11 de janeiro de 2007

experience

Anjos e demônios

Cobras e lagartos

Deuses e mortais

Pássaros florescentes

Flores voláteis

Mentes insanas

Lembranças humanas

Que noite estranha

Que sonho louco

E você não estava lá

Não mais

Nem na hora do medo

Nem no minuto do riso

Será que algum dia esteve?

Alguém já esteve?

Sozinho com o pé no fogo

Queimo-me no jogo

Cartas marcadas

Que só um sabe o final

Não sei quem sabe

Nem sei se sei

Continuo

Tentando

Salve!

10 de janeiro de 2007

paz

O sol insiste em acordar-me desse sonho bom. Os raios fracos, mas quentes, chamam para rotina, enquanto o vento diz que por hoje acabou. Até a próxima noite, até o próximo o sonho bom, até as próximas horas. Contarei cada segundo que falta para brincar feliz nesse sono profundo que conforta. E nesses segundos a palavra recorrente em meus pensamentos votará a gritar alto e pedir para essa paz: fica, só mais essa noite, fica.

8 de janeiro de 2007

Mais nada

Quando a alma toca o sorriso

E a boca fala ao coração

Não nos resta mais nada

A euforia toma conta da solidão

O mau se perde em bondade

Não nos resta mais nada

O sopro se torna tempestade de verão

A gota dilúvio de emoção

Não nos resta mais nada

O homem em deus

E deus o homem

Não nos resta mais nada

Aceitar

Acolher

Não nos resta mais nada

Vivos

Para sempre

Manifesto

Acorde para ver o sol

Desperte para não chorar

Abra os olhos para ver o céu

Levante-se para brilhar

No escuro faça-se a luz

Na ignorância, lucidez

Consciência, na embriaguez

Acorde para me ver chegar

Desperte para o que vou falar

Abra os olhos, uma nova visão

Levante-se, dê-me a mão

Somos poucos, somos loucos

Os outros

A re-evolução

5 de janeiro de 2007

Ciranda

Inconscientemente eu aspiro esse aroma psicotrópico do dia em que deixei de sofrer. Anestesiado só enxergo à frente, numa alucinação digna do ópio, mas consistente como as letras. Sei que não poderei viver desse “barato”, e que toda noite terei momentos da caretice reacionária, mas esse ópio da paz é bom para esquecer. Esquecer para lembrar. Lembrar para continuar. Continuar porque estou vivo e quem vive não pode parar. Lúcidos ou chapados todos temos que continuar. E quando chegar à total lucidez procurarei de novo sentimentos lisérgicos, pois adoro ver o mundo à rodar. Uma ciranda lunática na beira do mar, cantando para amar, dançando para Iemanjá.

4 de janeiro de 2007

Negro (ou mel de boddah)

As negras esferas rolam

Desviam-se pra longe

Fogem?

Em meio ao mar negro

Com ondas sinuosas

Esferas de mel se perdem

Procurando as negras

Que perdem o brilho

Rolam incessantes

Para todos os lados

Mas não buscam o mel

Fogem?

Perdem-se?

