Amém
Axé
Meu Deus
Saravá
Viva Nossa Senhora Aparecida
Salve Mãe Iemanjá
Eu não sou santo
Mas sou caboclo
Toco viola
E danço coco
A pela é branca
De alma negra
Velei-me São Jorge Guerreiro
Beria-Mar auê,
Meu Ogum Vermelho
Graças e louvores
A todo momento
Ao Divino encantamento
20 de janeiro de 2012
19 de janeiro de 2012
Anos
Desde a pasta de dente
Todo dia é diferente
Mesmo com alguns gritos
Sempre lembro dos sorrisos
Afinal, são eles
Que fazem meu coração latente
Todo dia é diferente
Mesmo com alguns gritos
Sempre lembro dos sorrisos
Afinal, são eles
Que fazem meu coração latente
13 de janeiro de 2012
Prefácio do início do fim
Sim eu também escrevo
É sobre o fim do mundo
Sobre a dor do pé no frevo
Do carnaval ao enterro
Rabisco pra não ficar mudo
Conheça então meu absurdo
É sobre o fim do mundo
Sobre a dor do pé no frevo
Do carnaval ao enterro
Rabisco pra não ficar mudo
Conheça então meu absurdo
Embola
Ouço poesia com cheiro de terra molhada de suor do ouro crioulo. E eu respiro o que parece um rio de mim mesmo. Também sou trovador desse imenso desespero. Salve mestre, salve povo brasileiro.
5 de janeiro de 2012
Espirituosidade
Espirituosidade
Malandragem de malungo
Oxalá abre a porteira
Yo quiero ver o mundo
Sinto falta desse cheiro
Perfume de absurdo
Onde reza a lenda
Do profeta vagabundo
Espirituosidade
Chave mestra do oculto
Saci acende a erva
Quero um trago do ciullo
Abundância de sabor
Gosto forte de calor
Realiza a profecia
Do pobre sonhador
Malandragem de malungo
Oxalá abre a porteira
Yo quiero ver o mundo
Sinto falta desse cheiro
Perfume de absurdo
Onde reza a lenda
Do profeta vagabundo
Espirituosidade
Chave mestra do oculto
Saci acende a erva
Quero um trago do ciullo
Abundância de sabor
Gosto forte de calor
Realiza a profecia
Do pobre sonhador
6 de dezembro de 2011
fake
fico aqui vendo, como é velho seu pensamento
fruto da hipocrisia do seu lamento
tento, juro que tento, mas não entendo
como é falso todo esse seu ornamento
descanse só esse momento
tal quel um azedo fermento
e mostra tota realidade do seu tormento
fruto da hipocrisia do seu lamento
tento, juro que tento, mas não entendo
como é falso todo esse seu ornamento
descanse só esse momento
tal quel um azedo fermento
e mostra tota realidade do seu tormento
16 de novembro de 2011
Apocalipse
Quando heróis nascem mortos
Deus cospe sobre nossos corpos
Não existem vilões, apenas coalizões
Nem demônios, nem anjos... Gabriel
Restam as superstições, Azazel
Deus cospe sobre nossos corpos
Não existem vilões, apenas coalizões
Nem demônios, nem anjos... Gabriel
Restam as superstições, Azazel
8 de novembro de 2011
sim
Um dia, algum tempo atrás
Disseram-me não
Nos dias seguintes
Sucessivamente
Mais e mais nãos
Enfim, outro dia desses
Ela disse um só sim
Nunca mais precisei de nada
Para viver assim
Feliz, até meu fim
Disseram-me não
Nos dias seguintes
Sucessivamente
Mais e mais nãos
Enfim, outro dia desses
Ela disse um só sim
Nunca mais precisei de nada
Para viver assim
Feliz, até meu fim
1 de novembro de 2011
Oração
Dia de todos os santos
Invoco o protetor
Deus, pai e avô
Anjo da guarda e zelador
Da terra o cabloco rezador
Dia do meu único santo
José dos Santos
Quincas, grande peleador
Trava guerras com minha língua
E derrota com amor
Dia do anjo santo
Salve a morte e a redenção
Sigo debaixo da fumaça
De cigarro velho de palha
Forjado de causos, ele que nos valha
Dia do santo anjo do senhor
Sua cultura
Minha carapaça
E a espada
Nossa toada
Invoco o protetor
Deus, pai e avô
Anjo da guarda e zelador
Da terra o cabloco rezador
Dia do meu único santo
José dos Santos
Quincas, grande peleador
Trava guerras com minha língua
E derrota com amor
Dia do anjo santo
Salve a morte e a redenção
Sigo debaixo da fumaça
De cigarro velho de palha
Forjado de causos, ele que nos valha
Dia do santo anjo do senhor
Sua cultura
Minha carapaça
E a espada
Nossa toada
6 de outubro de 2011
outros tempos, outro dia, o mesmo absurdo
O passado é descendente
Desse futuro demente
Um absurdo profano
Da vida ano a ano
As crenças são pedras
Qual rasgos de duras cerdas
O absurdo insano
Da condição de humano
Aos trinta segundos
Dos trinta anos
Há um absurdo rosnando
Do calcanhar ao âmago
O desalento do desprendimento
Dessa vida ao relento
Verdadeiro absurdo
Ainda gritar mesmo mudo
Desse futuro demente
Um absurdo profano
Da vida ano a ano
As crenças são pedras
Qual rasgos de duras cerdas
O absurdo insano
Da condição de humano
Aos trinta segundos
Dos trinta anos
Há um absurdo rosnando
Do calcanhar ao âmago
O desalento do desprendimento
Dessa vida ao relento
Verdadeiro absurdo
Ainda gritar mesmo mudo
18 de maio de 2011
Noite (ou trevas)
Amargo
Um gole de cansaço
Azedo
Como meu cheiro
Catarse do desespero
Afago
Um bocado de solidão
Amarelo
Como meu dedo
Calamidade do medo
Arrocho
Um naco de miséria
Ácido
Como meu asco
Comicidade do zelo
Apago
Um raio de luz
Agudo
Como meu sono
Cúmplice do erro
Um gole de cansaço
Azedo
Como meu cheiro
Catarse do desespero
Afago
Um bocado de solidão
Amarelo
Como meu dedo
Calamidade do medo
Arrocho
Um naco de miséria
Ácido
Como meu asco
Comicidade do zelo
Apago
Um raio de luz
Agudo
Como meu sono
Cúmplice do erro
18 de fevereiro de 2011
"Um ponto nunca é só ponto, é ponte. Passarela que une na espera do que foi, e do que vai vir. O ponto, mesmo o final, é sempre portal. Entre o que foi dito e o que será escrito. Ponto, quase umbral, onde pensamentos esperam buscando o entendimento. Logo, ponto é apenas um ponto. Ponto de encontro, onde decidimos se continuamos. Por bem, ou por mal."
