14 de março de 2014

ser

se pudesse, viraria mato, ela e eu
daí em diante, tornar-se paisagem
sem nunca influir, apena a fluir
nunca reticências, só parte da existência
seriamos mato, quanto estivéssemos parados
ao respirar, uma brisa de vento gelado
para sempre, já que mato não sabe de tempo
por um só momento, felicidade é curta como vento

7 de março de 2014

cursivas, versivas e subversivas
em prosa, em verso ou no anverso
as letras são sempre como feridas
rasgadas, amargas e vivas

6 de março de 2014

sem lei e sem documento

Costuma ser hilário ver seu bradar anti burguesia. Logo você com nome, sobrenome, títulos, posses, poses e precoce aposentadoria. Chamaria até de heresia, já que sempre viveu de joelhos rezando a cartilha, a espera de vida nas migalhas de heranças das oligarquias. Só não da pra dizer que é hipocrisia, pois ninguém é capaz de fingir o que jamais será percebido, graças a viscosidade nos olhos causada por tamanha letargia. A mim resta deixar de lado o "conto do vigário". Liberdade! Imploro pela minha carta de alforria. Jamais serei escravo das desculpas moldadas em tão bela filosofia da demagogia. 

28 de fevereiro de 2014

(re)missão

Da outra vida
Só me lembro:
No dia em que morri
Ouvi você sorrir

Na nova hora,
Enquanto espero,
Gargalho.
Você chora...

27 de fevereiro de 2014

Não alimentarás falsos patetas

A loucura é livre, logo ela não insiste, apenas existe. Quando cerceia-se esse lapso da existência comum, infringindo divagações reguladoras em constância opressora, mesmo que tais observações tenham ares de evolução abrilhantada pela inconsciência de um espírito livre, finda o improviso humano chamado de loucura. O que resta? O egoísmo autoritário, a manipulação pela ignorância. Portanto, aos tolos que se dizem iluminados pela imagética imprevisível da loucura deixo como palavras "derrubem as próprias máscaras". Tornem-se reais, assumam sua consciência e não justifiquem seus atos ob a ótica extraordinária (em tons de divindade) da loucura. Pois, se podem pensar e elaborar discursos obtusos, não são contemplados com o dom da loucura, estão apenas a serviço da auto-idolatria obscura.

Ato dos opostos



Então, ao sentir a rugosidade de mais um soco no estômago, a dor sobe em ondas de calafrios. Quem não a conhece revida, instintivamente, hora com ódio, minutos depois com medo. Porém, não é a primeira vez que recebo tal visita. Deixo, quase inconsciente, que a náusea  inunde o ventre e outros canais latentes. Que percorra capilares e cerre tenuamente incisivos e molares para chegar a ponta do último fio que cobre o invólucro da razão. Como luz, na mesma velocidade que se expandiu, volta em implosão,  até as pontas dos dedos, apertando-os tão forte quanto seja impossível. Em silêncio – percebido apenas por quem sente – o universo aguarda o retorno em igual intensidade. No entanto, a ternura vence em sonoro oco a força do soco. Por fim, toda dor é submissa à ponta do lápis. Grafada e traduzida em uma só palavra. Sonoramente semelhante ao que nunca pude dizer, escrevo, em grandes letras triunfais (ou descomunais): PAX! Ou apenas paz...

26 de fevereiro de 2014

apagar meus os versos
afinal, são tão anvers

19 de fevereiro de 2014

tamanha erudição
sucumbiu diante de simples interrogação:
mais culto seria o ato da criação
ou o feixe de inspiração?

resposta e convicção:
certamente o de maior exposição
importam somente os louros ao chão
não os atos de alma e coração

18 de fevereiro de 2014

De sol a sol
Do sol ao sal
Nem sal, nem sol
Só 

12 de fevereiro de 2014

fasta retrato, maquinista

ao som dos bois
ferro, no frio, dias a fio
nem ele era pai
nem eu era filho

éramos dois
juntos por fadário
sozinho, sem depois
não tenho contrário

só sigo adiante
no eco dos bois
pois ainda ouço "fio"
lembrança, meu campanário
e quem disse
que luz não se vive
certamente é triste
não conhece seu sorriso
essa luz que insiste

30 de janeiro de 2014

rasgo-me
depois remendo
cada corte fechado
é ensino do tempo

21 de janeiro de 2014

preto

de canto livre
agora em alma vive
ide em paz
que nosso sol,
sem dó, se arranje 

15 de janeiro de 2014

indo ao nacional

Ouviram? Lá do Ipiranga, as "margens" cálidas
Um povo heróico, preto, pardo, pobre... mas relutante
Sem sol, sem liberdade, só (pelas frestas) raios frios
Tomou o céu da (outrora) pátria em um só instante.

9 de dezembro de 2013

não precisa nome
nem ao menos sobrenome
só precisa ser homem
mãos à obra
eles pensam
enquanto dormes

4 de dezembro de 2013

Decida-se, empenho versus desdenho?
claramente prefiro desenho
no certeza do senho
que tenho

3 de dezembro de 2013

Gozo

O Brasil é pior que punheta
Gozar nas coxas ou nas tetas
Ô país brochante
Onde inseminação artificial
É, do sexo, a posição mais excitante
Somos ejaculação precoce
Da preliminar constante

25 de novembro de 2013

sem pedir licença ao entrar
nem tampouco desculpas ao sair
todo amor é sem educação
dispensa etiquetas ao se despir
sobre a  a pele só deixa paixão
se não mais dizer sorrir?
bate a porta, sem cerimônias, sobra solidão
quando der na telha, pode até voltar
mas é sempre parar desajustar
afinal, amor não é para coexistir
nem mesmo para completar
amor, de verdade, é para tomar

20 de novembro de 2013

a consciência é negra
de alma branda
o copro que treme
a voz arranha
é difícil entender que esperança,
ainda, é só branca
pobre vereador
vela a dor
de aguardar com fervor
seu cheque ao portador

assalto a mão armada
seguido de um bela mamada
as vezes boas chupadas
sempre na mamata

pobre vereador
responde ao clamor:
sou do povo o ator
logo, finjo resplendor

a patota desavisada
esqueceu a máxima rechaçada:
a democracia aclamada
da demagogia politizada