No brilho dos dentes serrados

O mel se derrama

Encontrem-se

Tornem-se

Novamente

O negro mel

O doce mel negro

3 de janeiro de 2007

Inferno

Bem que disseram que era aqui

Demônios sempre rondam

Mentiras, verdades

Enxergo nos olhos

Espero que enxergue no meu

O que tenho não é ódio

Não combina o inferno

Deixe-me ir

Liberte nossas almas

Podemos achar o céu

Mas meu céu não é esse inferno

Não mereço arder

Esse fogo não precisa cuspir

Nem em mim, nem em você

Preciso voar

Sem seu peso em minhas asas

O fim não precisa ser aqui

Pode ser o começo

Pode ser o lado bom

Do lado ruim

Esse fogo não precisa cuspir

Não precisa queimar

Não irá arder

Basta querer

2 de janeiro de 2007

Estrada

Hoje saio com os primeiros raios de sol, assim espero, ou com as primeiras gotas de chuva. Sinto-me meio como aquele poeta, do qual gosto tanto. Guardadas as devidas proporções, entendo hoje toda sua falta de rumo, e se não tenho toda aquela coragem pintada em azul e branco, tenho a mancha vermelha viva que pulsa no meio do peito. No pulsar do pistão do motor da única coisa que me restou vejo a euforia da solidão, olho para o caos da construção onde estou e percebo o vazio habitado por saudades, esperança, uma barata e algumas formigas. A fumaça e o atrito das rodas deve deixar pra trás tudo que não quero lembrar, e o que não quero pensar. No ciclo da circunferência de 22 polegadas deve ficar também as horas e minutos que restam dessa marcação mundana chamada ano. Depois disso, voltar. O poeta de qual falei parece nunca pensar nesse voltar, talvez seja essa nossa diferença. Nossa igualdade está na penetrante vontade de ir. Sem rumo, ou com objetivos camuflados em uma aparente falta de lucidez. Beberei daqui a algum tempo a um novo ano, beberei a esse poeta, beberei também aos outros que são ou não poetas, beberei a volta. No último gole do etílico, que beberei entre a fusão do novo e do velho tempo, beberei procurando respostas. Após, curado o corpo do choque temporal, novamente sobre os aros e estruturas móveis de metal, de volta a doce e empoeirada estrada, virei rápido buscar a paz azul e branca que os versos do poeta prometeram ao meu pulsar vermelho.

Santa trindade

Boddah senta feliz

Perde-se nos cabelos

Cabelos longos e negros

Belos Cabelos

Brilhosos e intensos

Cabelos de mãe d’água

Sinto falta de Boddah

Voltarei a vê-lo

Deixei que fosse

Agora tenho medo

Espero que Boddah volte

Ainda montando os cabelos

Compridos e negros

Belos e verdadeiros

Cabelos de mãe d’água

Sereia inexistente

Perdida em meus devaneios

Eu, a sereia e Boddah

Idealizador, criador e criatura

Sem uma ordem real

Apenas espero que voltem

Todos os três

Uma nova e santa trindade

Carmem 10114919

Cinco minutos para um novo ano. Sento aqui com um cara foda, só nós dois, como sempre preferimos nos isolar do mundo. Falamos de tudo q aconteceu nos últimos trezentos e muitos dias, conto tudo, tudo que estou sentindo, ele faz o mesmo. Não comentamos nada, apenas escutamos um ao outro. Esse silêncio nos diz como estamos, vazios, esperando que um novo mundo nasça. Ambos esperamos por Carmem, cada um a sua doce e, ainda, inexistente, Carmem. Onde está Carmem? Leio novamente Cuenca e por mais que procure nas teclas do PC, nos números do celular, não consigo achar Carmem. Onde está Carmem? Preciso de Carmem.

28 de dezembro de 2006

De novo

Saca só

Só o pó

Acabou

Começa de novo

De novo

E de novo

O novo ciclo

Cíclico

Desce redondo

No verão

Só ná ná ná

Espero a volta

Pra começar

Recomeçar

De novo

E de novo

No novo ano

Mais velho, eu

Sinto-me outro

Novo

De novo

E de novo

Banquete

Hoje meu café da manhã foi um corpo

Resto da alma que ingeri ontem no jantar

Alimentação pesada, cheia de proteínas

Dessas calorias que te fazem pensar

Carboidratos do sonho, doce sonho

No almoço preciso de novo, do corpo e da alma

A tarde mais uma vez, e assim sempre

Alimento-me da alma que ingeriu minha alma

27 de dezembro de 2006

Prece

Fique imóvel
Ajoelhe-se
Sinta seu coração falar
Escute, abra os ouvidos
Ele diz alto
Você pode escutar?
Tente com vontade
Ouça...

