7 de maio de 2012

RIP


Decomposição
Apodrecimento
Desagregação
Dissolução
Putrefação

Ócio

4 de maio de 2012

Toada

Da infância 
Para o mundo
Que não reconheço
Se vão as violas
Depois os terços
Sem passado
Não tem futuro
Nessa tristeza
De novo Jeca
Não mais giramundo
Chora viola
Implora

27 de abril de 2012

Mãos Gerais

Eu vim de lá
E lá veio pra cá
Num verso tolo
E um desenho bobo
Se faz Gerais
Por hora também
Pelas minhas mãos

É muito de mim
Pra não dizer quase tudo
De barro
Do som
Da madeira
Do falar absurdo
Se fez em mim
Pelas mãos, Gerais

25 de abril de 2012

Abanheém


Nasci branco
De alma negra
E fala tupi
Ai de mim dizer que não

Sou Mulato
Cafuso e Mameluco
Sou Cabloco Flecheiro
Consagrado à Mãe de Deus

Nasci beato
De mãos pagãs
E fala laica
Ai de mim não crer

Sou de umbanda
Espírita e cristão
Sou fluente da Luz Universal
Devoto de Cosme e Damião

24 de abril de 2012

Só ria


Hoje sorria
Sem teus dentes
Demente
Com toda a tua razão
Também ausente
Sorria sem teus dentes
Tua vontade eloquente
Como toda gente
Desgraça pouca
De ser vivente

19 de abril de 2012

Éramos nós

Éramos muitos
Cada qual com suas cores
Éramos milhares
Cada um com seu deus
Éramos fortes
Cada amundaba com sua palavra
Éramos diferentes
E mesmo assim iguais
Os herdeiros da floresta

Éramos, não somos mais
Os filhos do Brasil
Agora um indigesto civilizado

18 de abril de 2012

Tratado sobre (a minha) loucura

Ah, a loucura. Ácida doçura da certeza de que nada é além do seu próprio ser. Nada se cria, mas tudo pode ser criado. De jovens deuses ao velho diabo. O mal é contra-senso do bem, tal qual o fim a verdade do além. O que real é louco, a realidade será sempre o profano. Então, seguimos a verdade, ajoelhados como gado a espreita da salvação. Absolvidos pelo sacrifício da carne, esquecendo do sangue que deu vida a toda a sanidade.