relatividade
Sigo trilhas de suspiros
De olhos bem fechados
O que orienta são sorrisos
No silêncio que grita
Guiam também tons amorosos
Procuro encontrar
Quase sempre perco
Sem desespero, sem pesar
Na luz fraca, cega
Um dia irei achar
Conto todos os segundos
Nunca as horas
Frações de nossos mundos
Nesse milésimo do tempo
Acelero todos os minutos
Percebo a aurora
De peito todo aberto
Enfim, é chegada a hora
Nessa eminência de esgotar-se o tempo
Congelo nosso amor profundo
De olhos bem fechados
O que orienta são sorrisos
No silêncio que grita
Guiam também tons amorosos
Procuro encontrar
Quase sempre perco
Sem desespero, sem pesar
Na luz fraca, cega
Um dia irei achar
Conto todos os segundos
Nunca as horas
Frações de nossos mundos
Nesse milésimo do tempo
Acelero todos os minutos
Percebo a aurora
De peito todo aberto
Enfim, é chegada a hora
Nessa eminência de esgotar-se o tempo
Congelo nosso amor profundo
21 de dezembro de 2010
equações
Não somos todos iguais
E não somos diferentes
Apenas somos
O que somos não tem valor
O valor está no que fingimos ser
E não ser
A soma das mentiras
É resultado do ser.
E não somos diferentes
Apenas somos
O que somos não tem valor
O valor está no que fingimos ser
E não ser
A soma das mentiras
É resultado do ser.
18 de novembro de 2010
do velho, do novo
Do paiol,
Só resta o Souza
Moderno e artificial
O canto agora é oco
Qual viola sem cocho
Da fumaça, da palha
Só o sufoco
O cheiro também é outro
Lembra o ocre
Como gado morto
Do cavalo baio
Resta o branco
Cego como memória
O peito aperta
Como história
Do velho Quincas
Restam os Santos
Sombras pesadas
De passado rasgado
Meu único encanto
Só resta o Souza
Moderno e artificial
O canto agora é oco
Qual viola sem cocho
Da fumaça, da palha
Só o sufoco
O cheiro também é outro
Lembra o ocre
Como gado morto
Do cavalo baio
Resta o branco
Cego como memória
O peito aperta
Como história
Do velho Quincas
Restam os Santos
Sombras pesadas
De passado rasgado
Meu único encanto
21 de outubro de 2010
Distâncias
Enquanto você desliza sobre os trilhos da novidade, desbravando a multidão inconsciente e insipiente. Eu, totalmente consciente e descrente, espero de volta seu amor. Enfio o dedo na minha carne, limitando a dor de estar só. Viajo pelo lápis, pelas teclas e através da fumaça de mais um câncer, caro como esses olhares assustado, que resvalam, suaves como unha de gato, sobre as marcas que escolhi carregar. Esperando respostas que possam-me levar de volta a você. Como uma conquista. Como uma derrota de tudo que julgo ser inerente e inerte na natureza tacanha. Corro por essas últimas horas gladiantes, pesadas como hipocrisia aristocrata, para ver seus olhos de lágrimas, negros e mouros, sorrirem como orgulhosas pérolas negras...
8 de outubro de 2010
toda tua
Tua falta
Tão ausente
Quanto luz na escuridão
Tão notada
Quanto criança assassinada
Tua falta
Já não tão lembrada
Como árvore morta em chapada
Tão esperada
Quanto a certeza do nada
Tua falta
Já não se faz
Como memória esquecida
Tão desapercebida
Quanto a mentira da tua vida
Tão ausente
Quanto luz na escuridão
Tão notada
Quanto criança assassinada
Tua falta
Já não tão lembrada
Como árvore morta em chapada
Tão esperada
Quanto a certeza do nada
Tua falta
Já não se faz
Como memória esquecida
Tão desapercebida
Quanto a mentira da tua vida
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