Não vá

Despedida, chantagem ou desejo?

Mãos atadas

Garganta cerrada

Pernas imóveis

Queria dizer, espernear

Gritar, segurar

Mas vegeto

E contento em olhar

Não me acho digno

Nem de perguntar

Só posso esperar

26 de dezembro de 2006

Vício

Preciso parar de fumar. A cada trago diminui o pulmão e aumenta o pensamento. Doem, os dois. A cabeça que pensa e o corpo que trabalha. Vou escrever até morrer, sangrar os dedos e deixar correr. A cada verso mal feito, a cada texto disléxico, a cada troca de letras, sinto-me mais perto. Não sei se perto da razão ou da loucura, mas sinto-me mais perto. Espero que perto do fim, porque depois do fim sempre tem um começo, uma nova sessão. Continuo então a escrever, esperando que as unhas rachem e que o pensamento canse. Esperando dormir e acordar em um novo lugar, onde continue a escrever, mas onde os dedos não sangrem mais, onde o corpo não peça mais nicotina nem álcool. Longe, um lugar que não existe, mas que já posso ver. Apago o cigarro, depois do último trago. Preciso parar de fumar, preciso parar de escrever. Não posso. É um vício tão grande quanto viver.

Vou pelos sete mares

Mesmo sem saber nadar

Vou me deixar afogar nas mãos de Netuno

E que ele me guie

Por entre sereias e serpentes

Quando o fundo chegar

Mais escuro que o mais intenso eclipse

Vou encontrar a pérola

Forjada com a última lagrima da minha vida

25 de dezembro de 2006

Resposta

Um vácuo temporal entre o hoje e a amanhã, essa é minha vida. Procurando em cigarros e copos descartáveis respostas que vão da máxima de onde viemos, até a questões banais como o porque a cadeira tem esse nome. Evito sempre o sono, apagar para mim parece perda de tempo, as melhores repostas costumam vir da embriaguez causada pela o principio ativo da insônia. E na última noite, especial para muita gente que conheço, consegui mais uma brilhante resposta. Você sobe qual é?

22 de dezembro de 2006

Boddah ( ou o gnomo do cabelo)

Ele mora lá

Em meio aos caracóis

Mora só

Mas está bem acompanhado

Está aí pode acreditar

Você não percebeu?

O sonho dele?

Que nele você possa acreditar

Os ossos (ou os restos)

Mesmo vazio o espaço guarda restos, restos não sei bem de que, restos que apodrecem e, muitas vez, nem enterrados descansam em paz. Deveriam servir de adubo para as novas coisas, seriam a experiência do nosso solo, mas não servem. Na verdade parecem lixo, poluem a alma, a vida. Meus restos, teus restos. Não iremos exumar os corpos que deram origem a esses restos, o que precisamos é abrir a gaveta onde estão depositados os ossos, crema-los, pulverizar suas cinzas sobre o presente, para que no futuro esses restos sejam passado.

21 de dezembro de 2006

Sirva-se

Um novo ano para digerirmos, tomara que juntos. Nossa entrada vem regada à esperança e salpicada de novidade, mais tarde teremos os acompanhamentos: energia, trabalho, amores e, se o “Chefe” permitir, muitas, boas e grandes realizações. O prato principal vira ma hora certa, bem no meio, quando pensarmos que já experimentamos de tudo. Vem cheio de coisas boas como família, amigos e uma merecida pausa após saborearmos tudo isso. Depois de uma bela sobremesa, doce como o calor do nosso verão, estaremos cansados. Aí é hora do café, colocar a conversa em dia, trocar receitas para o próximo encontro e, claro, um grande brinde de feliz ano novo. Será tudo tão rápido, mais uma vez, alguma coisa do cardápio poderá não cair bem, mas no final, na hora do brinde estaremos, se o “Chefe” e “Anfitrião” permitir, todos juntos de novo.