Remédio pra dormir
20 de setembro de 2017
Galope o golpe
Veio a galope,
O golpe.
A lá Tróia,
Só no trote.
Tempos depois,
Homem sem norte.
Ainda tonto,
Sofre.
Tamanha a força,
Coice tão forte.
Inconsciente repete,
Um mantra em ode:
Não foi golpe,
Não foi golpe.
Espera então que lhe salvem,
Num galope da sorte.
19 de setembro de 2017
19 de junho de 2017
Imperiaculturismo
Já dizia China
Entoando pesado:
Hardcore brasileiro é o frevo.
Nosso groove enfestado,
Maracatu de baque virado.
Street arte é cordel, Prosa e verso de alegria e fel.
Street arte é cordel, Prosa e verso de alegria e fel.
Embolada é rap de menestrel .
Para cada Basquiat,
Arthur Bispo é o que há.
Nosso Dylan Morreu esses dias
Nosso Dylan Morreu esses dias
Desaparecido Belchior
Pois não já não cabia
Em nossa mono anarquia.
Para Guevara, Zumbi. Para os panteras, Dandara.
Para Guevara, Zumbi. Para os panteras, Dandara.
Se eles tem Robbin Hood,
Não nos deixa na mão:
Ave Lampião.
O resto, todo o resto? Falta de referência
O resto, todo o resto? Falta de referência
Cultura esquecida
Abandonamos nos mesmos
Feito massa falida.
23 de maio de 2017
22 de dezembro de 2016
PIB
não deveria,
mas amor também é dor
não poderia,
mas dor é matéria prima
(ardor de rima)
vertigem de quem imagina produto interno bruto imaginação, amor e dor imaginador
(ardor de rima)
vertigem de quem imagina produto interno bruto imaginação, amor e dor imaginador
30 de novembro de 2016
Morte
Morte
Questão de vida ou sorte
De alguns tragédia
De outros moléstia
Mas não muda
É morte
Morte Sentimento sempre forte Centenas em um avião Ou sozinho na multidão Não, não muda É morte
Morte Do futuro, nora de corte Tem vários pesos, várias medidas Muito choro, por vezes, alegria comedida Porém, não muda É morte
Morte No fim, único norte 111 no Carandirú Da família, mais um Não importa, não muda É morte
Morte Sentimento sempre forte Centenas em um avião Ou sozinho na multidão Não, não muda É morte
Morte Do futuro, nora de corte Tem vários pesos, várias medidas Muito choro, por vezes, alegria comedida Porém, não muda É morte
Morte No fim, único norte 111 no Carandirú Da família, mais um Não importa, não muda É morte
1 de novembro de 2016
31 de agosto de 2016
A quem enganam?
Ora, aos que querem se enganar
E quem são?
Aqueles que precisam de alguém para culpar
Culpar pelo que?
Por sua convivência
Afinal, são coniventes com o que?
Com a mentira, com a farsa
Bom, e qual a farsa?
Aquela com a qual os enganam
Aos que querem se enganar?
Sim, aqueles que nunca param para observar.
E não podem absorver?
Nem compreender.
Muito menos se libertar?
Porque preferem...
Se deixar enganar.
Ora, aos que querem se enganar
E quem são?
Aqueles que precisam de alguém para culpar
Culpar pelo que?
Por sua convivência
Afinal, são coniventes com o que?
Com a mentira, com a farsa
Bom, e qual a farsa?
Aquela com a qual os enganam
Aos que querem se enganar?
Sim, aqueles que nunca param para observar.
E não podem absorver?
Nem compreender.
Muito menos se libertar?
Porque preferem...
Se deixar enganar.
24 de agosto de 2016
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